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Mais de 50 blocos na Bacia de Pelotas viram o próximo alvo do governo depois do leilão recorde de R$ 3 bilhões, mas a oferta ainda depende do aval do Meio Ambiente
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/10/2026 às 11:12
Atualizado em 09/10/2026 às 11:13
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O Ministério de Minas e Energia quer levar mais de 50 blocos da Bacia de Pelotas, no litoral do Sul, para a Oferta Permanente da ANP. Mostramos o caminho até o leilão, quem pode disputar e a comparação com a rodada de 2023.
A Bacia de Pelotas é o “próximo passo” do governo para a Oferta Permanente de petróleo. A frase é do secretário executivo de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, dita na quarta-feira (7) e registrada pela Agência iNFRA.
Dutra contou que o MME e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) discutem uma manifestação conjunta para os “próximos meses”. O papel liberaria mais de 50 blocos em Pelotas para análise da ANP.
A fala veio no mesmo dia em que a ANP fechou o ciclo mais caro da história da Oferta Permanente. Nenhum bloco da Bacia de Pelotas estava na mesa.
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Quanto rendeu o leilão de 7 de outubro?
O 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão terminou com 49 blocos arrematados e R$ 3.005.659.796,14 em bônus, de acordo com o comunicado da ANP. É o maior valor desde que o modelo começou.
Os blocos ficam nas bacias Potiguar, Tacutu, Recôncavo, Parnaíba, Tucano Sul, Campos e Ceará. Dez empresas fizeram ofertas e nove levaram área.
O ágio médio chegou a 3.511,27%. Na prática, as petroleiras pagaram, em média, mais de 36 vezes o lance mínimo do edital.
De manhã, o leilão do pré-sal teve sete dos 13 blocos arrematados, no regime de partilha. A assinatura dos contratos de concessão está prevista para até 26 de fevereiro de 2027.
Por que a Bacia de Pelotas depende do Meio Ambiente?
Pelo desenho que Dutra descreveu à Agência iNFRA, a ordem é esta: primeiro o aval conjunto dos dois ministérios, depois a análise técnica da ANP. Sem a assinatura do Meio Ambiente, os blocos não andam.
Na Bacia de Pelotas, a história ambiental tem um tropeço: em 2019, o Ibama arquivou o licenciamento de um poço da Petrobras no bloco BM-P-2, depois de 14 anos de processo.
O motivo, segundo os pareceres técnicos citados pela eixos: a estatal subestimou o pior caso de vazamento de óleo. A bacia encosta no Uruguai, e uma mancha poderia cruzar a fronteira.
Na mesma fala, Dutra citou outra prioridade da pasta, o fracking, que volta a julgamento no Superior Tribunal de Justiça no dia 14 de outubro. São duas frentes diferentes, e só a de Pelotas mexe com o mapa do leilão.
Quando os blocos de Pelotas podem ir a leilão?
O leilão da Bacia de Pelotas ainda não tem data. A conta mínima, porém, já dá para fazer com as regras da própria ANP.
Primeiro vem a manifestação conjunta MME e MMA, prometida para os próximos meses. Depois, a ANP analisa e inclui os blocos no edital da Oferta Permanente.
Aí entra o relógio do edital. A página da Oferta Permanente de Concessão fixa de 120 a 180 dias entre a publicação no Diário Oficial da primeira declaração de interesse e a sessão de ofertas.
Ou seja: mesmo que tudo ande rápido, são pelo menos quatro meses só nessa última etapa. O leilão de 7 de outubro mostra que o rito funciona, mas não pula fila.
Quem pode disputar os blocos?
Qualquer empresa que tenha a inscrição aprovada pela Comissão Especial de Licitação da ANP e mantenha os documentos em dia. É ela quem vira “licitante”.
Para a Bacia de Pelotas, a lógica será a mesma. O ciclo só abre quando uma licitante inscrita apresenta uma declaração de interesse com garantia de oferta. Na prática, é a própria indústria que puxa o gatilho do leilão.
A regra de fundo é a Resolução CNPE nº 17/2017, que criou a Oferta Permanente e autorizou a ANP a licitar blocos em bacias terrestres e marítimas, exceto pré-sal e áreas estratégicas, como explica a página da ANP sobre o modelo.
O que aconteceu na última vez que Pelotas foi a leilão?
Em 13 de dezembro de 2023, no 4º ciclo da Oferta Permanente, saíram 44 blocos da Bacia de Pelotas, segundo a cobertura da eixos. Até então, não havia nenhuma concessão marítima ativa na bacia.
A Petrobras ficou como operadora de 29 áreas: 26 em consórcio com a Shell e três com Shell e CNOOC. A Chevron levou outros 15 blocos sozinha.
Na Bacia de Pelotas, houve disputa em 11 blocos. O bônus somou R$ 298,7 milhões, e o investimento mínimo previsto ficou em R$ 1,56 bilhão.
A conta é simples: bônus dividido pelo número de blocos. As áreas são diferentes, então a tabela mede o apetite do mercado em cada leilão, não o valor que Pelotas vai alcançar.
O que muda se a nova leva sair inteira?
Se os mais de 50 blocos chegarem ao leilão e todos forem arrematados, a Bacia de Pelotas passaria de 44 para mais de 94 blocos licitados desde 2023, mais que o dobro.
Isso, claro, depende de interesse real das petroleiras. Em 2023, o interesse na fronteira voltou depois de descobertas na Namíbia, do outro lado do Atlântico, em bacias com geologia parecida com a do Sul do Brasil, como lembrou a eixos na cobertura daquele leilão.
Para o Rio Grande do Sul, a conta de curto prazo é de pesquisa sísmica e poços exploratórios, não de royalties. A mesma reportagem da eixos estimava produção em 10 a 15 anos, caso haja descoberta.
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ANP
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

