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ArcelorMittal estuda investir R$ 5 bilhões no Ceará para produzir 1,5 milhão de toneladas de bobinas de aço por ano, mas projeto depende da queda do aço importado
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 04/10/2026 às 23:58
Metalúrgica e Siderúrgica
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ArcelorMittal avalia investir R$ 5 bilhões em Pecém para instalar uma linha de bobinas laminadas a quente de 1,5 milhão de toneladas por ano, mas a decisão depende dos estudos e do cenário do aço importado no Brasil
A ArcelorMittal colocou sobre a mesa um investimento capaz de mudar o perfil industrial de uma das maiores siderúrgicas do Nordeste. A companhia avalia aplicar cerca de R$ 5 bilhões na unidade de Pecém, no Ceará, para instalar uma linha que transforme parte das placas de aço produzidas no complexo em bobinas laminadas a quente, produto de maior valor agregado e com amplo uso na indústria brasileira.
Segundo a Bloomberg Línea, a decisão final deverá ser tomada até o fim de 2026. O projeto prevê capacidade anual de 1,5 milhão de toneladas de bobinas, mas ainda depende da conclusão dos estudos internos e das condições de competição no mercado nacional. Um dos indicadores acompanhados pela empresa é a participação do aço importado, estimada atualmente em cerca de 18% do mercado brasileiro.
ArcelorMittal avalia investir R$ 5 bilhões em Pecém para instalar uma linha de bobinas laminadas a quente de 1,5 milhão de toneladas por ano, mas a decisão depende dos estudos e do cenário do aço importado no Brasil
A unidade de Pecém nasceu voltada à produção de placas de aço, um produto semiacabado que pode ser exportado ou seguir para outras etapas de transformação. A planta tem capacidade nominal de aproximadamente 3 milhões de toneladas por ano e acesso ao Porto do Pecém, localizado a cerca de 10 quilômetros da siderúrgica.
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Com a nova laminadora, parte desse aço ganharia uma etapa adicional de processamento dentro do Ceará. Em vez de sair da unidade somente como placa, o material poderia ser convertido em bobinas laminadas a quente, utilizadas em cadeias como construção civil, máquinas e equipamentos, implementos agrícolas, indústria automotiva, estruturas metálicas e outros segmentos.
A mudança aumentaria o nível de transformação realizado na própria fábrica. Para a ArcelorMittal, o projeto de Pecém está alinhado a uma estratégia mais ampla de ampliar operações de processamento de aço no Brasil e aproximar a produção de mercados consumidores de produtos acabados ou semielaborados de maior valor.
Primeira fase de engenharia começou com R$ 35 milhões
O projeto já vinha sendo preparado antes da cifra de R$ 5 bilhões aparecer. Em julho de 2026, a ArcelorMittal Pecém aprovou uma primeira fase de R$ 35 milhões destinada aos trabalhos de engenharia necessários para avaliar tecnicamente a nova linha de bobinas a quente.
Naquele momento, a empresa informou que a construção dependeria da conclusão satisfatória dessa etapa e de novas aprovações internas, inclusive do Conselho de Administração. A cifra bilionária divulgada posteriormente mostra a escala que a expansão pode alcançar caso receba o aval definitivo.
A linha estudada teria capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas por ano, volume equivalente a cerca de metade da capacidade nominal atual da unidade cearense. A fábrica seguiria produzindo aço, mas passaria a realizar localmente uma etapa industrial que hoje não faz parte de seu processo principal.
Importação de aço virou uma das condições para a expansão avançar
A decisão está diretamente ligada ao ambiente competitivo do setor. Jorge Oliveira, executivo da ArcelorMittal, afirmou que as importações representam cerca de 18% do mercado brasileiro de aço. Na avaliação apresentada por ele, esse percentual precisaria cair para menos de 12% para melhorar as condições de aprovação do investimento em Pecém.
