Faça um comentário
7 min de leitura
Honda vende no Brasil um Civic com 297 cv, câmbio manual de 6 marchas e Rev-Match, rodas de 19” e aerofólio gigante desenvolvido para pista
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/10/2026 às 23:26
Atualizado em 03/10/2026 às 23:40
Automotivo
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Honda Civic Type R entrega 297 cv, 42,8 kgfm, câmbio manual de 6 marchas, Rev-Match, rodas de 19” e aerodinâmica desenvolvida para pista.
O motorista pisa na embreagem, empurra a pequena alavanca para uma marcha abaixo e a eletrônica eleva sozinha a rotação do motor para encaixar a redução. Não existe câmbio automático escondido nessa operação. Segundo a Honda Automóveis, o Civic Type R vendido oficialmente no Brasil preserva três pedais e transmissão manual de seis marchas, mesmo entregando 297 cv e 42,8 kgfm pelo motor 2.0 VTEC Turbo. A página nacional da fabricante continua apresentando o esportivo ano/modelo 2025/2026, embora a disponibilidade dependa do estoque e do processo de importação.
O modelo tem tração dianteira, freios Brembo, amortecedores adaptativos, quatro modos de condução, Honda LogR para registrar dados de pilotagem e um pacote de segurança com dez airbags e Honda Sensing. Quando chegou oficialmente ao país, o preço sugerido foi de R$ 429.900, valor que continuou sendo usado como referência para o modelo em 2026.
Motor 2.0 turbo entrega 297 cv e 42,8 kgfm
O coração do Type R é o K20C1, um quatro cilindros de 1.996 cm³ equipado com turbocompressor, intercooler e injeção direta. Na calibração brasileira, ele produz 297 cv a 6.500 rpm e 42,8 kgfm entre 2.600 e 3.500 rpm.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A Honda modificou turbocompressor, admissão, escape e gerenciamento eletrônico para melhorar a resposta. O sistema de escape permite fluxo 13% maior que o da geração anterior e utiliza uma válvula para alterar o som quando o motor sobe de rotação.
A alimentação é exclusivamente a gasolina. A calibração brasileira tem potência menor que algumas especificações internacionais, algo relacionado às características do combustível disponível no país.
Câmbio manual de seis marchas virou uma raridade
Com quase 300 cv disponíveis, seria fácil colocar uma transmissão automatizada de dupla embreagem e buscar trocas cada vez mais rápidas. A Honda seguiu outro caminho.
A única transmissão oferecida é uma manual de seis marchas. O motorista continua responsável por pisar na embreagem, mover a alavanca e escolher a relação desejada.
Isso diferencia o Civic Type R de boa parte dos esportivos modernos. Em 2026, automóveis de alto desempenho com câmbio manual tornaram-se cada vez mais raros, especialmente entre modelos com potência próxima ou superior aos 300 cv.
Rev-Match faz o punta-taco automaticamente
A transmissão manual não significa que toda operação dependa exclusivamente da habilidade do motorista. O sistema Rev-Match ajuda justamente nas reduções.
Quando percebe a troca para uma relação inferior, o carro eleva automaticamente a rotação do motor para aproximá-la daquela necessária na nova marcha. É o efeito conhecido entre motoristas esportivos como punta-taco.
A tecnologia funciona até na redução da segunda para a primeira marcha. O objetivo é deixar a transição mais suave e reduzir alterações bruscas de equilíbrio quando o carro entra em uma curva.
Aerofólio traseiro chega a gerar 580 N de pressão aerodinâmica
O enorme aerofólio não foi instalado apenas para tornar o Civic mais chamativo. A Honda afirma que a peça pode gerar 580 Newtons de downforce, força aerodinâmica que empurra o carro contra o asfalto em alta velocidade.
Assista o vídeo
A dianteira também trabalha o fluxo de ar. O capô de alumínio possui abertura para retirar ar quente e contribui para gerar 42 N de pressão aerodinâmica.
Spoilers e fechamento inferior adicionam outros 207 N. Em testes citados pela Quatro Rodas, o grande aerofólio traseiro equivale a quase 59 kg de força para baixo quando o carro está a 200 km/h.
Rodas de 19 polegadas usam pneus desenvolvidos especialmente para o carro
A Honda reduziu o diâmetro das rodas em comparação com a geração anterior. O Type R atual usa peças de liga leve de 19 polegadas, em vez das antigas rodas de 20.
Os pneus têm medida 265/30 ZR19. Eles foram desenvolvidos pela Honda em conjunto com a Michelin para suportar as fortes cargas laterais geradas durante a condução em pista.
O desenho das próprias rodas também foi trabalhado para reduzir a deformação dos pneus nas curvas. A ideia é manter uma área maior da borracha em contato com o asfalto quando o carro está próximo do limite.
Freios Brembo usam pinças dianteiras de quatro pistões
Colocar 297 cv sobre as rodas dianteiras exige mais do que motor. Parar repetidamente depois de longas acelerações também precisa fazer parte do projeto.
