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Fincantieri investe quase € 100 milhões para levar robôs, IA física e gêmeos digitais a 13 estaleiros e acelerar a construção naval com mais produtividade e segurança
Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/10/2026 às 16:51
Atualizado em 19/10/2026 às 16:55
Indústria Naval
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Fincantieri acelera robótica, IA física e gêmeos digitais em 13 estaleiros, com quase € 100 milhões para elevar produtividade, segurança e integração industrial global naval.
A Fincantieri está ampliando a adoção de robótica avançada, inteligência artificial física, automação e gêmeos digitais em seus estaleiros como parte de um programa de transformação industrial que prevê investimentos de quase € 100 milhões. A iniciativa envolve mais de 450 funcionários e 13 instalações na Itália e no exterior, incluindo unidades na Romênia e nos Estados Unidos.
As informações foram divulgadas pela própria companhia em 14 de outubro de 2026, após a apresentação das novas etapas do programa BOOST² – O Estaleiro do Futuro, realizada no estaleiro de Castellammare di Stabia. Segundo a empresa, parte das soluções já está em operação, outras passam por validação e um terceiro grupo permanece destinado a desenvolvimento futuro.
Fincantieri leva programa de inovação a 13 estaleiros
O BOOST² foi lançado há três anos com a proposta de identificar, desenvolver e integrar novas tecnologias aos processos produtivos da Fincantieri. Ao longo desse período, mais de 450 funcionários participaram de atividades relacionadas ao programa, distribuídas por 13 estaleiros.
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A abrangência internacional inclui instalações na Itália, Romênia e Estados Unidos. A estratégia não se limita a testar equipamentos isolados, mas busca aproximar inovação tecnológica das necessidades reais encontradas dentro das operações de construção naval.
O programa está inserido no Plano Industrial da companhia e prevê investimentos de quase € 100 milhões. A fonte não detalha quanto desse montante já foi efetivamente desembolsado nem apresenta divisão financeira por tecnologia ou por estaleiro.
Robótica e IA física entram no centro da transformação
Entre as tecnologias priorizadas está a chamada inteligência artificial física, conceito que aplica sistemas inteligentes diretamente a equipamentos e operações no mundo real.
No ambiente naval, a proposta é integrar esses recursos à robótica e ao conhecimento acumulado pelas equipes de produção. A Fincantieri pretende utilizar sistemas capazes de apoiar tarefas industriais complexas sem retirar as pessoas do centro do processo.
A robótica colaborativa aparece como uma das principais frentes. Nesse modelo, máquinas e trabalhadores atuam no mesmo fluxo operacional, com os equipamentos auxiliando em atividades que podem exigir repetição, precisão ou esforço elevado.
A empresa associa essa combinação a ganhos potenciais de produtividade, segurança e qualidade, embora não tenha divulgado índices percentuais de desempenho já obtidos em cada aplicação.
Gêmeos digitais conectam projeto, planejamento e produção
Outra frente importante do BOOST² envolve o uso de gêmeos digitais. A tecnologia permite criar representações virtuais de ativos, equipamentos ou processos para acompanhar comportamento, condições operacionais e planejamento.
Na estratégia da Fincantieri, esses sistemas deverão contribuir para a gestão digital de ativos e processos dentro dos estaleiros.
O objetivo é fortalecer a conexão entre projeto, planejamento e produção, reduzindo a distância entre o que é desenhado digitalmente e o que efetivamente acontece no chão de fábrica.
A aplicação também pode facilitar simulações, acompanhamento de desempenho e análise de diferentes cenários antes de intervenções físicas, dependendo do nível de integração alcançado por cada solução.
Programa também inclui cadeia de suprimentos inteligente
A transformação não está concentrada apenas nas linhas de produção. A companhia também cita soluções para uma cadeia de suprimentos inteligente, manufatura aditiva e automação de equipamentos industriais.