O tema ganhou força depois de um período de entrada elevada de aço estrangeiro no país. Dados citados pela administração da unidade cearense indicam que a participação dos importados chegou a aproximadamente 25% em 2025, enquanto a faixa histórica ficava entre 10% e 12%. Esse avanço aumentou a pressão sobre preços e margens das siderúrgicas locais.
O governo federal passou a adotar medidas de defesa comercial em alguns segmentos. Em uma investigação envolvendo laminados planos a quente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços lista a China entre os países investigados e a própria ArcelorMittal Brasil entre as empresas peticionárias.
Tarifas dos Estados Unidos mudaram a rota de parte das placas brasileiras
Ao mesmo tempo, as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço obrigaram a companhia a reorganizar parte dos embarques brasileiros. Volumes antes direcionados ao mercado americano passaram a buscar outros destinos, com destaque para a Europa.
Segundo a Bloomberg Línea, as exportações da ArcelorMittal para a Europa chegaram a 1,04 milhão de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, volume próximo de tudo o que havia sido embarcado para o continente durante 2025. No mesmo período, as exportações brasileiras de placas da companhia para os Estados Unidos somaram 1,77 milhão de toneladas.
Para Pecém, essa mudança reforça o argumento de transformar uma parcela maior da produção dentro do Brasil. A estratégia permitiria reduzir a dependência de vender placas como produto semiacabado para mercados externos e ampliar a oferta de aço processado para clientes nacionais.
Usina comprada por US$ 2,2 bilhões já tinha espaço para expansão
A ArcelorMittal assumiu a antiga Companhia Siderúrgica do Pecém em 2023, em uma aquisição avaliada em aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Quando concluiu a operação, o grupo já destacava a possibilidade de futuras expansões, incluindo capacidade adicional de laminação e acabamento.
A siderúrgica foi comissionada em 2016 e opera um alto-forno com capacidade de aproximadamente 3 milhões de toneladas anuais. Sua localização próxima ao Porto do Pecém e a infraestrutura de escoamento foram apontadas pela empresa como ativos estratégicos da operação.
Nos últimos anos, a fábrica também elevou a participação dos aços especiais. Segundo o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres, essa fatia passou de cerca de 25% para 40% da produção em três anos, alcançando aproximadamente 1,2 milhão de toneladas anuais. A unidade emprega 2.779 trabalhadores próprios e, somados os terceirizados, reúne mais de 5 mil pessoas.
Nova laminadora pode aprofundar a cadeia siderúrgica no Ceará
Se o investimento de R$ 5 bilhões for aprovado, Pecém passará a reunir produção de aço e uma etapa de transformação que hoje ocorre fora do processo principal da unidade. Isso pode reduzir a necessidade de enviar placas para outras plantas antes de o material chegar a determinados clientes industriais.
A decisão ainda está em aberto. A ArcelorMittal pretende concluir os estudos até o fim do ano e acompanha tanto o comportamento das importações quanto as condições do mercado interno. O projeto avança no mesmo período em que a companhia amplia investimentos de transformação em outras unidades brasileiras, como Tubarão, no Espírito Santo.
Para o Ceará, a possível laminadora representa um salto de escala em relação à fase de engenharia já iniciada e pode colocar uma nova categoria de aço processado diretamente na produção local. Se o Conselho de Administração aprovar o investimento completo, a unidade de Pecém deixará de concentrar sua produção apenas em placas e passará a fabricar bobinas destinadas a cadeias industriais de maior valor agregado.
Fontes
ArcelorMittal avalia investimento de R$ 5 bilhões para ampliar usina no Ceará
ArcelorMittal investirá R$ 35 milhões em linha de aço laminado no Ceará
ArcelorMittal conclui aquisição da CSP no Brasil
ArcelorMittal foca em aços especiais contra tarifaço e prevê manter R$ 1,69 bi em compras no Ceará
Laminados planos a quente — investigação de defesa comercial
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

