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R$ 60 milhões colocam o litoral de Sergipe no radar da mineração mundial: projeto mira terras raras, titânio e zircônio, pode gerar 450 empregos
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 19/10/2026 às 13:45
Atualizado em 19/10/2026 às 13:50
Mineração
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Projeto Saramém prevê R$ 60 milhões para explorar terras raras, titânio e zircônio em Sergipe, com potencial de gerar 450 empregos.
Uma região de areias minerais localizada no litoral norte de Sergipe poderá receber um investimento de R$ 60 milhões para exploração de titânio, zircônio e terras raras, matérias-primas utilizadas nas indústrias de tecnologia, metalurgia, cerâmica e fabricação de equipamentos. Segundo o Governo de Sergipe, em comunicado publicado em 16 de outubro de 2026, a empresa Backshore Resources desenvolve o Projeto Saramém, com áreas localizadas nos municípios de Brejo Grande e Pacatuba. O empreendimento possui potencial para 450 empregos, sendo 120 diretos e 330 indiretos, e integra os projetos apresentados pelo estado para atrair investimentos à mineração brasileira.
A iniciativa permanece em fase de licenciamento ambiental e estudos técnicos, sem início confirmado de extração comercial.
Projeto Saramém prevê R$ 60 milhões para explorar minerais estratégicos em Sergipe
A Backshore Resources está estruturando um empreendimento mineral destinado ao aproveitamento de depósitos encontrados no litoral norte sergipano. O projeto foi incluído entre as iniciativas acompanhadas pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), responsável por apoiar a atração de investimentos privados.
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O protocolo firmado com a agência estadual estabelece investimento estimado de R$ 60 milhões e contempla o desenvolvimento de atividades relacionadas à exploração mineral.
A proposta envolve minerais considerados importantes para diferentes cadeias industriais. A extração comercial dependerá da conclusão dos estudos geológicos, da avaliação de viabilidade econômica e da obtenção das autorizações necessárias.
Mineradora pretende desenvolver operações em Brejo Grande e Pacatuba
O Projeto Saramém está localizado em uma região de depósitos arenosos do litoral norte de Sergipe, com áreas nos municípios de Brejo Grande e Pacatuba. O empreendimento recebeu esse nome em referência à localidade de Saramém, situada na região.
Os terrenos investigados apresentam concentrações de minerais pesados associados a depósitos sedimentares costeiros. Esses materiais podem conter substâncias aproveitáveis industrialmente, dependendo das características geológicas e da concentração dos minerais de interesse.
O objetivo da empresa é avaliar as condições necessárias para transformar os depósitos identificados em uma operação mineral. O projeto ainda não possui data de início de produção comercial confirmada no anúncio mais recente.
Depósito reúne titânio, zircônio e minerais que contêm terras raras
A região investigada apresenta ocorrência de ilmenita, rutilo, zircão e monazita, minerais encontrados em determinados depósitos de areias pesadas. Essas substâncias possuem composição química e aplicações industriais diferentes.
A ilmenita e o rutilo são fontes de titânio, elemento utilizado em diversas cadeias produtivas. O zircão é um mineral associado ao zircônio, empregado principalmente em materiais cerâmicos e aplicações que exigem resistência a temperaturas elevadas.
A monazita contém elementos de terras raras, utilizados na fabricação de materiais e componentes para diferentes setores tecnológicos. O aproveitamento desses elementos depende de etapas de separação e processamento que vão além da simples extração das areias.
Areias monazíticas poderão fornecer matérias-primas para várias indústrias
As chamadas areias monazíticas são depósitos sedimentares nos quais podem ocorrer minerais pesados, incluindo a monazita. Esses materiais são encontrados em algumas regiões costeiras brasileiras, onde processos geológicos concentraram determinadas substâncias minerais.
O aproveitamento industrial exige identificar quais minerais estão presentes, suas concentrações e a viabilidade de separá-los dos demais componentes da areia. Somente depois dessas avaliações é possível estabelecer as características da produção pretendida.
No caso de Saramém, o planejamento envolve diferentes produtos minerais, e não exclusivamente terras raras. A exploração de titânio e zircônio também está entre os objetivos apresentados pela Backshore Resources.
Serviço Geológico do Brasil registra recursos estimados de 120,7 milhões de toneladas
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) incluiu Saramém entre os depósitos nacionais de titânio analisados na publicação An Overview of Critical and Strategic Minerals Potential of Brazil, edição de 2026.
No levantamento, o depósito de Saramém/Brejo Grande aparece associado à Backshore Resources, com recursos minerais estimados em 120,7 milhões de toneladas. O documento identifica titânio, zircônio e terras raras como as substâncias de interesse.
O volume apresentado corresponde a uma estimativa de recursos minerais e não deve ser confundido com reservas economicamente comprovadas ou com a quantidade de concentrados que poderá ser comercializada.
O próprio SGB classifica o empreendimento como estando em fase de exploração mineral, indicando que ainda são necessárias etapas técnicas antes de uma eventual operação comercial.
Agência Nacional de Mineração autorizou pesquisas de minerais pesados em Brejo Grande
A Backshore Resources possui registros de processos minerários relacionados à investigação de depósitos na região. Um dos documentos oficiais é o Alvará de Pesquisa nº 6.677/2025, expedido pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
O ato autoriza pesquisas de ilmenita, rutilo, zircão e monazita em uma área de 779,38 hectares no município de Brejo Grande, pelo prazo de três anos. Essa autorização está relacionada a uma área específica e não representa a dimensão total do Projeto Saramém.
