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Petrobras inicia operação de centro tecnológico de R$ 300 milhões para pesquisas sobre o pré-sal em Minas Gerais
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 07/10/2026 às 16:53
Atualizado em 07/10/2026 às 16:57
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Instalação na Unifei permite realizar testes com altas pressões, temperaturas e concentrações de CO₂ e apoiará o desenvolvimento de tecnologias para operações submarinas
Segundo informações divulgadas pela Agência Petrobras em 3 de julho de 2026, começaram as operações do Centro Tecnológico para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), instalado na Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais. Viabilizada por R$ 300 milhões em investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras e dos parceiros do Consórcio de Libra, a estrutura permite reproduzir condições encontradas no pré-sal, como altas pressões, altas temperaturas e elevado teor de CO₂, para testar tecnologias antes de sua aplicação no ambiente submarino.
Centro tecnológico começa a operar em Itajubá
O novo centro funciona dentro da Universidade Federal de Itajubá. Segundo a Petrobras, trata-se de uma planta de processo em escala semi-industrial e uma das instalações mais modernas do mundo em sua categoria.
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Além disso, a companhia afirma que o CTPB é único por conseguir reproduzir condições operacionais específicas do pré-sal brasileiro. Essa capacidade permite aproximar os ensaios tecnológicos do ambiente encontrado nos campos offshore.
O investimento de R$ 300 milhões veio da Petrobras e dos parceiros do Consórcio de Libra. Participam do consórcio Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC e CNOOC.
A estrutura amplia a capacidade brasileira de realizar testes complexos dentro do próprio país. Dessa forma, pesquisadores e engenheiros poderão avaliar equipamentos e soluções destinados ao pré-sal em condições próximas das encontradas em campo.
A abertura ocorre enquanto as perspectivas econômicas para essa região continuam elevadas. A Roberta Souza mostrou no CPG que o pré-sal brasileiro pode atrair US$ 150 bilhões em investimentos e alcançar produção de 5,2 milhões de barris por dia até 2032, conforme projeção apresentada pelo diretor-geral da ANP durante a ROG.e 2026.
Centro permitirá simular condições encontradas no pré-sal
Produzir petróleo em águas profundas exige equipamentos capazes de enfrentar condições severas. Por isso, testar novas soluções antes da instalação definitiva ajuda a reduzir incertezas técnicas durante o desenvolvimento dos projetos.
No caso do CTPB, os pesquisadores poderão reproduzir simultaneamente fatores como pressão, temperatura e presença elevada de dióxido de carbono.
Consequentemente, a infraestrutura permitirá observar como equipamentos e tecnologias se comportam diante de condições semelhantes às encontradas nos reservatórios.
Esse tipo de validação ganha importância porque uma falha no ambiente submarino pode exigir intervenções complexas. Além disso, operações em águas profundas dependem de embarcações, equipamentos especializados e planejamento logístico.
HISEP será uma das tecnologias avaliadas no centro
Uma das principais funções do CTPB será apoiar o desenvolvimento do HISEP, sigla para Sistema de Separação Submarina de Alta Pressão.
A Petrobras desenvolveu a tecnologia para realizar parte do processamento dos fluidos ainda no fundo do mar. A solução separa o gás rico em CO₂ antes que ele siga até a unidade de produção na superfície.
Depois da separação submarina, esse gás pode ser reinjetado no reservatório. Dessa maneira, a tecnologia busca aumentar a eficiência operacional e contribuir para uma produção com menor intensidade de carbono.
O HISEP também pode liberar capacidade de processamento na plataforma. Afinal, parte do gás deixa de percorrer todo o caminho até a unidade de superfície para depois passar pelos processos de separação e reinjeção.
A tecnologia busca responder a desafios que ganham relevância à medida que a indústria avança sobre reservatórios mais complexos.
Testes das bombas estavam previstos para o segundo semestre de 2026
O desenvolvimento do HISEP já passou por etapas importantes. Em 2023, a Petrobras testou com sucesso a primeira bomba de fase densa com arquitetura submarina fabricada e testada no Brasil.
O trabalho recebeu reconhecimento da própria indústria. O projeto conquistou o Prêmio de Inovação Tecnológica da ANP na categoria de sistemas submarinos.
Agora, o CTPB assume papel relevante na próxima etapa. Segundo a Petrobras, os testes finais de qualificação das bombas estavam previstos para o segundo semestre de 2026.
