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Robô submarino capaz de mergulhar a 3.500 metros por 40 horas entra na corrida por mercado de US$ 25 bilhões no setor offshore
Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/10/2026 às 21:07
Atualizado em 14/10/2026 às 21:10
Setor Offshore
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Fincantieri amplia aposta em veículos submarinos autônomos com o ULTRA, equipamento projetado para grandes profundidades e missões prolongadas em inspeções, levantamentos e monitoramento de infraestruturas ligadas ao setor offshore.
A italiana Fincantieri está ampliando sua presença no mercado de segurança e monitoramento de infraestruturas submarinas com uma nova geração de veículos autônomos capazes de operar em grandes profundidades.
Entre os equipamentos desenvolvidos pelo grupo está o ULTRA, um robô submarino de cerca de uma tonelada que pode alcançar 3.500 metros de profundidade e permanecer em missão por aproximadamente 40 horas, dependendo do perfil de operação.
A tecnologia faz parte de uma estratégia que busca levar sistemas autônomos a atividades ligadas ao petróleo e gás offshore, parques eólicos, cabos submarinos e outras estruturas instaladas no fundo do mar.
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Segundo o Upstream, a Fincantieri está se aproximando de operadores de óleo e gás em meio a uma oportunidade relacionada à segurança subsea estimada em US$ 25 bilhões.
O movimento ocorre enquanto empresas do setor energético aumentam a atenção sobre equipamentos localizados abaixo da superfície. Dutos, cabos elétricos, sistemas de comunicação, terminais, estruturas de produção e instalações de energia renovável formam uma rede que precisa ser inspecionada e monitorada ao longo de sua vida operacional.
A própria Fincantieri inclui oleodutos, gasodutos, terminais de regaseificação e estruturas de eólica offshore entre os ativos cuja importância vem ampliando a demanda por monitoramento e proteção submarina.
O grupo também destaca que cerca de 1,5 milhão de quilômetros de cabos de comunicação estão em operação no mundo e sustentam a maior parte do tráfego global de dados.
ULTRA pode operar a 3.500 metros de profundidade
É nesse ambiente que o ULTRA foi desenvolvido. O equipamento pertence à categoria dos AUVs, sigla em inglês para veículo submarino autônomo.
Diferentemente de um ROV tradicional, que normalmente permanece ligado à superfície e é comandado continuamente por operadores, um AUV pode receber uma missão previamente definida e percorrer uma área de forma autônoma utilizando sensores, sistemas de navegação e processamento embarcado.
O ULTRA possui cerca de 6,5 metros de comprimento e massa aproximada de 1.000 quilos fora d’água.
A velocidade máxima chega a seis nós, enquanto a velocidade indicada para trabalhos de levantamento é de aproximadamente três nós. Nessa condição, a autonomia pode alcançar cerca de 40 horas, permitindo percorrer áreas extensas sem a necessidade de recuperação frequente do equipamento.
A capacidade de atingir 3.500 metros de profundidade coloca o veículo em uma faixa de operação compatível com diferentes atividades em águas profundas.
O projeto também considera uma possível evolução capaz de alcançar 6.000 metros, embora essa configuração não seja apresentada atualmente como a versão operacional do equipamento.
Além da profundidade, a proposta envolve a instalação de diferentes conjuntos de sensores conforme a missão.
Segundo informações divulgadas pela Fincantieri, o veículo foi concebido para coletar grandes quantidades de dados e utilizar processamento embarcado, incluindo aplicações baseadas em redes neurais, para apoiar a identificação e análise das informações obtidas durante as missões.
Robô pode inspecionar estruturas usadas no setor offshore
Entre os usos previstos desde o desenvolvimento estão levantamentos hidrográficos e geofísicos, monitoramento ambiental e inspeção de infraestruturas submarinas.
Isso aproxima diretamente a tecnologia do setor offshore, onde uma parcela importante dos ativos permanece instalada no leito marinho e precisa ser acompanhada sem que equipes humanas estejam fisicamente presentes no local.
Em operações de petróleo e gás, por exemplo, o fundo do mar pode concentrar dutos, linhas de fluxo, sistemas de controle, equipamentos de conexão e estruturas responsáveis por levar os fluidos dos poços até as unidades de produção.
Tecnologias autônomas podem ser empregadas em levantamentos e inspeções dessas áreas, dentro de missões planejadas conforme as características do ativo.
Fincantieri investe 600 milhões de euros em expansão submarina
O desenvolvimento do ULTRA também está conectado a uma reorganização maior da Fincantieri.
Em julho de 2026, o grupo anunciou um programa de aquisições envolvendo Next Geosolutions, WSense, Graal Tech e Defcomm, com desembolso inicial de aproximadamente 600 milhões de euros.
O objetivo é integrar levantamento submarino, geociência, robótica, comunicações subaquáticas e serviços offshore em uma mesma estrutura industrial.
A Graal Tech, especializada em veículos submarinos autônomos e remotamente operados, teve participação importante no desenvolvimento do ULTRA.
A empresa trabalhou na estrutura do veículo, superfícies de controle, compartimentos, integração da eletrônica e sensores e também na montagem do primeiro exemplar usado em atividades de desenvolvimento e qualificação.
A Fincantieri adquiriu participação de 51% na companhia dentro de sua expansão no segmento underwater.
Outra peça dessa estratégia é a Next Geosolutions, empresa que já atua em levantamentos marítimos, geociência e suporte a construções offshore, incluindo projetos de energia renovável, petróleo e gás e cabos submarinos.
A Fincantieri pretende integrar essas atividades a veículos autônomos, embarcações especializadas, sistemas de lançamento e recuperação e tecnologias de comunicação subaquática.
Mercado underwater pode chegar a 43 bilhões de euros
A aposta ocorre em um mercado underwater que a própria companhia projeta em forte expansão.
No plano industrial 2026-2030, a Fincantieri estima que seu mercado de referência nesse segmento passe de aproximadamente 22 bilhões de euros para 43 bilhões de euros ao longo do período.
Esse cálculo tem escopo mais amplo que a oportunidade de US$ 25 bilhões relacionada à segurança subsea, pois inclui diferentes tecnologias e aplicações submarinas.
O grupo também prevê que seu segmento Underwater supere 1,1 bilhão de euros em receitas pro forma em 2026, apoiado pelas aquisições e pela expansão para serviços comerciais, defesa e aplicações de uso duplo.
Até 2030, a companhia projeta receitas de aproximadamente 1,8 bilhão de euros para essa divisão.
Testes do ULTRA avançam antes da operação completa
No caso do ULTRA, o desenvolvimento ainda segue um cronograma de amadurecimento tecnológico.
A capacidade operacional inicial foi alcançada em fevereiro de 2026, enquanto a campanha de testes passou a se concentrar em confiabilidade, sensores e navegação.
A capacidade operacional completa foi prevista para o outono europeu de 2026, e a integração das diferentes configurações de missão deve continuar ao longo de 2027.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

