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Usina solar no Ceará adota fibra óptica e inteligência artificial para proteger mais de 40 quilômetros contra invasões e furtos
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 08/10/2026 às 17:41
Energia Renovável
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Usina solar em Bom Jardim, no Ceará, passou a usar fibra óptica como sensor para identificar invasões e direcionar automaticamente câmeras ao local da ocorrência.
Um complexo de energia solar no Ceará passou a utilizar cabos de fibra óptica como sensores para identificar possíveis invasões em uma área protegida de mais de 40 quilômetros de extensão. A tecnologia analisa vibrações registradas ao longo do cercamento e, quando identifica um evento suspeito, envia sua localização a um sistema de videomonitoramento. Câmeras móveis são direcionadas automaticamente ao trecho indicado, enquanto alertas sonoros podem ser acionados para afastar invasores.
O projeto foi desenvolvido com tecnologia da ASENSE Defesa Perimetral e serviços de engenharia e integração executados pela Avantia – Tecnologia e Segurança. Segundo informações publicadas pelo portal Cenário Energia em 5 de outubro de 2026, a solução foi implantada em um complexo fotovoltaico identificado como Bom Jardim, formado por diferentes unidades geradoras e instalado em uma região com condições ambientais que dificultam o monitoramento convencional.
Inteligência artificial analisa vibrações para identificar possíveis invasões na usina solar
Uma das dificuldades enfrentadas na proteção de grandes instalações fotovoltaicas está na quantidade de interferências que podem ocorrer ao redor das cercas. No complexo cearense, temperaturas elevadas, poeira, irregularidades do terreno e circulação de animais silvestres fazem parte das condições encontradas pelas equipes de segurança.
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A movimentação da vegetação e as mudanças climáticas também podem provocar vibrações semelhantes às registradas durante uma tentativa de invasão. Para lidar com essas situações, a solução utiliza algoritmos que analisam os sinais captados pela fibra óptica e procuram distinguir ocorrências suspeitas das interferências naturais do ambiente.
O sistema foi desenvolvido para reconhecer padrões associados a ações como cortes ou escaladas do cercamento. Quando uma perturbação é classificada como possível ameaça, os dados são enviados à estrutura responsável pelo acompanhamento das imagens.
A tecnologia não dispensa a avaliação dos operadores. A classificação automatizada orienta o monitoramento, enquanto a equipe de segurança utiliza as imagens para verificar o que está acontecendo no local indicado.
Câmeras PTZ e alertas sonoros integram sistema de proteção
A estrutura implantada combina sensoriamento óptico, videomonitoramento e equipamentos de resposta. Dessa forma, a identificação de uma vibração suspeita pode desencadear diferentes procedimentos sem depender de uma busca manual por toda a extensão protegida.
Segundo a reportagem do Cenário Energia, o funcionamento do sistema envolve as seguintes etapas:
- Captação de vibrações: a fibra óptica registra perturbações físicas ao longo do cercamento;
- Classificação dos sinais: algoritmos analisam os eventos para identificar possíveis tentativas de invasão;
- Indicação da localização: o sistema encaminha a posição estimada da ocorrência à plataforma de gerenciamento de vídeo;
- Movimentação das câmeras PTZ: os equipamentos são direcionados automaticamente para o trecho monitorado;
- Acionamento de cornetas IP: alertas sonoros são utilizados como medida de dissuasão;
- Verificação pelo SOC: o Centro de Operações de Segurança recebe as informações e acompanha as imagens para orientar a resposta.
A integração dessas etapas busca diminuir o intervalo entre a identificação de um possível incidente e a atuação da equipe responsável.
Fibra óptica dispensa componentes eletrônicos distribuídos pelo perímetro
Outro aspecto da instalação é o uso de uma arquitetura de sensoriamento passivo. Nesse modelo, os cabos ópticos instalados ao longo do cercamento não precisam de alimentação elétrica individual para registrar as perturbações físicas.
A configuração evita a necessidade de distribuir componentes eletrônicos por toda a extensão monitorada e reduz a quantidade de equipamentos instalados diretamente no campo.
O sistema óptico também apresenta menor suscetibilidade a interferências eletromagnéticas. Essa característica, porém, não elimina a necessidade de medidas de proteção contra descargas atmosféricas nas demais estruturas e nos equipamentos que integram a instalação.
De acordo com o diretor comercial para Área Privada da Avantia, Mário Tranche, a proteção de empreendimentos com grandes extensões não depende apenas da quantidade de dispositivos instalados.
Em declaração publicada pelo Cenário Energia, o executivo destacou a necessidade de considerar os riscos presentes no local, as interferências do ambiente e a integração entre diferentes tecnologias para fornecer informações úteis às equipes de segurança.
A solução também busca simplificar as intervenções de manutenção ao concentrar parte do sensoriamento no cabeamento óptico. Embora a tecnologia seja apresentada como resistente às condições ambientais, não foram divulgados ensaios independentes que comprovem uma vida útil específica para a instalação.
Algoritmos foram adaptados para estruturas associadas a linhas de alta tensão
O desenvolvimento do sistema também exigiu adaptações para trechos em que a fibra óptica acompanha estruturas relacionadas a cabos OPGW, utilizados em linhas de transmissão de energia elétrica.
A ASENSE desenvolveu algoritmos específicos para essas condições, considerando as características dos sinais captados e as interferências existentes nesse tipo de infraestrutura.
A solução integra o projeto de proteção de mais de 40 quilômetros divulgado pelas empresas. Entretanto, a extensão informada não permite determinar, isoladamente, o comprimento exato de cada trecho de fibra instalado ou comprovar índices específicos de desempenho.
O CEO da ASENSE Defesa Perimetral, Hamilton Luiz, relacionou a utilização da tecnologia à necessidade de manter a continuidade das operações em instalações energéticas.
Segundo o executivo, ocorrências envolvendo equipamentos de geração podem exigir deslocamento de profissionais, substituição de componentes e interrupções de atividades. Por isso, ele considera importante que a segurança consiga identificar possíveis incidentes rapidamente e indicar onde a equipe deverá atuar.
Proteção busca reduzir riscos para equipamentos da geração solar
O complexo fotovoltaico reúne diferentes equipamentos que precisam permanecer protegidos para garantir a continuidade das atividades. Entre eles estão inversores, transformadores, módulos solares e cabos de cobre, estruturas que podem ser afetadas por invasões e furtos.
A instalação do sistema de sensoriamento procura ampliar a capacidade de monitoramento dessas áreas, permitindo que a equipe acompanhe ocorrências suspeitas a partir das informações geradas pela fibra óptica e pelas câmeras.
A identificação mais rápida de possíveis invasões é apresentada pelas empresas como uma maneira de reduzir a exposição dos ativos a incidentes. Os resultados efetivos, contudo, dependerão das condições de funcionamento do sistema e dos procedimentos adotados pela equipe de segurança.
Fonte
Cenário Energia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