Essas frentes podem afetar desde a disponibilidade de componentes até a fabricação de determinadas peças e o acompanhamento de materiais dentro dos projetos.
Para uma empresa envolvida em construção naval de alta complexidade, a coordenação entre fornecedores, planejamento e execução é decisiva porque grandes embarcações dependem de milhares de componentes e etapas de produção interligadas.
A fonte, porém, não detalha quais sistemas específicos de cadeia de suprimentos já foram implantados ou quais permanecem em validação.
Fase atual tenta levar inovação do teste para a escala industrial
O programa passou por uma etapa inicial voltada à prospecção e experimentação de tecnologias. Agora, a Fincantieri afirma estar concentrada em acelerar a transição entre testes e implementação industrial.
Isso significa que tecnologias consideradas maduras deverão ser progressivamente incorporadas às operações diárias dos diferentes estaleiros.
O desafio passa a ser transformar protótipos e pilotos em ferramentas capazes de funcionar de forma repetitiva, segura e integrada em ambientes industriais reais.
Essa fase também exige adaptação a instalações diferentes, já que nem todos os estaleiros possuem exatamente os mesmos processos, equipamentos ou necessidades produtivas.
Startups e empresas de tecnologia entram na estratégia
Para acelerar o desenvolvimento das soluções, a companhia utiliza uma estratégia de inovação aberta, buscando parceiros tecnológicos tanto na Itália quanto em outros países.
Pequenas e médias empresas, startups e fornecedores especializados podem ser selecionados para adaptar tecnologias às necessidades específicas da indústria naval.
A participação das equipes de produção é tratada como parte fundamental do processo. Os trabalhadores ajudam a testar as soluções em campo e a identificar se determinada tecnologia realmente pode ser escalada para outras instalações.
Essa abordagem procura evitar que a inovação permaneça restrita a laboratórios ou projetos experimentais sem aplicação prática dentro da produção.
Segurança e produtividade orientam uso da automação
A introdução de sistemas automatizados em estaleiros ocorre em um ambiente onde grandes estruturas metálicas, equipamentos pesados e operações complexas fazem parte da rotina.
Por isso, a Fincantieri apresenta segurança como um dos objetivos centrais do programa, ao lado de produtividade e qualidade.
Robôs colaborativos e sistemas inteligentes podem ser direcionados a tarefas repetitivas ou particularmente exigentes, reduzindo a exposição humana em determinadas atividades.
Ao mesmo tempo, a empresa não afirma que o objetivo seja substituir integralmente trabalhadores por máquinas, mas criar fluxos nos quais conhecimento industrial e tecnologias inteligentes atuem de forma complementar.
Quase € 100 milhões sustentam plano de modernização
O valor previsto de quase € 100 milhões coloca o BOOST² entre os principais esforços internos da companhia para modernizar seus processos produtivos.
O investimento contempla um conjunto amplo de tecnologias, e não apenas robótica. Gêmeos digitais, manufatura aditiva, automação industrial, inteligência artificial física e soluções de cadeia de suprimentos fazem parte da mesma estratégia.
A Fincantieri pretende consolidar as ferramentas já implantadas, acelerar aquelas que estão prontas para expansão e amadurecer novas aplicações.
O ritmo dessa transformação dependerá da capacidade de validar as soluções em condições reais e replicá-las em estaleiros com características operacionais diferentes.
Fincantieri tenta construir o chamado estaleiro do futuro
O próximo passo do programa será ampliar a presença das tecnologias que já demonstraram utilidade e avançar na maturidade das soluções ainda experimentais.
A companhia quer transformar inovação em um elemento permanente de competitividade, conectando pessoas, equipamentos, dados e processos de produção.
Com 13 estaleiros envolvidos, mais de 450 funcionários participantes e investimento próximo de € 100 milhões, a Fincantieri aposta que robótica, IA física e gêmeos digitais poderão alterar progressivamente a forma como navios complexos são construídos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

