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Singapura abastece navio da Maersk com 5 mil toneladas de bioetanol e realiza maior operação de etanol marítimo do mundo
Escrito por Ana Alice
Publicado em 18/10/2026 às 23:45
Atualizado em 18/10/2026 às 23:53
Biocombustíveis Renováveis
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Operação inédita em Singapura transferiu cerca de 5 mil toneladas de bioetanol ao Maersk Halifax e será usada para avaliar segurança, medição e adaptação da infraestrutura já utilizada no abastecimento marítimo com metanol.
Singapura realizou neste sábado (17) a maior operação de abastecimento de etanol marítimo já registrada no mundo, ao transferir aproximadamente 5 mil toneladas métricas de bioetanol para o porta-contêineres Maersk Halifax. O abastecimento ocorreu no terminal de Pasir Panjang, da PSA Singapore, e marcou também a primeira operação desse tipo realizada no país, segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA).
O combustível utilizado possui certificação ISCC e foi transferido pelo navio-tanque químico Golden Centaurus, operado pela Golden Island. Uma característica da operação foi que o abastecimento aconteceu ao mesmo tempo em que o Maersk Halifax continuava suas atividades de movimentação de contêineres no terminal, procedimento conhecido como SIMOPS. O volume fornecido foi medido por um sistema de medição de vazão em massa, ou MFM.
A operação reuniu Maersk, Golden Island e PSA Singapore, com apoio da MPA. Além do volume recorde, o teste deve produzir dados para avaliar como estruturas, normas e procedimentos já utilizados em Singapura para o abastecimento marítimo com metanol podem ser adaptados ao etanol.
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Operação testa uso da infraestrutura de metanol também para etanol
O interesse de Singapura vai além do abastecimento de um único navio. Três dias antes da operação, durante a Singapore International Bunkering Conference and Exhibition (SIBCON 2026), a MPA já havia anunciado que faria o primeiro teste de abastecimento com etanol do país.
Segundo a autoridade portuária, um dos principais objetivos é verificar se a referência técnica TR 129, usada no abastecimento marítimo com metanol, pode servir de base para futuras operações com etanol. A experiência também permitirá avaliar o funcionamento dos atuais sistemas MFM na medição desse novo combustível.
A possibilidade existe porque metanol e etanol são combustíveis à base de álcool e apresentam algumas características semelhantes de manuseio. A própria MPA ressalta, entretanto, que motores preparados para metanol precisam das modificações necessárias antes de utilizar etanol.
A Organização Marítima Internacional (IMO) possui diretrizes específicas para embarcações que utilizam álcool metílico ou etílico como combustível. Essas orientações tratam de pontos como armazenamento, abastecimento, sistemas de ventilação, detecção de gases, proteção da tripulação e prevenção de incêndios. Em setembro de 2026, um subcomitê da organização concordou com uma revisão dessas regras provisórias, que ainda deverá seguir o processo de aprovação da IMO.
Antes do abastecimento em Pasir Panjang, as empresas envolvidas realizaram avaliações de identificação de perigos e de riscos operacionais. A MPA também informou que as tripulações receberam treinamento para lidar com o combustível e com eventuais emergências, aproveitando a experiência acumulada em operações com metanol.
Maersk Halifax foi convertido para operar com dois combustíveis
O navio escolhido para receber as 5 mil toneladas de bioetanol não era uma embarcação convencional. Registrado em Singapura, o Maersk Halifax foi convertido em 2024 para operar com sistema dual-fuel, permitindo o uso de metanol além do combustível marítimo convencional.
A transformação foi realizada no estaleiro Zhoushan Xinya, na China, durante 88 dias. A MAN Energy Solutions realizou a conversão do motor, enquanto o trabalho no estaleiro também envolveu novos tanques, sistemas de preparação e abastecimento de combustível e modificações no casco.
Para acomodar os novos tanques, o navio foi alongado em 15 metros e passou a ter 368 metros de comprimento. Sua capacidade também aumentou de aproximadamente 15 mil para 15.690 TEUs, unidade utilizada pelo setor marítimo para medir a capacidade de transporte de contêineres.
Na época, a Maersk tratou a conversão como uma forma de avaliar se embarcações já existentes poderiam ser adaptadas para combustíveis alternativos, evitando que essa transição dependesse exclusivamente da construção de navios novos.
A experiência com etanol avançou posteriormente. Em 2025, a empresa iniciou testes a bordo do Laura Mærsk, inicialmente utilizando uma mistura de 10% de etanol e 90% de e-metanol. A companhia informou depois ter avançado para testes com uma proporção de 50% de cada combustível, como parte da avaliação da compatibilidade do etanol com sua frota preparada para álcool.
Etanol ganha novos testes como combustível para grandes navios
A operação em Singapura faz parte de uma sequência de testes realizados pela Maersk em diferentes mercados. Em setembro deste ano, a companhia anunciou o primeiro abastecimento com etanol de um porta-contêineres de longo curso nos Estados Unidos, envolvendo o Tangier Maersk.
Segundo a empresa, a experiência norte-americana se somou a testes anteriores realizados nos navios Laura Mærsk e Antonia Maersk. A estratégia é avaliar diferentes combustíveis e ampliar as opções disponíveis para embarcações equipadas com motores capazes de utilizar álcoois.
Outro episódio ocorreu em julho de 2026 no Porto de Barcelona, na Espanha. Na ocasião, a Repsol forneceu 2.800 toneladas de bioetanol ao Antonia Maersk, no primeiro abastecimento desse tipo realizado no porto e um dos primeiros registrados no Mediterrâneo. A nova operação de Singapura, com aproximadamente 5 mil toneladas, levou o abastecimento com esse combustível a uma escala ainda maior.
No caso do Maersk Halifax, a Golden Island informou que também utilizou sua experiência anterior com abastecimento de metanol. O Golden Centaurus, responsável pela transferência, é um navio-tanque químico IMO Tipo II registrado em Singapura e preparado para o transporte do produto.
A fornecedora destacou ainda que a cadeia utilizada na operação envolveu armazenamento, movimentação entre tanques, carregamento e transferência do bioetanol até o porta-contêineres. A realização do abastecimento simultaneamente à movimentação de cargas também serviu para testar a integração do novo combustível à rotina operacional de um grande terminal.
Para a MPA, os dados coletados agora serão usados na elaboração de procedimentos técnicos e de segurança para futuros abastecimentos com etanol em Singapura. O resultado deverá ajudar a definir se a infraestrutura construída para o metanol pode ser aproveitada e quais adaptações serão necessárias antes que operações com etanol se tornem mais frequentes no porto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