O Type R utiliza sistema Brembo atualizado. Na dianteira aparecem pinças de quatro pistões e discos ventilados construídos em duas peças para controlar melhor a temperatura.
Entradas específicas conduzem ar aos freios. Segundo a Honda, o gerenciamento de ventilação das caixas de roda ajudou a reduzir significativamente a temperatura em comparação com a geração anterior durante condições severas.
Suspensão adaptativa muda entre estrada e pista
A dianteira utiliza uma arquitetura desenvolvida para reduzir um efeito comum em carros muito potentes de tração dianteira. Em acelerações fortes, o volante pode tentar puxar para um dos lados, fenômeno conhecido como torque steer.
Por isso, a Honda separou elementos da direção e da suspensão. Na traseira existe um sistema independente multilink.
Os amortecedores são adaptativos. Sua rigidez muda conforme o modo selecionado pelo motorista, permitindo uma configuração menos agressiva para ruas e estradas ou respostas mais firmes quando o carro entra em circuito.
Quatro modos alteram até o comportamento do escapamento
Comfort, Sport, +R e Individual formam os quatro modos disponíveis. Não é apenas uma mudança gráfica no painel.
A seleção interfere na resposta do acelerador, peso da direção, rigidez dos amortecedores, atuação do Rev-Match e som do escapamento. O modo +R concentra as calibrações mais agressivas.
No Individual, essas características podem ser combinadas separadamente. É possível, por exemplo, deixar alguns componentes em configuração esportiva e manter outros em ajustes mais confortáveis.
Type R fez 0 a 100 km/h em 6,3 segundos em teste brasileiro
A Honda não divulga oficialmente uma aceleração brasileira de 0 a 100 km/h, mas a Quatro Rodas submeteu o modelo a seu protocolo de testes.
O Type R chegou aos 100 km/h em 6,3 segundos. Nos 1.000 metros, marcou 25,6 segundos e cruzou a medição a 212,9 km/h.
A velocidade máxima indicada pela revista é de 275 km/h. Nas retomadas, o carro passou de 60 a 100 km/h em terceira marcha em 4,2 segundos e de 80 a 120 km/h em quarta em 5,2 segundos.
Carroceria hatch ainda oferece porta-malas de 337 litros
A preparação não transformou o Civic em um esportivo de dois lugares. A carroceria hatchback preserva quatro portas e espaço para quatro ocupantes.
São 4.594 mm de comprimento, 1.890 mm de largura e 2.734 mm entre os eixos. O peso informado nos testes brasileiros fica em aproximadamente 1.449 kg.
Atrás existe um porta-malas de 337 litros na especificação analisada pela Quatro Rodas. O tanque comporta 47 litros, mantendo alguma praticidade para viagens apesar da preparação extrema.
Honda LogR transforma o carro em coletor de dados
O painel TFT de 10,2 polegadas muda de aparência quando o modo +R entra em ação. O conta-giros ocupa a parte superior e luzes indicam o momento de trocar de marcha.
O aplicativo Honda LogR leva a proposta mais longe. O sistema registra dados como pressão do turbo, temperatura de óleo, posição do acelerador, pressão sobre o freio, forças laterais e ângulo da direção.
Em circuito, é possível registrar tempos de volta e comparar aceleração, frenagem e comportamento em diferentes trechos. O motorista também pode consultar as informações no smartphone posteriormente.
Dez airbags e Honda Sensing acompanham a preparação de pista
Apesar de todo o foco esportivo, o Civic Type R não abandona os equipamentos encontrados em carros mais convencionais. São dez airbags, incluindo bolsas frontais, laterais, de cortina e para os joelhos dos ocupantes dianteiros.
O Honda Sensing traz controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática para mitigação de colisão, assistente de permanência em faixa, sistema para reduzir saídas involuntárias da pista e farol alto automático.
Há ainda controle eletrônico de estabilidade, monitoramento da pressão dos pneus e câmera traseira. Um pacote adicional Traffic Alert acrescenta alerta de ponto cego e monitoramento de tráfego cruzado traseiro.
Civic Type R ainda tenta preservar aquilo que os esportivos estão perdendo
Existe uma contradição interessante no Type R. Quase tudo nele utiliza engenharia moderna para melhorar a velocidade, mas o componente central da experiência continua sendo uma alavanca manual ligada a três pedais.
O motor 2.0 turbo entrega 297 cv e 42,8 kgfm apenas às rodas dianteiras. O Rev-Match ajuda nas reduções, mas não troca a marcha pelo motorista. As rodas de 19 polegadas, os Brembo e o aerofólio que chega a gerar 580 N foram desenhados para suportar uma condução muito mais agressiva que a de um Civic convencional.
A Honda mantém o modelo em seu site brasileiro como ano/modelo 2025/2026, enquanto a disponibilidade pode exigir espera por importação.
Em um mercado onde esportivos adotam cada vez mais transmissões automáticas e eletrificação, o Type R continua oferecendo quase 300 cv e exigindo que o motorista escolha pessoalmente cada uma das seis marchas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

