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Mina de ouro que já produziu 257 mil onças em Goiás pode voltar com operação subterrânea
Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/10/2026 às 14:24
Atualizado em 22/10/2026 às 14:25
Mineração
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Mineradora brasileira aposta na exploração de áreas profundas em Faina, planeja novas sondagens e busca ampliar suas reservas antes da construção de uma planta industrial.
Uma antiga mina de ouro localizada em Faina, no interior de Goiás, poderá voltar a produzir após anos sem atividade. A P.A. Gold prepara o Projeto Sertão, com previsão de iniciar a implantação industrial entre 2028 e 2029 e explorar áreas profundas de um depósito que já forneceu aproximadamente 257 mil onças do metal em operações anteriores.
O planejamento foi detalhado pelo diretor-geral Paulo Belo durante o Workshop Opex 2026, realizado em junho, em Belo Horizonte (MG), e divulgado pela Revista Minérios em 9 de outubro. A empresa pretende realizar mais de 20 mil metros de sondagens em 2026, enquanto avalia a capacidade do depósito para sustentar uma futura produção de aproximadamente 50 mil onças de ouro por ano.
Área de 15 mil hectares em Goiás reúne seis alvos minerais e uma antiga mina de ouro
A P.A. Gold anunciou oficialmente a aquisição dos direitos minerários do Projeto Faina em janeiro de 2026. O conjunto possui aproximadamente 15 mil hectares e reúne seis alvos de pesquisa, entre eles a Mina do Sertão.
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Segundo comunicado da mineradora, publicado em 14 de janeiro, a área já passou por diferentes empresas do setor mineral. A Troy Resources desenvolveu a operação original, que chegou a produzir aproximadamente 257 mil onças de ouro por meio de lavra a céu aberto.
Posteriormente, os direitos passaram pela Orinoco Gold, pela Pilar Gold e por um grupo de empresários goianos, antes da aquisição pela P.A. Gold. O valor pago pela transação não foi divulgado.
O histórico de produção é um dos elementos considerados na retomada. A empresa conhece a existência de mineralização aurífera na região, mas precisa investigar sua continuidade em profundidade e verificar quanto minério ainda pode ser extraído economicamente.
Na operação antiga, foram registrados teores de aproximadamente 25 gramas de ouro por tonelada de minério, conforme informações apresentadas por Paulo Belo.
O novo projeto trabalha com outra expectativa. A empresa procura mineralizações mais profundas, com teores estimados entre 5 e 7 gramas por tonelada, ainda sujeitos à confirmação pelos trabalhos de pesquisa.
P.A. Gold prepara 60 mil metros de sondagens para investigar ouro em profundidade
A campanha de sondagem será uma das etapas que determinarão o futuro da Mina do Sertão.
Em 2026, a P.A. Gold programou mais de 20 mil metros de perfurações para investigar a continuidade dos corpos mineralizados. Uma nova campanha de dimensão semelhante está prevista para 2027, segundo informações publicadas pela Revista O Empreiteiro.
O planejamento anunciado pela própria empresa prevê aproximadamente 60 mil metros de sondagens ao longo de vários anos.
Essas perfurações permitem retirar amostras de rocha em diferentes profundidades. O material segue para análises laboratoriais, que identificam a concentração de ouro e ajudam os geólogos a definir a geometria do depósito.
O objetivo é reunir informações suficientes para estimar a quantidade de minério disponível e avaliar a viabilidade da futura operação.
A mineradora informou que pretende alcançar uma reserva de aproximadamente 500 mil onças no conjunto do projeto. Trata-se de uma meta de pesquisa, não de uma reserva adicional já comprovada.
As características geológicas também orientarão a escolha dos equipamentos e o dimensionamento da planta de beneficiamento.
Na avaliação da empresa, a presença de mineralizações com teores entre 5 e 7 gramas por tonelada poderá permitir o processamento de volumes menores de minério para alcançar a produção planejada.
Nova mina subterrânea poderá produzir 50 mil onças de ouro por ano
A principal mudança prevista para o Projeto Sertão está no método de extração.
Enquanto a operação histórica utilizava cava a céu aberto, a P.A. Gold pretende desenvolver uma mina predominantemente subterrânea, direcionada à exploração de partes mais profundas do depósito.
Em reportagem publicada pela Revista Minérios em março de 2026, a companhia informou que considera utilizar o método de câmaras e pilares.
Nesse sistema, a extração cria espaços subterrâneos separados por pilares de rocha, que ajudam a sustentar a estrutura da mina.
