Faça um comentário
5 min de leitura
200 mil m³ por dia de biometano ainda sem dono: Gasmig abre nova chamada, mira postos em 4 rodovias de Minas e exige caminhão a gás no transporte
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/10/2026 às 14:39
Atualizado em 08/10/2026 às 14:40
Biocombustíveis Renováveis
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A Gasmig quer contratos de até dez anos com usinas de Minas e recebe propostas até 23 de outubro. Na rodada de maio, fechou só um quinto do volume que planeja.
Faltam 200 mil metros cúbicos de biometano por dia para a Gasmig chegar ao volume que ela própria planeja comprar. Para fechar esse buraco, a distribuidora abriu nesta quarta-feira (8) uma nova chamada pública de biometano, anunciada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG).
A conta parte de dois números públicos. A meta da Gasmig é ter 250 mil m³ por dia contratados. O único contrato fechado até agora, com a GeoMit, cobre 50 mil m³ por dia.
Sobram 200 mil m³ diários, ou 80% do plano, sem fornecedor. Em um ano, o volume que falta soma cerca de 73 milhões de metros cúbicos (200 mil vezes 365 dias).
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Esse gás renovável pode ir para indústria, rede urbana e postos de estrada para caminhões a gás. É aí que entra o motorista.
Quem pode vender na nova chamada pública de biometano da Gasmig?
Segundo o comunicado da Gasmig, esta é a 5ª Chamada Pública de 2026. Só entra o biometano em Minas produzido por usinas do próprio estado.
O fornecimento tem de ser firme e contínuo, sem sazonalidade. Os contratos podem durar até dez anos.
A usina precisa cumprir a qualidade exigida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Também precisa ter autorização de produção antes da primeira entrega.
A chamada pública de biometano tem três formas de entrega. Uma é levar o gás a até 20 quilômetros da rede de dutos da Gasmig. Outra é entregar num raio de até 20 quilômetros de Montes Claros.
Onde ficam os novos postos de biometano previstos nas rodovias de Minas Gerais?
A terceira forma é a dos corredores rodoviários. O produtor pode oferecer gás a até 20 quilômetros de novos postos que a Gasmig poderá abrir em trechos de estrada sem atendimento hoje.
Os corredores rodoviários somam quatro trechos de rodovia federal. A BR-040 vai de Belo Horizonte a Paracatu. A BR-050 liga Uberaba a Araguari.
A BR-262 sai de Belo Horizonte rumo a Uberaba. A BR-135 vai de Belo Horizonte a Montalvânia, no Norte do estado.
Esses corredores rodoviários cobrem a saída para Brasília, o Triângulo Mineiro e o Norte de Minas. São caminhos de carga pesada que hoje rodam quase só no diesel.
Quando o biometano viajar de caminhão, o edital exige caminhões a gás. A regra vale para o trajeto até a rede na Grande BH, no Sul de Minas e em Montes Claros. Vale também para o trajeto até os novos postos.
Na prática, o frete do biometano em Minas não pode rodar a diesel. A regra já cria demanda por caminhões a gás nas estradas mineiras.
Para quem paga frete, a lógica é simples: sem posto no caminho, nenhuma transportadora compra caminhões a gás. A Gasmig já montou corredores de GNV ligando Minas ao Rio, a São Paulo, ao Espírito Santo e à Bahia.
A promessa era um posto a cada 400 km, segundo texto da própria companhia de 2024. Os quatro corredores rodoviários da nova chamada são justamente os trechos que ficaram fora daquela malha. No país, cresce o debate sobre o gás que pode trocar o diesel nas estradas.
Quanto biometano a Gasmig ainda precisa contratar até chegar à meta?
A rodada anterior mostra o tamanho do desafio. Em maio, a empresa lançou o que chamou de maior chamada pública de biometano da sua história, segundo o comunicado da Gasmig. O alvo era contratar até 250 mil m³ por dia no Triângulo Mineiro.
Vieram 27 propostas de 11 empresas, de acordo com o g1 Triângulo. Venceu a GeoMit, sociedade da Mitsui Gás e Energia do Brasil com a Geo Bio Gas&Carbon.
A usina da GeoMit fica em Uberaba e vai usar resíduos da cana. Ela vai produzir 50 mil m³ por dia, com operação comercial prevista para maio de 2028.
O projeto, com cerca de 400 quilômetros de gasodutos, soma investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão, segundo o g1. O mesmo g1 registrou que esse volume é cerca de 20% da demanda projetada pela distribuidora.
A conta confere: 50 mil dividido por 250 mil dá 20%. O biometano em Minas, portanto, ainda depende de novas usinas saírem do papel.
Gustavo De Marchi, presidente da Gasmig, disse em julho ao podcast gas week que a empresa quer contratar até 250 mil m³ por dia em ondas. O relato é da eixos. A chamada pública de biometano aberta agora é mais uma dessas ondas.
O que muda para quem roda nas estradas de Minas?
Há uma regra de preço que pesa no bolso do produtor. Cada proposta traz o valor do gás com e sem o atributo verde, e o atributo verde tem preço próprio, porque pode ser vendido à parte. O fornecedor pode oferecer desconto ligado a essa venda.
A Gasmig vai pesar capacidade de entrega no prazo, preço e localização da planta. A empresa avisa que participar não a obriga a contratar ninguém.
As interessadas fazem habilitação prévia pelo regulamento de compra de gás da Gasmig e pela Resolução Sede nº 34/2023. A proposta vai até 23 de outubro pelo e-mail [email protected].
Para caminhoneiro e transportadora, o recado é de médio prazo. Os postos dos corredores rodoviários ainda são possibilidade, não obra contratada. Eles só fazem sentido com biometano em Minas chegando perto deles.
Se a chamada pública de biometano atrair usinas nesses trechos, haverá gás e motivo para abrir as bombas. Se não atrair, o mapa dos caminhões a gás em Minas continua com os mesmos buracos. E o biometano em Minas segue concentrado no Triângulo.
Tags
Gasmig
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

