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Quem reservou um Geely EX2 só recebe o carro em dezembro: venda de elétricos cai 18,1% em setembro porque falta navio, e o aluguel de um cargueiro para 6.500 carros saltou para US$ 95 mil por dia
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 19/10/2026 às 00:20
Atualizado em 19/10/2026 às 01:05
Logística e Transporte
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Quem reservou um Geely EX2 entrou numa fila que só anda em dezembro, e o motivo está no mar: a venda de carros elétricos caiu 18,1% em setembro no Brasil porque faltam navios para trazer os modelos da China, e o frete de um cargueiro quase dobrou desde fevereiro
A queda não veio de falta de comprador. Segundo reportagem do UOL Carros publicada em 16 de outubro, o tombo de setembro foi puxado por dois modelos importados que simplesmente não chegaram em quantidade suficiente às lojas.
Os números são da ABVE, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico. Os carros 100% elétricos passaram de 27.166 emplacamentos em agosto para 22.246 em setembro, a primeira queda depois de sete meses seguidos de alta.
No mesmo período, os híbridos cresceram 2,2%. Ou seja, o consumidor continuou procurando carro eletrificado, mas parte dele saiu da concessionária com um contrato de reserva, e não com a chave na mão.
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Dois modelos chineses explicam quase toda a queda de setembro
O Geely EX2 caiu 53,1%, de 5.804 para 2.724 unidades. O BYD Dolphin recuou 38,7%, de 6.740 para 4.132. Os dois são importados da China e dependem do mesmo tipo de navio para chegar aqui.
Somados, os dois modelos tiveram 5.688 emplacamentos a menos. A queda de todo o segmento foi de 4.920 unidades, ou seja, sem eles o mercado de elétricos teria crescido em setembro, conforme o cálculo do UOL Carros.
Os demais elétricos somaram alta de 5,3%. Isso mostra que o problema estava concentrado na oferta de dois carros muito procurados, e não numa mudança de humor do comprador brasileiro.
Geely confirma lista de reservas e entregas a partir de dezembro
Em nota ao UOL Carros, a Geely afirmou que, devido à alta demanda, os pedidos do EX2 em determinadas cores e versões estão sendo atendidos por lista de reservas, seguindo a ordem de chegada.
De acordo com a marca, as entregas desses pedidos estão previstas para começar em dezembro. Para quem fechou negócio em outubro, isso significa passar o fim do ano esperando pelo carro já escolhido.
A fila não é novidade.
Em maio, concessionárias já falavam em esperas de até 90 dias pelo hatch, e em fevereiro os emplacamentos do EX2 também tinham caído justamente pela falta de unidades disponíveis.
Produção no Paraná deve aliviar a espera a partir do fim do ano
A expectativa citada pela reportagem é que a situação melhore a partir de dezembro, quando o EX2 passa a ser produzido em São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Renault, o que reduz a dependência dos navios vindos da China.
O projeto paranaense já vinha sendo acompanhado pelo setor, e os trabalhadores da fábrica no Paraná entram agora na reta que deve colocar o hatch na linha de montagem brasileira.
Até lá, quem quer o modelo depende do ritmo de chegada dos lotes importados. É esse ritmo que ficou mais lento em setembro, e a explicação passa pelo transporte marítimo.
BYD Dolphin também tem fila de cerca de 30 dias nas lojas
A reportagem encontrou espera também para o BYD Dolphin, importado da China, com concessionárias dando prazos de entrega na casa de 30 dias. A montadora atribuiu a situação a uma demanda maior do que o previsto para o Dolphin GS.
“No final do mês chegou mais um lote de carros e a marca espera ver os resultados se normalizarem de outubro para a frente”, disse a BYD ao UOL Carros, sem informar o volume desse novo embarque.
Enquanto isso, o BYD Dolphin Mini, montado em Camaçari (BA), bateu recorde com 9.385 unidades em setembro. Ele não depende do mesmo gargalo marítimo que travou os importados.
