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Grupo Michelin amplia presença industrial no Brasil com nova fábrica da Fenner em Guarulhos e projeto prevê aumento de 40% na capacidade para atender mineração, cimento, siderurgia e outros setores pesados
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 06/10/2026 às 23:04
Atualizado em 06/10/2026 às 23:05
Indústria
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Nova planta será quase três vezes maior que a estrutura anterior, receberá automação e sistemas avançados de vulcanização e transforma operação brasileira em hub estratégico da Fenner para a América do Sul
O Grupo Michelin está ampliando sua presença industrial no Brasil por meio de uma nova fábrica da Fenner em Guarulhos, na Grande São Paulo, em um projeto que deverá aumentar em aproximadamente 40% a capacidade produtiva da empresa no país e fortalecer o fornecimento de correias transportadoras para mineração, siderurgia, cimento, portos e agronegócio.
A expansão envolve investimentos de centenas de milhões de reais, segundo informações divulgadas pela Indústria S/A em 5 de outubro de 2026. A nova unidade terá uma área quase três vezes maior que a planta utilizada anteriormente e incorporará novos processos de automação, controle de qualidade e produção de correias têxteis e com cabos de aço.
A Fenner integra o Grupo Michelin desde 2018 e a operação brasileira passou recentemente por outra transformação: a antiga marca ConveyBelts foi incorporada de forma definitiva à estrutura global da Fenner, passando a operar como Fenner Brasil.
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O resultado é mais do que uma mudança de nome. A empresa está redesenhando a estrutura fabril brasileira para abastecer operações industriais que movimentam milhões de toneladas de minério, carvão, cimento, grãos e outros materiais a granel.
Nova fábrica será quase três vezes maior
O salto físico é um dos pontos mais claros do projeto.
Segundo a companhia, a nova fábrica de Guarulhos terá uma área quase três vezes maior que a instalação anterior, permitindo reorganizar linhas produtivas e ampliar o volume de correias fabricadas no país.
A estimativa é que a mudança resulte em um aumento de aproximadamente 40% da capacidade produtiva brasileira.
Esse percentual não significa simplesmente produzir a mesma correia em maior quantidade.
A Fenner pretende ampliar também o portfólio fabricado localmente, incluindo diferentes especificações de correias têxteis e correias reforçadas com cabos de aço, utilizadas em sistemas de transporte contínuo submetidos a cargas elevadas e ambientes agressivos.
São produtos que ficam longe da visão do consumidor comum, mas ocupam posição crítica dentro de grandes operações industriais.
Uma mina, siderúrgica ou fábrica de cimento pode depender de quilômetros de transportadores para levar material entre britagem, processamento, estoque e carregamento.
Quando uma dessas correias para, não é apenas uma peça que deixa de funcionar. Uma etapa inteira da produção pode ser interrompida.
Mineração brasileira explica parte do tamanho da aposta
A própria Fenner aponta a mineração como uma das razões para colocar o Brasil no centro de sua estratégia sul-americana.
O CEO e managing director da Fenner Brasil, Diogo Haddad, afirmou que o país ocupa posição estratégica no planejamento global da empresa justamente pela relevância do setor mineral e das operações de movimentação de materiais.
A mineração trabalha com volumes gigantescos de minério e estéril transportados continuamente entre diferentes pontos de uma operação.
Correias industriais usadas nesse ambiente precisam suportar abrasão, impacto, rasgos, calor e cargas elevadas durante longos períodos.
É esse tipo de aplicação que explica por que uma fábrica de correias transportadoras pode representar um investimento de centenas de milhões de reais.
O produto parece simples visto de fora. Industrialmente, não é.
Uma correia projetada para transportar minério de ferro ou cobre durante quilômetros precisa combinar borracha, reforços têxteis ou metálicos, engenharia de materiais, precisão dimensional e vulcanização controlada.
Fábrica terá automação e vulcanização de alta precisão
A nova unidade foi projetada com foco em automação, escalabilidade e controle de processo.
