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Primeiro caça Gripen E fabricado no Brasil faz voo inaugural em Gavião Peixoto (SP) e abre a fila de outros 14 que a Embraer ainda vai montar para a FAB
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 07/10/2026 às 16:31
Ciência e Tecnologia
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O primeiro Gripen E produzido no Brasil decolou em 6 de outubro no aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP), no primeiro teste de aceitação de produção. É o primeiro de 15 caças previstos no país no contrato atual e seguirá para a Força Aérea Brasileira em Anápolis (GO) depois da certificação.
O primeiro caça Gripen E fabricado fora da Suécia fez o voo inaugural na terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 10h21, no aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O anúncio saiu no dia seguinte em comunicado da Saab, a fabricante sueca do avião, e em nota da própria Embraer.
No comando estava Jakob Högberg, piloto-chefe de testes da Saab. O voo serviu para verificar os sistemas básicos e o desempenho inicial do avião, e foi o primeiro teste de aceitação de produção. Com ele, começa a fase final da fabricação do caça na Embraer.
Como foi o voo de 6 de outubro em Gavião Peixoto
Os engenheiros de voo da Embraer planejaram e executaram o ensaio, com apoio da Saab. A empresa sueca trata essa divisão de tarefas como um marco do plano de transferência de tecnologia do programa, porque coloca a equipe brasileira à frente do teste.
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Para Marcus Wandt, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab, o voo mostra que a produção do Gripen no Brasil atingiu “um novo nível de maturidade”. Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, falou em “marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país”.
O Gripen E que voou leva o número 4109 na cauda, visível nas fotos divulgadas pela Saab. Ele tinha sido apresentado em 25 de março, numa cerimônia em Gavião Peixoto. Estavam lá o presidente Lula, o ministro da Defesa, José Múcio, e o comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno.
Quantos caças Gripen ainda serão fabricados no Brasil?
O avião que voou é o primeiro de 15 caças Gripen E que a Embraer vai montar em Gavião Peixoto dentro do contrato atual. A reportagem do g1 sobre o voo traz o mesmo total para a Força Aérea Brasileira.
Tirando o avião que já voou, a linha paulista ainda tem 14 caças pela frente. A conta bate com a nota da Embraer de março, que falava em “outros 14 caças previstos no contrato atual” seguindo o mesmo modelo de produção.
Há também uma porta aberta para mais encomendas. Em 21 de julho, na feira de Farnborough, Saab e Embraer assinaram um protocolo de intenções (HoA, na sigla em inglês) para a produção potencial de mais 20 Gripen em Gavião Peixoto. Os aviões seriam voltados ao mercado brasileiro e ao internacional, e as empresas pretendem fechar o acordo ainda em 2026.
Se esse protocolo virar contrato, a fábrica paulista chegaria a 35 caças, somando os 15 atuais e os 20 novos. Por enquanto, trata-se de uma intenção assinada, não de uma encomenda firme.
A conta dos 36 caças da Força Aérea Brasileira
O contrato do Gripen com a Força Aérea Brasileira, assinado em 2014, prevê 36 aeronaves. São 28 do modelo Gripen E, de um lugar, e oito do modelo F, de dois lugares.
As entregas começaram em 2020 e, até agora, 10 caças chegaram à FAB, de acordo com a Embraer. Ainda faltam 26 aviões para completar a encomenda.
Dos 36 caças, 15 saem de Gavião Peixoto, o que dá cerca de 42% da encomenda feita no Brasil. A conta é simples: 15 dividido por 36. Os demais são produzidos na linha da Saab em Linköping, na Suécia.
Quantos empregos o programa Gripen gera no Brasil?
A Força Aérea Brasileira apresentou números de emprego ligados ao programa na cerimônia de março. Segundo a FAB, citada pelo g1, são “mais de 2 mil empregos diretos na frente de produção e 10 mil postos de trabalho”. A mesma fonte fala em mais de 300 engenheiros brasileiros envolvidos no projeto e em treinamentos na Suécia.
Uma parte do trabalho fica longe de Gavião Peixoto. Na unidade da Saab em São Bernardo do Campo (SP), cerca de 110 pessoas trabalham em aeroestruturas, segundo Peter Dölling, presidente da Saab Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea em outubro de 2025.
A fábrica do ABC produz o cone de cauda, os freios aerodinâmicos e as fuselagens dianteira e traseira usadas pela Embraer. Com a segunda linha de fuselagem traseira, São Bernardo dobrou a capacidade e chegou a até 16 unidades por ano. É dali que saem as peças grandes que viram avião em Gavião Peixoto.
O que a transferência de tecnologia já trouxe para a indústria nacional
A transferência de tecnologia é a parte do contrato que mais pesa para a indústria. Pelos dados da Saab, mais de 350 especialistas brasileiros foram treinados, principalmente em Linköping, em mais de 600 mil horas de capacitação e 62 projetos.
Participam a Embraer, a AEL Sistemas, a Akaer, a Atech, subsidiárias da Saab e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A AEL, de Porto Alegre, virou fornecedora em 2018. Hoje ela exporta os displays da cabine para todos os pedidos do Gripen E e do Gripen F.
Engenheiros brasileiros também projetaram as modificações que deram origem ao Gripen F de dois lugares. A Saab afirma que essa equipe permite desenvolver, produzir e manter o caça no país “nos próximos 30 a 40 anos”. É por isso que o voo de Gavião Peixoto é tratado como prova de que a transferência de tecnologia saiu do papel.
Para onde vai o caça depois dos testes de aceitação
O voo de 6 de outubro abriu a campanha de aceitação do avião. Quando ela terminar, o caça será certificado e entregue à Força Aérea Brasileira, que vai levá-lo para a Base Aérea de Anápolis (GO).
Lá fica o 1º Grupo de Defesa Aérea, que hoje opera 10 Gripen. Desde fevereiro de 2026, esses caças cumprem o alerta de defesa aérea na base, o turno de prontidão para interceptar aeronaves suspeitas.
A Embraer mantém em Gavião Peixoto a única linha de caças supersônicos da América do Sul, e a única do Gripen fora da Suécia. Cada Gripen E que sair de lá a partir de agora mostra se a transferência de tecnologia virou produção em série de verdade.
Para você, o Brasil deveria usar a fábrica de Gavião Peixoto para vender o Gripen a outros países? Conte nos comentários o que acha da produção do caça no interior paulista.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

