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Com investimento de R$ 155 milhões, Vaccaro ergue nova fábrica de biodiesel no RS com capacidade para produzir 180 milhões de litros por ano
Escrito por Ana Alice
Publicado em 18/10/2026 às 22:25
Atualizado em 18/10/2026 às 23:05
Biocombustíveis Renováveis
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Projeto em Erechim marca a entrada do Grupo Vaccaro na produção de biodiesel e integra um movimento de expansão industrial baseado no aproveitamento de matérias-primas já presentes na cadeia agropecuária do norte gaúcho.
O Grupo Vaccaro avança na construção de sua primeira fábrica de biodiesel em Erechim, no norte do Rio Grande do Sul, com investimento anunciado de R$ 155 milhões. A unidade terá capacidade para produzir até 180 mil metros cúbicos do biocombustível por ano, o equivalente a 180 milhões de litros, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pelo BiodieselBR.
A nova planta representa a entrada da companhia na produção de biodiesel e está sendo instalada no parque industrial que a Vaccaro já mantém no município. Em setembro de 2026, quando o investimento foi divulgado, a empresa informou que aproximadamente metade da obra já estava executada, com as fundações concluídas e a montagem das estruturas metálicas em andamento.
O cronograma divulgado pelas fontes traz duas etapas diferentes. A Vaccaro trabalha com previsão de conclusão da obra em fevereiro de 2027, enquanto o BiodieselBR, com base em informações da ANP, aponta maio de 2027 como previsão para a unidade estar pronta para operar. Dessa forma, a conclusão física da fábrica não deve ser confundida com o início efetivo da produção comercial.
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Biodiesel será produzido com óleo de soja e gordura animal
A produção deverá aproveitar matérias-primas já ligadas à cadeia agroindustrial da região. De acordo com a própria Vaccaro, o biodiesel será obtido a partir de óleo de soja e gordura animal.
No começo da operação, a estimativa apresentada pela empresa é de uma produção de 300 metros cúbicos por dia. Após um período de adaptação da planta, a capacidade diária prevista chega a 600 metros cúbicos, ou 600 mil litros. A capacidade anual informada à ANP, por sua vez, é de até 180 mil metros cúbicos.
A escolha do óleo de soja se conecta a uma estrutura que a Vaccaro já possui em Erechim. No mesmo parque industrial, de aproximadamente 25 hectares, funciona uma unidade de esmagamento de soja. Parte do óleo obtido nesse processamento é atualmente comercializada com indústrias que produzem biocombustíveis na região.
Com a nova fábrica, uma parcela dessa matéria-prima poderá avançar dentro da própria cadeia industrial do grupo. Em vez de atuar somente no recebimento, processamento e comercialização dos grãos e seus derivados, a Vaccaro passa a incorporar a fabricação de biodiesel ao complexo.
Carlos Vaccaro, diretor do grupo, relacionou o investimento à disponibilidade de grãos no norte gaúcho e à estratégia de agregar valor à produção regional. Segundo o executivo, a decisão também considera a demanda por fontes de energia renovável. A empresa informa manter uma rede de cerca de 15 mil produtores cadastrados entre clientes e fornecedores.
Nova capacidade chega em momento de maior uso de biodiesel no diesel
A entrada da Vaccaro nesse mercado ocorre depois de uma mudança relevante na política brasileira para o setor. Desde 1º de agosto de 2025, o percentual obrigatório de biodiesel misturado ao diesel comercializado no país passou de 14% para 15%, formando o chamado B15.
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A ANP confirma que o B15 permanece como a mistura obrigatória em 2026. A elevação foi determinada pelo Conselho Nacional de Política Energética e ampliou a parcela de biocombustível utilizada no diesel vendido no mercado brasileiro.
Esse cenário ajuda a contextualizar novos investimentos em capacidade produtiva, embora a fábrica da Vaccaro ainda esteja em construção. Os 180 milhões de litros mencionados no projeto correspondem à capacidade anual prevista para a instalação, e não a uma produção já contratada ou garantida para 2027.
A própria empresa projeta que a nova atividade contribua para ampliar seu faturamento a partir da entrada em operação da unidade. A Vaccaro estima crescimento médio anual de 25% nas receitas a partir de 2027, mas esse percentual é uma projeção empresarial e depende do desempenho efetivo das novas operações.
Projeto amplia verticalização do complexo industrial em Erechim
A planta de biodiesel integra um movimento mais amplo de verticalização das atividades da companhia. Além do esmagamento de soja e das estruturas de armazenamento de grãos, o grupo também está implantando no mesmo parque uma fábrica de ração animal.
Nesse caso, o investimento divulgado é de R$ 10 milhões, com capacidade prevista de até 340 toneladas de ração por dia. A intenção é utilizar parte do farelo de soja resultante do processamento dos grãos, matéria-prima que anteriormente seguia para industrialização em outras unidades.
A operação integrada permite que diferentes produtos originados da soja tenham destinos industriais dentro do próprio complexo: o óleo pode abastecer a produção de biodiesel, enquanto o farelo pode seguir para a fabricação de rações. A companhia também mantém silos e unidades comerciais em outras regiões do Rio Grande do Sul.
Antes de iniciar a produção comercial de biodiesel, porém, a instalação precisa cumprir as exigências regulatórias aplicáveis ao setor.
A ANP estabelece que produtores de biocombustíveis devem obter autorização para exercer a atividade e uma autorização específica de operação para cada instalação. O funcionamento só pode começar após o atendimento dos requisitos previstos pela agência e a publicação da autorização correspondente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

