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50% mais vida útil para o concreto, diz empresa ligada ao MIT que leva à rodovia suíça argamassa inspirada nos romanos e capaz de fechar pequenas fissuras
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 20/10/2026 às 12:53
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Grãos de cal reagem com a água e ajudam a preencher pequenas aberturas. A autorregeneração não equivale à recuperação de grandes rachaduras estruturais.
A DMAT levou à rodovia N13, no cantão dos Grisões, na Suíça, uma argamassa de reparo que fecha pequenas fissuras. A aplicação foi apresentada pelo MIT News em 19 de agosto de 2026.
Segundo a empresa, seu aditivo aumenta a vida útil das estruturas de concreto em 50% e reduz as emissões de CO₂ para 40% das associadas ao concreto tradicional. São indicadores divulgados para a tecnologia, sem representar uma garantia universal para qualquer obra.
Como a água ajuda a fechar fissuras
O mecanismo foi investigado pelo grupo de Admir Masic em estudo divulgado em 2023. A equipe analisou pequenos grãos esbranquiçados, ricos em cálcio, encontrados no concreto romano. Antes tratados como sinal de mistura malfeita, eles se revelaram importantes para a capacidade de reparo.
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Quando uma pequena fissura atravessa esses grãos e recebe água, o material libera cálcio. A solução resultante pode recristalizar como carbonato de cálcio, formando depósitos sólidos que preenchem a abertura. O processo ocorre espontaneamente.
Para testar a explicação, os pesquisadores produziram amostras com formulações antigas e modernas, provocaram fissuras e fizeram água passar por elas. Em duas semanas, as aberturas se fecharam e interromperam o fluxo. Uma amostra de comparação, produzida sem cal virgem, continuou deixando a água passar.
Esse intervalo corresponde ao ensaio de laboratório, com suas condições específicas. Não estabelece um prazo universal para a argamassa aplicada em obras.
O canteiro de Pompeia revelou a sequência da mistura
Uma pesquisa divulgada em dezembro de 2025 acrescentou evidências sobre a origem desses grãos. Em Pompeia, os cientistas estudaram um canteiro preservado pela erupção do Vesúvio, no ano 79, com pilhas de matérias-primas, ferramentas e paredes em diferentes etapas de construção.
A análise encontrou fragmentos de cal virgem já misturados aos ingredientes secos. A água era acrescentada depois, provocando uma reação que liberava calor. Essa sequência, chamada mistura a quente, preservava porções reativas de cal no material endurecido.
O achado ajudou a esclarecer como o concreto adquiria reservas capazes de participar de reações posteriores. Os pesquisadores também observaram que partículas vulcânicas reagiam com a solução presente nos poros, criando depósitos minerais que reforçavam o material ao longo do tempo.
Para Masic, o interesse está em adaptar conhecimentos dessa tecnologia às práticas atuais. A formulação moderna da DMAT é inspirada nesses princípios, sem reproduzir integralmente o concreto usado pelos romanos.
Da pesquisa aos produtos para construção
Fundada em 2021 por Admir Masic, do MIT, e Paolo Sabatini, CEO, a DMAT comercializa aditivos e argamassas ensacadas para restauração estrutural, com certificações europeias. Masic descreve o produto como de preço extremamente competitivo.
Outras soluções de concreto autorregenerante usam bactérias ou polímeros e são mais caras, segundo a reportagem do MIT. O peso do setor explica o interesse: o concreto responde por cerca de 5% a 8% das emissões globais de CO₂.
Seu concreto já foi usado em reservatórios subterrâneos, barreiras e pavimentos na Itália e na Suíça. A empresa planeja chegar aos Estados Unidos. “Na Dmat, gostamos de ver o concreto como um ecossistema”, diz Sabatini.
Você confiaria em uma argamassa que fecha sozinha pequenas rachaduras na sua casa? Deixe sua opinião nos comentários.
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concreto autorregenerante
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