O documento também estabelece obrigações para a realização dos trabalhos de pesquisa. A autorização mineral não substitui as licenças ambientais e demais permissões exigidas para atividades de exploração e aproveitamento econômico dos depósitos.
Empreendimento poderá gerar 120 empregos diretos e 330 indiretos
A previsão apresentada pelo Governo de Sergipe é de 450 postos de trabalho potenciais, distribuídos entre 120 empregos diretos e 330 indiretos. As estimativas estão relacionadas ao desenvolvimento do empreendimento, caso as etapas necessárias sejam concluídas.
Os empregos diretos poderão envolver atividades de operação mineral, manutenção industrial, controle de processos e serviços técnicos. Os postos indiretos estão associados à possível demanda por transporte, equipamentos, fornecedores e outros serviços utilizados pela cadeia produtiva.
A empresa ainda não divulgou um calendário definitivo de contratações nem confirmou a abertura de processos seletivos vinculados ao empreendimento.
Backshore Resources firmou acordo para desenvolver o projeto no estado
A Backshore Resources mantém um Memorando de Entendimento com a Desenvolve-SE, estabelecendo uma cooperação institucional para apoiar o desenvolvimento do Projeto Saramém.
O acordo está relacionado às atividades de estruturação do empreendimento e à articulação com instituições responsáveis por investimentos e desenvolvimento econômico. A proposta integra os esforços estaduais para ampliar a participação da mineração na economia sergipana.
O instrumento, entretanto, não equivale à concessão de lavra ou à liberação automática de recursos financeiros. Sua finalidade está ligada ao apoio institucional e à preparação das condições necessárias para o possível desenvolvimento industrial.
Terras raras são utilizadas em tecnologias industriais e equipamentos modernos
Os elementos conhecidos como terras raras possuem aplicações em componentes eletrônicos, equipamentos de telecomunicações, sistemas industriais e tecnologias utilizadas na transição energética.
Determinados elementos desse grupo são empregados na produção de ímãs permanentes utilizados em motores elétricos e geradores. Outros possuem aplicações em catalisadores, materiais ópticos e processos industriais específicos.
Assista o vídeo
A presença de monazita no Projeto Saramém indica potencial para aproveitamento de elementos de terras raras, mas a produção de concentrados minerais não equivale à fabricação de metais refinados ou ímãs industriais.
Para alcançar essas etapas, seriam necessárias instalações e tecnologias adicionais de processamento, cuja implantação não foi confirmada no anúncio estadual.
Titânio e zircônio também possuem aplicações importantes na indústria brasileira
O titânio obtido a partir de minerais como ilmenita e rutilo possui aplicações na fabricação de pigmentos, materiais industriais e produtos utilizados em diferentes processos metalúrgicos.
O dióxido de titânio, por exemplo, é amplamente utilizado na fabricação de tintas, revestimentos e outros materiais que exigem determinadas propriedades de cor e opacidade.
Já o zircão é empregado em cerâmicas, materiais refratários e aplicações que demandam resistência térmica. Essas utilizações tornam o zircônio relevante para segmentos industriais que dependem de matérias-primas especializadas.
O Projeto Saramém poderá atender a diferentes mercados, dependendo dos produtos efetivamente obtidos e das características técnicas dos concentrados. Ainda não foram divulgados contratos comerciais de fornecimento.
Licenciamento ambiental será necessário antes da implantação da mineração
O Governo de Sergipe informou que o Projeto Saramém permanece em processo de licenciamento ambiental, etapa fundamental para avaliar as condições de implantação do empreendimento.
A localização em uma região costeira exige estudos sobre as características das áreas envolvidas, incluindo recursos hídricos, uso do solo e possíveis efeitos da atividade mineral sobre o ambiente.
Os procedimentos também precisam considerar as técnicas de extração e beneficiamento previstas, o manejo dos materiais e as medidas ambientais exigidas pelos órgãos competentes.
A existência de autorizações para pesquisa mineral não significa liberação para extração comercial. A implantação da operação dependerá das decisões regulatórias e do cumprimento das condições aplicáveis.
Sergipe também está ampliando estudos para identificar novos depósitos minerais
O desenvolvimento de Saramém ocorre em um momento de ampliação das pesquisas sobre o potencial mineral sergipano. Em janeiro de 2026, a Desenvolve-SE firmou um protocolo de intenções com o Serviço Geológico do Brasil para modernizar o conhecimento sobre o território estadual.
A parceria prevê levantamento geoquímico em aproximadamente 21 mil quilômetros quadrados, além de estudos aerogeofísicos e da organização de informações geológicas em bases digitais.
O objetivo é melhorar a identificação de áreas com potencial mineral e ampliar a disponibilidade de dados técnicos para empresas interessadas em investir no estado.
Essas atividades poderão apoiar a análise de novos projetos, mas não substituem os estudos específicos nem as licenças necessárias à implantação de cada empreendimento.
Próximas etapas definirão quando o investimento de R$ 60 milhões poderá sair do papel
O Projeto Saramém reúne investimento estimado de R$ 60 milhões, potencial de 450 empregos e depósitos de interesse para as cadeias de titânio, zircônio e terras raras.
A empresa ainda precisa avançar nas etapas de estudos técnicos, licenciamento e estruturação necessárias para a eventual implantação de uma operação industrial.
Até o anúncio mais recente, não havia confirmação pública de início da extração comercial, cronograma definitivo de obras ou capacidade anual de produção aprovada.
O empreendimento permanece entre as iniciativas minerais acompanhadas pelo Governo de Sergipe, com o objetivo de transformar recursos identificados no litoral norte em produtos destinados a diferentes cadeias industriais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