Entre as tecnologias citadas pela companhia estão sistemas avançados de automação industrial, equipamentos de vulcanização de alta precisão e sensores empregados no controle de qualidade das correias.
A vulcanização é uma das etapas fundamentais para determinar propriedades mecânicas e durabilidade dos compostos de borracha.
Em aplicações pesadas, pequenas variações ao longo de uma correia com grandes dimensões podem se transformar em problemas relevantes durante a operação.
O uso de sensores e controles mais sofisticados permite acompanhar uniformidade, rastreabilidade e parâmetros de fabricação ao longo de toda a extensão do produto.
Esse é justamente o tipo de modernização que diferencia uma simples ampliação de galpão de uma expansão efetivamente tecnológica da capacidade industrial.
Produção continuará predominantemente brasileira
Mesmo com a integração à rede internacional da Fenner, a estratégia anunciada prevê produção predominantemente nacional.
A empresa afirma que a fábrica brasileira será integrada à cadeia global de fornecimento da Fenner, permitindo complementar o portfólio produzido no país com tecnologias e soluções desenvolvidas em outras unidades do grupo.
A Fenner Brasil também informa que sua produção local está conectada à engenharia global da Fenner Dunlop e que a unidade brasileira funciona como uma plataforma estratégica de manufatura para a América do Sul.
Esse arranjo permite combinar duas escalas.
De um lado, manter produção brasileira para atender clientes locais e regionais com menores prazos logísticos.
De outro, utilizar tecnologias e conhecimento desenvolvidos por uma rede industrial presente em diferentes continentes.
Para clientes de mineração e indústria pesada, prazo de entrega também é uma variável econômica.
Uma correia crítica aguardando semanas ou meses por importação pode representar um risco operacional muito maior do que simplesmente pagar mais ou menos pelo componente.
Brasil vira hub da Fenner para a América do Sul
A nova fábrica não foi projetada apenas para atender o mercado doméstico.
Segundo a companhia, a operação brasileira passará a funcionar como um hub estratégico para a América do Sul, apoiando também mercados vizinhos.
A Fenner possui operações e unidades produtivas em diferentes continentes, incluindo América do Norte, Europa, Ásia, Austrália e América Latina.
A própria divisão internacional do grupo afirmou, ao anunciar a integração da ConveyBelts à Fenner Brasil em maio de 2026, que a nova unidade em construção ampliaria a produção local e reduziria prazos de fornecimento para clientes sul-americanos.
Isso coloca Guarulhos em uma posição industrial diferente.
A fábrica deixa de ser apenas uma unidade destinada ao consumo brasileiro e passa a integrar uma rede regional de abastecimento.
ConveyBelts dá lugar à Fenner Brasil
A expansão também marca o encerramento de uma longa transição de marca.
A ConveyBelts acumulou décadas de presença industrial no país e construiu uma base relevante especialmente entre clientes de mineração e movimentação de materiais.
Em 2026, essa estrutura foi formalmente integrada à Fenner Dunlop, passando a utilizar a marca Fenner Brasil.
Segundo a própria empresa, o legado industrial brasileiro remonta a 1942 e inclui a introdução das correias transportadoras com cabos de aço no mercado nacional.
Esse histórico importa porque evita uma leitura equivocada da expansão.
A Fenner não está começando uma operação do zero no Brasil.
A nova fábrica representa a modernização e ampliação de uma atividade industrial que já existia, agora incorporada de maneira mais profunda à estrutura internacional do Grupo Michelin.
Correias com cabo de aço entram em operações de alta exigência
Entre os produtos relevantes para a nova fase estão as correias transportadoras reforçadas com cabos de aço.
Esse tipo de construção permite trabalhar com forças de tração maiores e transportadores de longa distância, especialmente em mineração e grandes instalações industriais.
A empresa também fabrica correias com reforços têxteis e compostos formulados para enfrentar condições específicas de abrasão, impacto e altas temperaturas.
