O cacau produzido pela família Andriola, no Acre, conquistou reconhecimento internacional durante o Northwest Chocolate Festival, realizado em Seattle, nos Estados Unidos. A produção da comunidade, conduzida pelos irmãos Osmir e Aires Andriola, foi selecionada pelo Heirloom Cacao Preservation Project (HCP), iniciativa voltada à preservação e valorização de variedades tradicionais de cacau.
A produção acreana é fornecida à Luisa Abram Chocolates, empresa sediada em São Paulo especializada no trabalho com cacaus de diferentes regiões brasileiras. A chocolatier Luisa Abram utiliza a matéria-prima amazônica na fabricação de chocolates que destacam as características e a origem dos frutos.
A escolha foi feita após a avaliação de nove especialistas de diferentes países, entre eles Estados Unidos, França, Inglaterra, Suíça e Trinidad e Tobago. O reconhecimento coloca o cacau produzido no Acre em uma vitrine internacional e reforça a importância da diversidade da produção amazônica.
Segundo os envolvidos no processo, a conquista tem caráter inédito em dois aspectos. É a primeira vez que uma seleção do HCP está relacionada a uma fábrica brasileira e também a primeira ocasião em que o reconhecimento é atribuído a uma comunidade produtora, e não exclusivamente a uma propriedade rural.
Para Luisa Abram, a distinção ajuda a evidenciar a identidade do cacau amazônico e sua relação com o território onde é produzido. A chocolatier compara o reconhecimento aos mecanismos utilizados para destacar produtos associados a determinadas regiões, como ocorre com as denominações de origem em outros segmentos da agricultura e da gastronomia.
Cinco anos de preparação
A conquista internacional foi resultado de um processo que levou aproximadamente cinco anos. A candidatura exigiu a preparação de documentos em inglês e espanhol, além de um trabalho técnico para reunir as informações necessárias sobre a origem e as características do cacau produzido no Acre.
Para auxiliar na preparação do material, foi contratado o especialista Daniel O’Doherty, do Havaí. A participação no processo também representou custos adicionais para os produtores e para a empresa responsável pelo processamento do chocolate.
Outro desafio está relacionado à logística. Depois de colhido e beneficiado, o cacau precisa percorrer um longo caminho até chegar à fábrica da Luisa Abram, em São Paulo.
A empresa trabalha com pagamento antecipado aos produtores e acompanha o deslocamento da produção, que envolve trechos realizados por rios e estradas. Conforme as condições de transporte, o percurso entre a região produtora no Acre e São Paulo pode levar cerca de um mês.
A cadeia construída em torno do cacau também envolve parceiros que contribuíram para o desenvolvimento do trabalho. Entre eles estão integrantes da ONG SOS Mata Atlântica, que participaram da articulação relacionada à valorização da produção.
Além do trabalho com os produtores amazônicos, a Luisa Abram Chocolates participa do Brasil Sweet and Snacks, programa criado em 1998 pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A iniciativa busca ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional. Nesse contexto, o reconhecimento obtido pelo cacau acreano contribui para dar maior visibilidade a uma produção que une agricultura familiar, conservação da floresta e valorização da origem amazônica.
Fonte: ac24Agro
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Redação Ecos da Notícia.