Assim, a instalação de Itajubá passa a integrar diretamente o desenvolvimento de uma tecnologia destinada às operações do pré-sal.
CO₂ pode ser separado no fundo do mar e reinjetado no reservatório
Um dos diferenciais do HISEP está no tratamento do gás com alta concentração de CO₂. Em vez de levar todo esse fluxo até a plataforma, a proposta prevê realizar a separação em ambiente submarino.
Posteriormente, o gás rico em CO₂ pode ser reinjetado no próprio reservatório. Com isso, a Petrobras busca combinar eficiência operacional, aumento da produção e redução das emissões associadas ao processamento.
A estratégia de reinjeção também aparece em novos projetos da companhia. A Roberta Souza mostrou no CPG que as plataformas P-80 e P-82 incorporam tecnologias de captura e reinjeção de carbono e recuperação de energia. As duas unidades poderão acrescentar, juntas, até 450 mil barris diários à capacidade instalada de Búzios quando entrarem em produção.
No entanto, é importante diferenciar os projetos. O HISEP pretende realizar a separação ainda no fundo do mar, característica central da tecnologia desenvolvida pela Petrobras.
Universidade ganha estrutura voltada à pesquisa aplicada
O impacto do centro também alcança a pesquisa acadêmica. Instalado na Unifei, o CTPB aproxima pesquisadores, estudantes e profissionais da indústria de uma infraestrutura voltada a problemas reais do setor de petróleo e gás.
Para a universidade, isso abre espaço para ampliar a pesquisa aplicada e a formação de engenheiros e pesquisadores especializados em tecnologias para águas profundas.
A cerimônia que marcou o início das operações reuniu cerca de 80 participantes. Estavam presentes gestores da Petrobras, representantes do Consórcio de Libra, fornecedores, membros da ANP e representantes do poder público federal.
Portanto, o projeto também cria uma conexão entre universidade, indústria, fornecedores e órgãos reguladores.
Pré-sal amplia participação na produção brasileira
O investimento tecnológico ocorre enquanto o pré-sal amplia seu peso na produção brasileira. A Roberta Souza mostrou no CPG que os contratos de partilha produziram 1,84 milhão de barris de petróleo por dia em julho de 2026.
Somente a parcela pertencente à União alcançou 328 mil barris por dia naquele período, considerando contratos de partilha e acordos de individualização.
Ao mesmo tempo, novos projetos aumentam a capacidade instalada. Dessa forma, soluções que elevem eficiência e permitam lidar melhor com fluidos ricos em CO₂ podem ganhar importância conforme a produção avança.
Novos FPSOs ampliam infraestrutura no pré-sal
O desenvolvimento tecnológico ocorre paralelamente à expansão física das operações. Novas plataformas estão sendo preparadas para aumentar a produção em campos da Bacia de Santos.
Entre elas aparecem as P-80 e P-82. Cada FPSO possui capacidade para produzir 225 mil barris de petróleo por dia e processar até 12 milhões de metros cúbicos de gás diariamente.
Portanto, juntas, as duas unidades poderão adicionar até 450 mil barris por dia à capacidade instalada do campo de Búzios quando iniciarem suas operações.
Essa expansão ajuda a explicar por que tecnologias de processamento submarino recebem atenção. Quanto maiores e mais complexas se tornam as operações, maior é a necessidade de encontrar formas de otimizar equipamentos, processamento e gerenciamento dos fluidos produzidos.
Investimento amplia capacidade tecnológica no Brasil
O CTPB também possui uma dimensão estratégica para a engenharia nacional. A Petrobras destaca que a instalação permite desenvolver conhecimento e realizar testes de tecnologias avançadas em território brasileiro.
Segundo a companhia, a capacidade de simular condições reais dos campos do pré-sal representa um avanço para a geração de conhecimento e desenvolvimento tecnológico no país.
Além disso, o centro reúne uma grande operadora, parceiros internacionais e uma universidade federal. Essa estrutura cria condições para transformar desafios operacionais em projetos de pesquisa aplicada.
Com R$ 300 milhões investidos em Pesquisa e Desenvolvimento, o CTPB amplia a infraestrutura disponível no Brasil para testar soluções destinadas ao pré-sal. A instalação em Itajubá permitirá que pesquisadores e engenheiros avaliem tecnologias em condições semelhantes às encontradas nos reservatórios antes de sua aplicação em operações offshore.
Fonte
Petrobras
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