A integração com a Michelin adiciona outro componente importante.
O grupo francês possui longa experiência em ciência dos materiais e desenvolvimento de compostos elastoméricos, conhecimento que pode ser compartilhado com a divisão de correias.
Segundo a Fenner, a combinação dessa engenharia de materiais com sua especialização em movimentação contínua permite desenvolver produtos voltados a maior durabilidade e eficiência operacional.
Cimento, siderurgia e portos também estão na mira
Embora a mineração apareça como um dos principais mercados, a fábrica terá alcance mais amplo.
A companhia cita siderurgia, cimento, portos e agronegócio entre os segmentos atendidos pela expansão brasileira.
Todos compartilham uma necessidade semelhante: mover grandes volumes de material continuamente.
Em uma siderúrgica, correias transportam minério, carvão, coque e sínter.
Em fábricas de cimento, movimentam calcário, clínquer e outras matérias-primas.
Em terminais portuários, integram sistemas que conduzem minério ou grãos até navios e áreas de armazenagem.
No agronegócio, aparecem em silos, terminais e instalações de processamento.
Isso torna a fábrica da Fenner um fornecedor transversal para diferentes cadeias pesadas da economia.
Expansão ocorre enquanto Michelin reorganiza operações em Guarulhos
O anúncio também chama atenção por acontecer depois de outra movimentação industrial do Grupo Michelin na mesma cidade.
Em 2025, a Michelin encerrou gradualmente uma unidade de Guarulhos dedicada à produção de câmaras de ar para pneus de motos e bicicletas. A decisão foi atribuída à pressão de importações asiáticas naquele segmento. O fechamento, porém, não significou uma saída da companhia do país, como esclareceu a AFP em checagem publicada em junho de 2026.
A nova fábrica da Fenner mostra justamente que os movimentos industriais do grupo não seguem uma única direção.
Enquanto uma atividade perdeu competitividade e foi encerrada, outra recebe investimento de centenas de milhões de reais para ampliar capacidade.
São mercados diferentes, produtos diferentes e estruturas econômicas distintas.
Essa comparação ajuda a entender por que falar simplesmente em “Michelin fechando” ou “Michelin expandindo” seria insuficiente: o grupo está reorganizando seu parque industrial de acordo com a competitividade de cada negócio.
Investimento exato ainda não foi revelado
Apesar da escala do projeto, a companhia não divulgou um valor fechado para o investimento.
A informação disponível aponta para centenas de milhões de reais, sem detalhar o montante final.
Também não foram informados publicamente, na divulgação de outubro, o número total de novos postos de trabalho ou uma divisão detalhada dos recursos por equipamento, obras e tecnologia.
Essas lacunas são importantes.
Não seria correto transformar a expressão “centenas de milhões” em um valor específico sem confirmação da companhia.
O que está confirmado é o tamanho físico da expansão, o aumento projetado de 40% da capacidade e a modernização tecnológica da operação.
Nova fábrica muda escala da Fenner no Brasil
A Fenner passa por três transformações simultâneas.
A primeira é física: uma fábrica quase três vezes maior.
A segunda é produtiva: 40% mais capacidade.
A terceira é estratégica: a antiga ConveyBelts deixa de operar como uma estrutura essencialmente brasileira e passa a integrar completamente a rede global Fenner–Michelin.
Se o plano for executado conforme anunciado, Guarulhos ganhará uma unidade capaz de produzir mais correias, incorporar tecnologias internacionais e abastecer não apenas clientes brasileiros, mas outras operações da América do Sul.
Para mineração, siderurgia, cimento, portos e agronegócio, isso significa ter um fornecedor local de um componente que raramente aparece fora das fábricas, mas cuja falha é capaz de parar sistemas inteiros.
É por isso que a nova planta da Fenner não deve ser vista apenas como mais uma fábrica no parque industrial de Guarulhos.
Ela representa uma aposta de longo prazo do Grupo Michelin na infraestrutura que mantém a indústria pesada em movimento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