A definição exige estudos sobre resistência das rochas, geometria do corpo mineral e segurança das escavações. O método também precisa ser compatível com os teores e a distribuição do minério.
A P.A. Gold trabalha com a possibilidade de iniciar a operação com cerca de 300 mil onças em reservas, quantidade que, segundo suas estimativas preliminares, permitiria aproximadamente seis anos de produção.
A companhia busca ampliar esse horizonte por meio da investigação dos demais alvos minerais existentes no projeto.
A mineração subterrânea de ouro já é empregada em outras regiões brasileiras, como na mina Cuiabá, da AngloGold Ashanti, em Sabará (MG), onde equipamentos mecanizados e sistemas de controle remoto fazem parte das operações.
Em Goiás, entretanto, a implantação da nova mina dependerá da conclusão das pesquisas, dos estudos de engenharia e das autorizações necessárias.
Mina em Mato Grosso produziu 35 mil onças em 2025 e serve de referência para expansão
Enquanto prepara o Projeto Sertão, a P.A. Gold mantém a produção no Complexo Paraíba, localizado em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso.
A operação produziu aproximadamente 35 mil onças de ouro em 2025, segundo os números apresentados pelo diretor-geral no Workshop Opex 2026.
O complexo já possui cerca de 21 quilômetros de galerias subterrâneas e combina extração mineral com uma estrutura própria de beneficiamento.
Em setembro de 2026, Leonardo Guimarães Oliveira, acionista e presidente do conselho da empresa, informou à Brasil Mineral que a reserva de Paraíba estava em aproximadamente 550 mil onças.
A companhia também trabalha na implantação de um circuito de processamento CIL, sigla em inglês para carbon-in-leach, processo que utiliza carvão ativado durante a recuperação do ouro.
Segundo Oliveira, a expectativa é elevar a recuperação global do metal dos atuais 90% para uma faixa entre 95% e 96%.
Na gestão ambiental, a P.A. Gold informa que utiliza filtragem e empilhamento a seco dos rejeitos produzidos no Complexo Paraíba.
O sistema permite separar parte da água dos resíduos do beneficiamento e encaminhar os sólidos para áreas de disposição projetadas para essa finalidade.
Na apresentação de outubro, a empresa informou que 89% da água utilizada na operação recircula no processo industrial.
A destinação de rejeitos também está associada a iniciativas de reaproveitamento de materiais da mineração, embora a recuperação de minerais presentes nos resíduos seja uma atividade diferente da simples filtragem.
A P.A. Gold pretende aproveitar a experiência adquirida em Mato Grosso no planejamento de sua nova operação em Goiás.
Plano para alcançar 150 mil onças até 2032 depende de uma terceira mina
O Projeto Sertão faz parte de um plano de expansão que vai além das duas operações já incorporadas ao portfólio da mineradora.
Durante o seminário Além das Onças, realizado em São Paulo em 22 de setembro de 2026, Leonardo Guimarães Oliveira explicou que a empresa pretende alcançar uma produção total de 150 mil onças de ouro por ano até 2032.
A meta considera três ativos com capacidade aproximada de 50 mil onças anuais cada: o Complexo Paraíba ampliado, o Projeto Sertão e uma terceira operação que a companhia ainda busca adquirir.
Portanto, as 150 mil onças representam uma projeção para o conjunto dos negócios, e não apenas para a futura mina de Faina.
A estratégia envolve a aquisição de depósitos com histórico de pesquisa e potencial conhecido, reduzindo a necessidade de começar projetos de exploração mineral inteiramente do zero.
Para empresas em expansão, transformar recursos geológicos em reservas economicamente exploráveis exige capital, estudos técnicos e tempo. O tema também aparece no debate sobre financiamento da pesquisa mineral no Brasil.
Em Faina, a preparação da futura operação já incluiu contatos com instituições locais. Em fevereiro de 2026, a P.A. Gold divulgou a contratação de três profissionais da região, dentro das atividades iniciais de estruturação.
A empresa também informou que cerca de 90% da equipe de exploração contratada até março era formada por moradores da região.
O cronograma apresentado prevê começar a construção da planta de processamento entre 2028 e 2029. O início da produção foi projetado para 2030 ou 2031, condicionado ao avanço da pesquisa e à implantação do empreendimento.
Até lá, os resultados das sondagens deverão indicar se a mineralização em profundidade poderá sustentar a capacidade pretendida de 50 mil onças anuais e ampliar a vida útil da futura mina.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

