RS
Faça um comentário
7 min de leitura
Gigante norueguesa avança com parque eólico bilionário no extremo sul do Brasil e prepara obras para 2027
Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/10/2026 às 23:53
Atualizado em 04/10/2026 às 23:55
Energia Renovável
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Após nova licença ambiental, o Gran Sul ganhou escala no extremo sul gaúcho: o projeto da Statkraft agora prevê 496 MW, 62 aerogeradores e R$ 1,8 bilhão em investimentos, com operação comercial estimada para 2029.
A norueguesa Statkraft avançou com a ampliação do Projeto Gran Sul, em Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul. Após uma nova licença ambiental emitida em setembro de 2026, o empreendimento passou a prever 496 MW de capacidade instalada, 62 aerogeradores e investimento estimado em R$ 1,8 bilhão.
O investimento anunciado oficialmente supera R$ 1 bilhão. Executivos da própria Statkraft também passaram a citar um montante próximo de R$ 1,5 bilhão para a implantação do Gran Sul, valor igualmente divulgado por veículos regionais que acompanham o projeto.
A decisão transforma um projeto desenvolvido durante anos em uma obra com cronograma definido para começar. Segundo a empresa, o Gran Sul deverá adicionar nova capacidade renovável ao Sistema Interligado Nacional e ampliar sua presença no mercado brasileiro de geração eólica.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Santa Vitória do Palmar foi escolhida por reunir condições favoráveis de vento e infraestrutura para geração de energia. O município está localizado próximo à fronteira com o Uruguai e já concentra outros empreendimentos associados ao aproveitamento do potencial eólico do extremo sul brasileiro.
Gran Sul foi ampliado para 496 MW e 62 aerogeradores
Em julho de 2026, a Statkraft anunciou a decisão de investimento com uma configuração de 280 MW. Em setembro, porém, uma nova licença ambiental ampliou o projeto para 496 MW e 62 aerogeradores, configuração mais recente divulgada para o empreendimento.
Os 280 MW anunciados pela Statkraft correspondem à capacidade instalada prevista para a primeira fase de construção do Gran Sul.
Capacidade instalada, porém, não significa que o parque produzirá 280 MW ininterruptamente durante todas as horas do dia.
A geração efetiva de uma usina eólica varia conforme a velocidade dos ventos, disponibilidade dos aerogeradores, condições da rede elétrica, períodos de manutenção e outros fatores operacionais.
Ainda assim, a dimensão coloca o Gran Sul entre os projetos relevantes da atual expansão eólica brasileira.
Para efeito de comparação dentro do próprio portfólio da empresa, o maior ativo eólico da Statkraft atualmente no país é o Complexo Santa Eugênia, na Bahia, que possui 519 MW de capacidade instalada distribuídos entre 14 parques e 91 aerogeradores.
A empresa ainda não detalhou publicamente, no anúncio mais recente, quantos aerogeradores formarão exatamente a configuração de 280 MW que será construída a partir de 2027 nem qual fabricante fornecerá as turbinas dessa etapa.
Documentos regulatórios anteriores relacionados aos empreendimentos Gran Sul registram diferentes unidades geradoras e configurações técnicas, mas essas informações antecedem a decisão final de investimento anunciada em julho de 2026. Por isso, os dados mais seguros para a atual fase são a potência de 280 MW e o cronograma divulgado pela própria Statkraft.
Obras estão programadas para janeiro de 2027
A principal mudança anunciada em 8 de julho de 2026 foi a passagem do Gran Sul para a fase de execução.
De acordo com a Statkraft, o empreendimento vinha sendo desenvolvido havia vários anos e já havia concluído as etapas técnicas, ambientais e regulatórias consideradas necessárias para sua implantação. Com a decisão de investimento aprovada, a companhia marcou janeiro de 2027 como referência para o início da construção.
A expectativa divulgada no Rio Grande do Sul é que a operação comercial ocorra em 2029. Documentos do Ministério de Minas e Energia relacionados a partes do complexo também apontam novembro de 2029 como referência de conclusão para unidades Gran Sul incluídas no regime de incentivos à infraestrutura.
Antes de um parque eólico começar a entregar eletricidade comercialmente, o empreendimento passa por uma sequência de etapas.
