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Rio Grande do Norte pode gerar até 10 vezes mais energia do que consome e aposta em data centers, baterias BESS e infraestrutura elétrica para atrair novos investimentos
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 10/10/2026 às 00:06
Atualizado em 10/10/2026 às 00:20
Energia Renovável
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Com restrições na rede elétrica e parte da produção renovável sem aproveitamento, estado busca atrair grandes consumidores, ampliar o armazenamento energético e transformar sua capacidade de geração em oportunidades para a indústria
O Rio Grande do Norte tem capacidade de gerar até dez vezes mais energia do que consome, segundo a Federação das Indústrias do Estado (FIERN). Essa vantagem coloca o estado na disputa por investimentos em data centers, infraestrutura digital e indústrias que demandam grandes volumes de eletricidade.
Apesar desse potencial, parte da geração renovável enfrenta restrições de escoamento na rede elétrica. O desafio agora é aproximar a produção dos grandes consumidores e desenvolver soluções de armazenamento de energia em baterias BESS.
O assunto será discutido em Natal durante dois eventos promovidos pelo Grupo FRG Mídias & Eventos. O Energy Storage Brasil ocorrerá nos dias 21 e 22 de outubro de 2026, enquanto o Data Center Conference 2026 será realizado no dia 23.
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Abundância de energia renovável pode impulsionar a instalação de grandes centros de processamento de dados
O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, considera que a capacidade de geração energética já representa uma vantagem competitiva para o Rio Grande do Norte. Entretanto, o estado precisa transformar essa disponibilidade em consumo efetivo, criando condições para receber novos empreendimentos.
Entre os principais interessados estão os data centers, instalações que exigem fornecimento contínuo de eletricidade para manter servidores e equipamentos em funcionamento. A proximidade das estruturas de comunicação que chegam pelo Nordeste também favorece o estado, segundo Serquiz.
O dirigente avalia que o Rio Grande do Norte reúne condições para disputar esses investimentos no mercado brasileiro. Contudo, ressalta a importância de ampliar a segurança jurídica e avançar na regulamentação necessária à instalação dos empreendimentos.
A chegada desses grandes consumidores poderia aumentar a demanda local por eletricidade e estimular novas atividades econômicas. Para isso, será necessário alinhar os projetos industriais à infraestrutura energética disponível.
Cortes na geração de eletricidade expõem desafio da rede e ampliam interesse por sistemas de armazenamento
Embora tenha elevada capacidade de geração renovável, o Rio Grande do Norte enfrenta o chamado curtailment, fenômeno associado às restrições operacionais que impedem o aproveitamento integral da produção de eletricidade.
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), Roberto Wagner, explica que existe um descompasso entre geração e consumo. Dessa forma, parte da capacidade energética disponível encontra limitações para chegar aos consumidores.
Uma das alternativas envolve os sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems). Essas estruturas armazenam eletricidade em baterias durante períodos de maior disponibilidade e podem fornecê-la quando a demanda aumenta.
A instalação de data centers também pode contribuir para ampliar o consumo de energia no estado. No entanto, Wagner destaca que esses projetos exigem planejamento da transmissão, subtransmissão, subestações e pontos de conexão.
O avanço dessas tecnologias também cria oportunidades para profissionais especializados em sistemas elétricos, automação, proteção, gerenciamento térmico e prevenção de incêndios.
Segundo o presidente do Crea-RN, será necessário ampliar a qualificação de engenheiros e técnicos. O objetivo é permitir que profissionais locais participem das oportunidades geradas pelos novos investimentos.
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Viviane Alves
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Natal receberá dois eventos sobre baterias, inteligência artificial e expansão da infraestrutura digital
A discussão sobre o aproveitamento da energia renovável ganhará espaço na sede da FIERN, em Natal, durante três dias de programação voltada ao setor energético e tecnológico.
Nos dias 21 e 22 de outubro, a sétima edição do Energy Storage Brasil reunirá fabricantes, investidores, desenvolvedores de projetos, especialistas e representantes do poder público.
O encontro abordará tecnologias de armazenamento, incluindo baterias de íon-lítio, sódio, fluxo, estado sólido e ferro-ar. Também haverá discussões sobre hidrogênio, armazenamento térmico, regulamentação e modelos de negócios.
Já no dia 23 de outubro, o Data Center Conference 2026 terá como foco a expansão dos centros de processamento de dados, conectividade e inteligência artificial.
O diretor do Grupo FRG Mídias & Eventos, Tiago Fraga, destaca que a proposta é aproximar os setores de geração energética, armazenamento e infraestrutura digital.
A organização espera receber entre 650 e 1.000 participantes qualificados. A programação pretende aproximar investidores e empresas interessados em aproveitar a disponibilidade energética do Rio Grande do Norte.
Com isso, o estado busca transformar sua capacidade de geração renovável em demanda, investimentos e novas oportunidades econômicas, sem perder de vista as limitações da infraestrutura elétrica existente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

