Faça um comentário
6 min de leitura
Quem compra vaso e pia da Deca no Nordeste vai receber peças de Jundiaí (SP): Dexco desliga a fábrica de 2,8 milhões de peças por ano no Cabo de Santo Agostinho (PE), 15 meses depois de fechar a de João Pessoa
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 20/10/2026 às 04:00
Atualizado em 20/10/2026 às 04:01
Economia
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A Dexco aprovou nesta segunda-feira (19) o fechamento da fábrica da Deca no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, unidade de louças sanitárias com 2,8 milhões de peças por ano que passou a concentrar toda a operação de louças da empresa no Nordeste depois do fechamento de João Pessoa, em julho de 2025.
A decisão saiu do Conselho de Administração e foi comunicada ao mercado por fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários. A unidade fabrica vasos e pias das marcas Deca e Belize, segundo a reportagem do Movimento Econômico.
Parte do que saía das linhas pernambucanas vai ser absorvida pela fábrica de Jundiaí, no interior de São Paulo. A empresa não informou quais produtos deixam o catálogo nem que fatia da produção sobe para o Sudeste.
Fábrica comprada em 2008 tinha 30 mil metros quadrados de área industrial
A planta do Cabo de Santo Agostinho chegou ao grupo em 2008, quando a então Duratex, nome antigo da Dexco, comprou a unidade. Pelo site da própria Deca, a área industrial soma 30 mil metros quadrados.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A capacidade informada é de 2,8 milhões de peças por ano. É esse volume, ou parte dele, que deixa de sair de Pernambuco e passa a depender de outra fábrica, no interior paulista.
João Pessoa fechou 15 meses antes e mandou tudo para o Cabo
O fechamento desta segunda-feira repete um movimento recente. Em 2 de julho de 2025, a Dexco anunciou o fim da fábrica de louças de João Pessoa, na Paraíba, e disse que concentraria a produção nordestina justamente na unidade pernambucana.
A fábrica paraibana tinha sido comprada pela Duratex em fevereiro de 2011. Segundo o site da Deca, tinha capacidade para 2 milhões de peças por ano em 30 mil metros quadrados de área construída.
Na época, a companhia classificou o impacto como não material e não recorrente, com efeito previsto no terceiro trimestre de 2025. Agora, a mesma unidade que recebeu a produção da Paraíba é a que para.
Jundiaí recebeu automação e passa a segurar o portfólio
A explicação oficial para escolher São Paulo está na própria fábrica de Jundiaí. Conforme a Exame, a Dexco diz que a unidade recebeu investimentos em automação, tecnologia e modernização nos últimos anos.
Quanto foi investido lá, a empresa não contou.
Segundo a Dexco, a transferência deve garantir o fornecimento das peças que continuam no portfólio da Deca, marca que a companhia afirma que seguirá relevante em louças sanitárias.
Nordeste fica com centro de distribuição e sem fábrica de louças
Para quem compra no Nordeste, a promessa é manter o abastecimento por outro caminho. A Dexco informou que terá um centro de distribuição estratégico para a região, com portfólio mais amplo do que o atual.
A localização desse centro não foi informada. Também não há data divulgada para a parada das máquinas no Cabo de Santo Agostinho, nem cronograma de transição entre as duas fábricas.
Na prática, lojas de material de construção e construtoras da região passam a receber louças fabricadas fora do Nordeste. Dá pra entender a lógica de custo da empresa, mas o frete de vaso e pia não é leve.
Trabalhadores terão benefícios extras, mas número de cortes não saiu
O fato relevante reconhece o impacto sobre os colaboradores e sobre a comunidade local. A Dexco promete benefícios adicionais e apoio à recolocação profissional para quem for desligado.
A empresa não disse quantos empregos serão eliminados. A Exame e o Movimento Econômico registram a mesma lacuna, e nenhum dos dois textos traz fala de executivo além da nota oficial.
Os fornecedores da unidade serão tratados caso a caso, nas condições já combinadas, segundo a reportagem pernambucana. O custo da desativação também ficou sem valor público por enquanto.
Queimados saiu primeiro, em 2023, com 20% da capacidade
Antes do Nordeste, a Dexco já tinha fechado a fábrica de louças de Queimados, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito em 21 de junho de 2023, com a justificativa de otimizar o uso dos ativos industriais.
Segundo analistas do Bradesco BBI citados pela InfoMoney, a unidade fluminense respondia por cerca de 20% da capacidade instalada de louças da empresa, embora operasse com baixa utilização.
Na ocasião, a produção de Queimados foi distribuída entre Recife, João Pessoa e Jundiaí. Com João Pessoa fechada em 2025 e a unidade pernambucana parando agora, Jundiaí fica como a fábrica que sobra dessa redistribuição.
Cerâmica de Urussanga parou em maio, com a dívida no centro da conta
O enxugamento também alcançou os revestimentos. Em 25 de maio de 2026, a Dexco encerrou a fábrica de Urussanga, em Santa Catarina, uma das três unidades de revestimentos cerâmicos do grupo, conforme a Bloomberg Línea.
A produção das marcas Portinari e Ceusa foi para Criciúma, também em Santa Catarina, e para Botucatu, em São Paulo. A empresa citou excesso de capacidade no setor, juros altos e demanda fraca da construção.
Antes disso, em junho de 2025, a companhia já havia suspendido temporariamente linhas de produção de revestimentos na Região Sul, segundo o Movimento Econômico.
Meta é baixar a dívida para até 2,7 vezes o Ebitda
Por trás dos fechamentos está o endividamento. A dívida líquida da Dexco chegou a 3,35 vezes o Ebitda no fim do quarto trimestre de 2025, ante 3,48 vezes no trimestre anterior, segundo a Bloomberg Línea.
A meta declarada é levar essa relação para a faixa de 2,5 a 2,7 vezes até o fim de 2026. Fechar fábricas reduz custo fixo, e a empresa trata o plano como busca de eficiência e de rentabilidade dos ativos.
Efeito no balanço ainda está em cálculo
Sobre Pernambuco, a Dexco informou que os efeitos contábeis estão em apuração. Eles serão lançados como itens não recorrentes, sem valor divulgado até agora para provisões ou baixas.
O mercado gostou.
Segundo o blog Capital, de O Globo, citado pelo Movimento Econômico, as ações subiam 2,28% às 10h39 desta segunda-feira, cotadas a R$ 7,61.
Itaúsa e família Seibel dividem o controle da dona da Deca
A Dexco é controlada por dois blocos. Um, ligado à Itaúsa e às famílias Setubal e Villela, tem 40,8% do capital. O outro, da família Seibel, detém 20,4%.
Além das louças, o grupo fabrica metais sanitários e revestimentos cerâmicos. A sequência de fechamentos lembra o caso da Sasazaki, que fechou a fábrica de Marília (SP) no começo de outubro.
Pernambuco perde a última linha de louças da empresa na região
Olhando assim, o mapa industrial da Deca encolheu rápido. Em pouco mais de três anos, saíram Queimados, João Pessoa e agora o Cabo de Santo Agostinho, e a Exame resumiu a decisão como o fim das duas fábricas nordestinas em pouco mais de um ano.
O que fica em aberto é o tamanho do corte de pessoal, a data exata da parada e onde vai funcionar o centro de distribuição. Até o fato relevante, nenhuma dessas respostas tinha sido publicada pela companhia.
Você acha que vaso e pia vindos de Jundiaí vão chegar mais caros às lojas do Nordeste depois do fechamento da fábrica pernambucana?
Tags
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