Importados caem 28,2% enquanto a produção nacional sobe 15,4%
Os dados da Abeifa, associação das empresas importadoras e fabricantes de veículos, mostram o peso dos navios no abastecimento. Em setembro, os veículos importados das associadas, entre elas a BYD, caíram 28,2%.
No mesmo mês, a produção nacional dessas empresas subiu 15,4%. A diferença entre os dois números ajuda a entender por que o carro feito aqui chegou às lojas e o importado ficou para depois.
Segundo a Canal VE, com base na ABVE, os eletrificados somaram 53.126 emplacamentos em setembro, o equivalente a 19,8% das vendas de veículos leves no país. Os elétricos puros foram 41,9% desse total.
A própria BYD admitiu que faltam navios ro-ro
Os carros cruzam o oceano em navios do tipo ro-ro, que funcionam como garagens flutuantes onde os veículos entram e saem rodando. Em teleconferência com analistas, a BYD disse que a falta desses navios limitou o crescimento das suas exportações.
A informação foi registrada pelo site The Loadstar e citada pelo UOL Carros. A marca já vinha ampliando a frota própria de navios, mas a demanda andou mais rápido que os estaleiros.
China exportou 571 mil elétricos e híbridos plug-in em um só mês
A disputa por espaço nos porões é global. A China exportou 571 mil veículos elétricos e híbridos plug-in em setembro, cinco vezes os 111 mil de setembro de 2024, segundo a associação das montadoras chinesas, a CAAM.
No acumulado do ano, já são 4 milhões de unidades exportadas, alta de 130%. Cada carro desses precisa de uma vaga num navio, e o Brasil divide essa frota com todos os outros mercados compradores.
Olhando assim, dá pra entender por que um hatch vendido em São Paulo depende de uma negociação de frete feita do outro lado do mundo, semanas antes de o cliente assinar a reserva.
Aluguel de um cargueiro para 6.500 carros passou de US$ 50 mil para US$ 95 mil por dia
Por isso, o preço do transporte acompanhou a corrida. Segundo a consultoria Clarksons, afretar um ro-ro com capacidade para cerca de 6.500 carros custa US$ 95 mil por dia, contra US$ 50 mil em fevereiro.
A resposta dos armadores já apareceu nos estaleiros. Foram 29 encomendas desses navios no primeiro semestre, contra apenas duas um ano antes, de acordo com os dados citados pela reportagem.
Contudo, navio novo leva tempo para ficar pronto. Enquanto essas encomendas não viram casco na água, a oferta de vagas continua curta e o frete segue pressionado.
Leapmotor trouxe 700 carros em plataformas de contêiner por Itaguaí
Dessa forma, algumas marcas passaram a buscar alternativas. A Leapmotor, marca chinesa parceira da Stellantis, começou a trazer carros em flat racks, plataformas metálicas embarcadas como se fossem contêineres comuns.
A estreia aconteceu em junho, no terminal de Sepetiba, em Itaguaí (RJ), com 700 veículos em 270 estruturas. O método foge da fila dos ro-ro, mas ainda é uma solução pontual diante do volume que o mercado pede.
O que a fila diz sobre o mercado de elétricos no Brasil
O retrato de setembro mostra um mercado em que a procura existe e o gargalo está na logística. Os modelos montados no país seguiram crescendo, enquanto os importados ficaram presos à disponibilidade de navios.
Por isso, a produção local de modelos como o EX2 e o Dolphin Mini pesa cada vez mais na disputa. Quem consegue fabricar aqui entrega antes, e quem depende do mar entra na fila junto com o cliente.
Enquanto isso, para outubro, a BYD aposta na normalização com o lote que chegou no fim de setembro. A Geely trabalha com dezembro, quando começa a produção paranaense.
E você, esperaria até dezembro por um elétrico importado ou prefere um modelo montado no Brasil com entrega mais rápida?
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Fontes
Setembro teve marca histórica e 53 mil novos VEs
Está faltando carro: busca por elétricos dispara e espera chega a 4 meses
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

