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Motorista que levava carga pela balsa entre Pedro Afonso e Tupirama (TO) passou a noite no caminhão no meio do Rio Tocantins por 18 horas, e a travessia só volta a andar quando a usina de Lajeado solta mais água
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 21/10/2026 às 02:45
Atualizado em 21/10/2026 às 03:00
Logística e Transporte
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A travessia entre Pedro Afonso e Tupirama, no centro do Tocantins, virou uma noite inteira no meio do rio para caminhoneiros que dependem da balsa desde que a ponte da BR-235 foi fechada para carga pesada, e a seca do Rio Tocantins deixou a embarcação presa num banco de areia por mais de 18 horas.
A balsa levava dois caminhões de carga quando parou no meio do Rio Tocantins, entre Tupirama e Pedro Afonso, na tarde de domingo (18). Segundo o g1 Tocantins, ela só foi liberada na manhã seguinte.
Um dos motoristas, identificado como Marcos Antônio, contou que o embarque dos veículos começou por volta das 15h. Cerca de 20 minutos depois, a balsa encalhou num banco de areia e não saiu mais do lugar.
Balsa parou 20 minutos depois de sair da margem e só voltou a navegar às 9h de segunda
O relato do caminhoneiro foi confirmado pelo Jornal Opção e pela Gazeta do Cerrado, que registraram o encalhe por volta das 15h20. A embarcação ficou imobilizada até perto das 9h de segunda-feira (19).
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Foram mais de 18 horas com dois caminhões carregados sobre a água, à vista das duas margens. Um vídeo feito por drone mostra a balsa parada na areia e já passou de 100 mil visualizações nas redes sociais.
Para quem roda com carga pelo centro do Tocantins, a cena não tem nada de curiosa. Ela mostra o tamanho do problema que se arrasta na região desde que a ponte da BR-235 começou a falhar.
Caminhoneiro recusou o hotel e passou a noite dentro do caminhão
A operadora da travessia levou comida aos motoristas e ofereceu hospedagem em terra. Marcos Antônio preferiu ficar. “Deram janta e café, levaram marmita para a gente lá. Jantamos e ficamos por lá mesmo”, disse ao g1.
A explicação dele resume a rotina de quem vive de frete. “Ofereceram hotel também, mas preferi ficar no veículo porque a carga é responsabilidade da gente, motorista. Não dá para sair e deixar o caminhão para trás.”
Dá pra entender a escolha. O caminhoneiro responde pela mercadoria até a entrega, e abandonar o veículo no meio do rio, mesmo por uma noite, é um risco que pouca gente aceita correr.
No dia seguinte, uma segunda balsa encalhou com carros e caminhões
O problema não ficou só na primeira travessia. Na própria segunda-feira, outra balsa, que levava carros e caminhões, também encalhou no mesmo trecho do rio, segundo o g1 e o Jornal Opção.
Dessa vez a espera foi menor, de cerca de três horas, até que a embarcação fosse liberada. Ainda assim, dois encalhes em menos de 24 horas mostram como a travessia ficou frágil durante a estiagem.
Operadora culpa a estiagem e diz que precisa pedir água à usina de Lajeado
A empresa responsável pelas balsas, chamada Pippes no g1 e Pipes no Jornal Opção, atribuiu os episódios ao período de seca, que reduz o nível do Rio Tocantins no trecho da travessia.
Quando a água baixa demais, a operadora aciona a Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, conhecida como UHE Lajeado, para pedir mais vazão. Só com o rio mais alto a balsa volta a navegar sem tocar o fundo.
“Sempre que acontece isso, a gente entra em contato com eles. Eles pedem autorização para a operadora nacional do sistema para liberar mais água”, explicou Túlio Moura, representante da empresa.
Segundo ele, a água extra é liberada “para que o nível do rio suba”, e aí a travessia segue normalmente. Na prática, o ritmo da passagem de cargas pesadas depende de uma decisão tomada longe do rio.
Usina diz que segue o ONS e as condições hidrológicas da bacia
A Investco, empresa que opera a UHE Lajeado, informou em nota que a usina segue as diretrizes e a programação do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS.
Conforme a empresa, essa programação considera as condições hidrológicas da bacia do Rio Tocantins e as necessidades do Sistema Interligado Nacional.
A Investco acrescentou que mantém interlocução técnica com o ONS e com a empresa da travessia durante a estiagem, contribuindo com o controle do nível da água entre os dois municípios.
Ponte da BR-235 tem danos irreversíveis nas fundações desde julho
Os caminhões só dependem da balsa porque a ponte que liga Pedro Afonso a Tupirama, no km 164 da BR-235, foi parcialmente interditada por problemas graves na estrutura.
Laudos técnicos concluídos em julho confirmaram danos graves no concreto das fundações, com desgastes considerados irreversíveis, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT.
Em 24 de agosto, o órgão liberou parcialmente a pista para veículos leves. Na época, o DNIT avisou que a autorização não eliminava a necessidade de obras estruturais profundas na ponte.
Carros passam pela ponte, mas a carga pesada segue na balsa
Com a liberação parcial, carros de passeio voltaram a cruzar o rio pela ponte. Já o transporte de cargas pesadas continua proibido na estrutura, e a única saída é a travessia de balsa.
É exatamente esse público que fica exposto à seca. Quando o rio baixa, quem leva carga pesada pela BR-235 passa a depender do banco de areia e da vazão da usina.
Em nota, o DNIT informou que as restrições de tráfego na estrutura atual permanecem em vigor, mesmo depois dos dois encalhes registrados entre domingo e segunda-feira.
DNIT promete edital da nova ponte para esta sexta-feira, dia 23
De acordo com o DNIT, os estudos e projetos necessários para a construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins, entre Tupirama e Pedro Afonso, já foram concluídos.
A publicação do edital de licitação está prevista para sexta-feira, 23 de outubro. Até lá, nada muda para os caminhoneiros que precisam atravessar o rio com carga.
O órgão estima 28 meses de obra, contados a partir da ordem de serviço. Essa ordem só sai depois que a licitação terminar e o contrato for assinado com a empresa vencedora.
Limite de peso da ponte atual pode ser revisto com dados do monitoramento
Enquanto a nova ponte não sai do papel, o DNIT disse que vai iniciar um estudo com os dados coletados no monitoramento da estrutura atual para avaliar se é possível ampliar o limite de peso permitido.
O órgão não informou prazo para esse estudo. Também reforçou que o monitoramento da ponte antiga será mantido até a conclusão da nova, visando garantir a segurança de quem passa por ali.
Situações parecidas já travaram outras regiões do Norte, como no caso de caminhoneiros que seguem presos em balsas enquanto a Ponte Xambioá espera liberação, também no Tocantins.
Seca e ponte fechada somam o mesmo risco para quem vive de frete
O encalhe de domingo junta dois problemas numa só cena. A ponte não aguenta carga pesada, e a balsa que substitui a ponte não consegue navegar quando o Rio Tocantins baixa demais.
Fico imaginando quantas outras noites como a de Marcos Antônio ainda podem acontecer até a obra começar. Somando licitação, contrato e os 28 meses previstos, a espera passa de dois anos.
Os detalhes do caso e as notas da empresa e do DNIT foram publicados pelo g1 Tocantins e pelo Jornal Opção.
Você acha que caminhoneiro deveria esperar a nova ponte ou o DNIT precisa liberar a atual para carga pesada antes disso?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