Além da preparação dos terrenos e acessos, são necessárias as fundações dos aerogeradores, montagem das torres, transporte e instalação das pás, redes internas, subestações, linhas de conexão e testes de comissionamento.
É esse ciclo de implantação que deverá começar no extremo sul gaúcho em 2027.
Investimento atualizado chega a R$ 1,8 bilhão
No comunicado brasileiro sobre a decisão de investimento, a Statkraft informou que o aporte no Gran Sul será superior a R$ 1 bilhão.
Posteriormente, Thiago Tomazzoli, presidente da Statkraft no Brasil, e Fernando de Lapuerta, executivo da área internacional da companhia, citaram aproximadamente R$ 1,5 bilhão, ou cerca de 3 bilhões de coroas norueguesas, como referência para o empreendimento.
A companhia afirma que a implantação deverá movimentar fornecedores e gerar atividade econômica regional, embora ainda não tenha apresentado no comunicado principal uma estimativa detalhada do número de empregos temporários e permanentes associados à primeira etapa.
Por isso, não é possível afirmar com segurança quantas vagas serão abertas durante as obras ou quantos trabalhadores permanecerão no parque após a entrada em operação.
O que já está confirmado é que a Statkraft pretende utilizar o empreendimento para ampliar sua escala de geração no mercado brasileiro e consolidar sua presença em uma região com recursos eólicos considerados estratégicos.
Santa Vitória do Palmar reúne projetos de energia eólica
A localização do Gran Sul não é aleatória.
Santa Vitória do Palmar fica em uma extensa área de planícies no extremo sul gaúcho, região onde o regime de ventos favoreceu historicamente o desenvolvimento de projetos eólicos.
Documentos da Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que diferentes unidades do complexo Gran Sul já passaram por processos de autorização no município.
Parte dessas estruturas foi projetada para conexão à Subestação Marmeleiro 2, pertencente ao sistema de transmissão operado na região, segundo registros da ANEEL referentes aos empreendimentos.
O Gran Sul também passou por etapas de habilitação relacionadas ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, conhecido como Reidi, mecanismo federal que reduz a incidência de determinados tributos sobre investimentos em infraestrutura que atendam aos requisitos estabelecidos pelo governo.
Esse histórico ajuda a explicar por que a decisão anunciada em 2026 não representa o início do projeto do zero.
A diferença agora é que a companhia já tomou a decisão de investimento e estabeleceu uma data para a fase de construção.
Brasil é o segundo maior mercado de geração da Statkraft
O peso do Gran Sul também precisa ser analisado dentro da estratégia brasileira da companhia norueguesa.
A Statkraft está presente no Brasil desde 2008 e mantém operações em energia hidrelétrica, eólica e solar.
Segundo os números divulgados pela própria empresa em julho de 2026, seu portfólio brasileiro reúne 16 usinas hidrelétricas, 33 parques eólicos e 12 plantas solares, considerando ativos em operação ou construção.
A capacidade instalada combinada supera 2.400 MW.
Após adquirir a Enerfin em 2023, a companhia passou a figurar entre os dez maiores produtores de energia eólica do Brasil, de acordo com informações apresentadas pela Statkraft.
O país tornou-se ainda o segundo maior mercado de geração de eletricidade da empresa, atrás apenas da Noruega, com produção anual próxima de 5,9 TWh.
O Gran Sul acrescentará mais 280 MW a essa presença quando sua primeira etapa estiver concluída.
Aquisição da Enerfin ampliou presença da empresa no Brasil
A expansão recente da Statkraft no setor eólico brasileiro ganhou escala com a aquisição da Enerfin, operação que adicionou diversos ativos ao portfólio nacional da companhia.
Entre eles estão empreendimentos de grande porte em diferentes regiões brasileiras.
Esse movimento ajuda a explicar por que o Gran Sul é tratado pela empresa como parte de uma estratégia mais ampla, e não como um projeto isolado.
A Statkraft pretende combinar geração hidrelétrica, solar e eólica para ampliar sua atuação no mercado brasileiro e diversificar as fontes que compõem sua carteira.
Fernando de Lapuerta, vice-presidente executivo internacional da empresa, afirmou no anúncio de julho que o Brasil é considerado um mercado importante dentro dessa estratégia de crescimento.
Já Thiago Tomazzoli classificou o Gran Sul como uma nova etapa da expansão da companhia no país.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

