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Navio brasileiro de 1910 que lutou na Primeira Guerra entra em projeto de R$ 28 milhões e pode receber propulsão híbrida elétrica
Escrito por Ana Alice
Publicado em 22/10/2026 às 22:36
Atualizado em 22/10/2026 às 23:00
Indústria Naval
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Rebocador-Museu Laurindo Pitta, construído em 1910, tem projeto de revitalização autorizado a captar até R$ 28,54 milhões e pode receber sistema híbrido em futura modernização naval.
O Rebocador-Museu Laurindo Pitta, construído em 1910 e único remanescente da força naval brasileira que participou da Primeira Guerra Mundial, entrou em uma nova etapa de preservação e modernização no Rio de Janeiro.
Um projeto de revitalização recebeu autorização para captar até R$ 28,54 milhões pela Lei Rouanet, enquanto a Emgepron conduz, em paralelo, uma consulta ao mercado para avaliar a futura instalação de um sistema de propulsão híbrida elétrica de menor assinatura de carbono na embarcação.
O valor de R$ 28,54 milhões não representa um repasse já realizado.
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A autorização permite que o Abrigo do Marinheiro busque patrocínios e doações incentivados dentro desse limite, com período de captação previsto entre 14 de outubro e 31 de dezembro de 2026.
O projeto cultural prevê restaurar o Laurindo Pitta e preservar a embarcação como patrimônio histórico.
Também estão previstas uma nova exposição de longa duração e visitas mediadas ao navio e ao espaço expositivo.
Emgepron avalia sistema híbrido para o Laurindo Pitta
Ao mesmo tempo, outra iniciativa pode alterar de forma significativa a parte técnica do rebocador.
A Empresa Gerencial de Projetos Navais, a Emgepron, publicou a Consulta Pública nº 002/2026, destinada a reunir subsídios técnicos, comerciais e de garantia da qualidade para uma futura contratação de empresa de engenharia responsável por implantar um Sistema de Propulsão Híbrida Elétrica no Laurindo Pitta.
A consulta não significa que a troca do sistema de propulsão já esteja contratada.
A própria Emgepron ressalta que o pedido de cotação não possui caráter vinculante e serve para obter informações que poderão embasar um processo futuro de contratação.
As empresas interessadas podem encaminhar propostas até 18 de novembro de 2026.
O cronograma também estabeleceu prazo até 29 de outubro para pedidos de esclarecimento.
A eventual contratação deverá seguir modelo EPC, sigla utilizada para projetos que concentram engenharia, aquisição de equipamentos e construção ou instalação em um mesmo escopo.
Discussão sobre motorização elétrica começou antes
A possibilidade de eletrificar parcialmente a propulsão do Laurindo Pitta não surgiu agora.
Em maio de 2025, representantes da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Diretoria de Engenharia Naval, Emgepron, Cluster Tecnológico Naval e PUC-Rio já haviam se reunido para discutir a viabilidade técnica de uma solução elétrica ou híbrida para o navio.
O debate reuniu indústria, academia e órgãos ligados à Marinha.
Na ocasião, a Diretoria de Engenharia Naval apresentou aspectos de viabilidade técnica, enquanto a Emgepron discutiu possíveis modelos de negócio.
A proposta voltou a aparecer em março de 2026 em reunião do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro, que citou um projeto de remotorização com propulsão elétrica híbrida e potencial para operação com emissão zero de CO₂ em determinadas condições.
Rebocador participou da Primeira Guerra Mundial
A modernização ganha outra dimensão pela idade e pelo histórico da embarcação.
O Laurindo Pitta foi construído na Inglaterra em 1910 por encomenda do governo brasileiro.
O rebocador possui 39 metros de comprimento, 8 metros de boca e deslocamento de 514 toneladas, além de velocidade máxima histórica de 11 nós, pouco mais de 20 km/h.
Em 1918, o navio integrou a Divisão Naval em Operações de Guerra, a DNOG, enviada pelo Brasil durante a Primeira Guerra Mundial.
Sua função não era participar diretamente dos combates, mas prestar apoio logístico à força brasileira.
Documentos da Marinha registram que o rebocador auxiliava na transferência de carvão, água destilada e outros suprimentos necessários às embarcações da divisão.
A DNOG atuou na região do Atlântico ligada à costa africana e a Cabo Verde durante o conflito.
Após a guerra, o Laurindo Pitta continuou ligado à Marinha.
A embarcação prestou serviços ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e à Base Naval do Rio de Janeiro e também teve atuação durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi empregada na defesa do Porto do Rio de Janeiro.
Navio deixou serviço ativo em 1959 e virou museu
O rebocador deixou o serviço ativo da Armada em 1959, mas continuou sendo utilizado durante décadas.
Na década de 1990, já enfrentava problemas decorrentes da idade de seus sistemas e chegou a ficar imobilizado antes de ser recuperado.
A restauração que permitiu sua transformação em navio-museu ocorreu no fim dos anos 1990.
O interior foi adaptado para receber visitantes, incluindo assentos e uma exposição dedicada à participação da Marinha brasileira na Primeira Guerra Mundial.
Desde então, a embarcação passou a realizar passeios pela Baía de Guanabara.
Mesmo com mais de um século de existência, o Laurindo Pitta continua passando por intervenções para preservar sua navegabilidade.
Em 2025, o rebocador foi docado no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro para manutenção depois de um intervalo de oito anos.
Naquele período, foram executados trabalhos de limpeza e inspeção do casco, verificação dos tanques, manutenção de hélices e linhas de eixo e serviços no quadro elétrico.
O navio voltou ao cais do Espaço Cultural da Marinha em dezembro de 2025 após a conclusão dos reparos previstos para aquela etapa.
Conversão híbrida ainda depende de futura contratação
A possível adoção de um sistema híbrido representa uma intervenção diferente da manutenção convencional.
Em vez de apenas conservar equipamentos existentes, a proposta estudada pela Emgepron envolve uma mudança tecnológica na forma como a embarcação poderá ser propulsionada.
Os detalhes finais do sistema ainda não estão definidos publicamente porque a consulta atual existe justamente para receber contribuições da indústria.
Portanto, não é possível afirmar neste momento qual será a potência instalada, quais equipamentos serão substituídos, qual será a autonomia elétrica ou quando uma eventual conversão será concluída.
Também não há indicação segura de que os R$ 28,54 milhões autorizados para captação cultural serão destinados especificamente ao sistema híbrido.
Os dois processos estão relacionados à preservação e modernização do mesmo navio, mas possuem instrumentos e objetivos administrativos distintos.
Enquanto o projeto cultural concentra-se na restauração e na nova estrutura museológica, a consulta da Emgepron busca informações para uma possível futura contratação de engenharia destinada à propulsão híbrida elétrica.
Hoje, o Laurindo Pitta permanece vinculado à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha e integra o Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro.
Além da exposição sobre sua participação na Primeira Guerra Mundial, a embarcação é utilizada em passeios marítimos pela Baía de Guanabara, passando por pontos como as ilhas Fiscal, das Cobras, das Enxadas e Villegagnon.
Se a futura remotorização avançar após a fase de consulta ao mercado, o rebocador de 1910 poderá combinar sua função de patrimônio histórico com uma tecnologia de propulsão desenvolvida mais de um século depois de sua construção, sem que a Emgepron tenha, até agora, divulgado contrato definitivo ou cronograma de instalação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

