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Marinha Portuguesa avança na construção de navio de 137 metros com autonomia de até 30 dias no mar
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 23/10/2026 às 19:33
Atualizado em 23/10/2026 às 20:00
Indústria Naval
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Marinha Portuguesa avança na construção do NRP Fernando Pessoa, navio de 137 metros com propulsão híbrida e entrega prevista para 2028.
A Marinha Portuguesa deu mais um passo na construção do futuro NRP Fernando Pessoa, navio de reabastecimento e apoio logístico que deverá ser entregue em 2028. No dia 20 de outubro de 2026, o primeiro bloco da quilha da embarcação foi assentado no estaleiro ADA Shipyard, em Tuzla, na região de Istambul, na Turquia. Com 137 metros de comprimento e autonomia de até 30 dias no mar, o navio será utilizado para transportar suprimentos e apoiar diferentes operações navais.
O Fernando Pessoa será a segunda unidade do programa português de Navios Reabastecedores de Esquadra e Logísticos, desenvolvido para ampliar a capacidade de sustentação das forças navais durante missões prolongadas.
A cerimônia que marcou o avanço da construção foi presidida pelo chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa. Também participaram o comandante da Esquadra turca, almirante Kadir Yıldız, representantes militares, autoridades civis e profissionais envolvidos no projeto.
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Novo navio terá propulsão híbrida e alcance superior a 14 mil milhas náuticas
O NRP Fernando Pessoa foi projetado para combinar capacidade de transporte com desempenho em viagens de longa duração. Além dos 137 metros de comprimento, terá 19,10 metros de boca, calado de projeto de 6,70 metros e deslocamento de 11 mil toneladas.
Seu sistema de propulsão utilizará motores a diesel e tecnologia elétrica. Com o acionamento a diesel, a embarcação poderá superar os 18 nós de velocidade máxima, enquanto a operação elétrica permitirá atingir mais de 6 nós.
A velocidade de cruzeiro prevista é de 14 nós. Nesse ritmo, o navio terá alcance superior a 14 mil milhas náuticas, característica que, somada à autonomia de até 30 dias de operação contínua, permitirá apoiar atividades navais por períodos prolongados.
Essas características fazem parte de um projeto que busca oferecer maior flexibilidade à Marinha Portuguesa, permitindo o emprego da embarcação em diferentes tipos de missão.
Abastecimento de navios e transporte de suprimentos estão entre as principais funções
Uma das atribuições centrais do Fernando Pessoa será garantir apoio logístico a outras embarcações durante operações no mar.
Assim como o NRP Luís de Camões, primeira unidade do programa, o novo navio terá condições de transportar e transferir combustível, água potável, cargas e munições, contribuindo para a continuidade das atividades de forças navais.
O projeto contempla diferentes espaços de armazenamento e transporte, com capacidades que incluem:
- 650 m³ de água doce;
- seis contêineres de 20 pés;
- 4.000 m³ de combustível naval F-76;
- até 20 veículos táticos blindados leves;
- 350 m³ de combustível de aviação F-44;
- 700 m³ de carga geral.
O transporte de munições também está previsto entre as funções logísticas da embarcação.
Além de atender às necessidades de abastecimento, essa estrutura permitirá apoiar operações que envolvam o deslocamento de equipamentos e materiais para diferentes atividades navais.
Helicópteros, drones e apoio médico ampliam as possibilidades de operação
O Fernando Pessoa não ficará restrito ao transporte de suprimentos. A embarcação também contará com recursos destinados a missões de vigilância, salvamento e assistência humanitária.
Na área de aviação embarcada, o projeto inclui uma plataforma para operações com helicópteros e estrutura para utilização de veículos aéreos não tripulados. Os drones terão um hangar dedicado, permitindo seu emprego em atividades de observação, apoio logístico e outras operações.
O navio também poderá participar de ações de busca e salvamento, evacuação de cidadãos e atendimento a emergências. Para essas situações, terá capacidade de apoio médico, ampliando sua utilização em crises humanitárias e catástrofes.
Outra função prevista é a de comando e controle. Com esses recursos, a embarcação poderá auxiliar na coordenação de operações navais e prestar suporte a forças-tarefa.
Guarnição de 50 militares poderá receber equipes adicionais
A operação cotidiana do NRP Fernando Pessoa ficará a cargo de uma tripulação básica de 50 militares.
Entretanto, a estrutura de alojamento foi planejada para permitir o embarque de outras pessoas, conforme as necessidades de cada missão. Isso possibilitará receber equipes de apoio e contingentes temporários envolvidos em atividades específicas.
Essa flexibilidade será importante em operações anfíbias, assistência humanitária, evacuações e outras situações que exijam a presença de profissionais além da guarnição habitual.
A combinação entre capacidade logística, transporte de pessoal, apoio médico e recursos de aviação embarcada permitirá à Marinha Portuguesa utilizar o navio em atividades militares e operações de resposta a emergências.
Construção do Fernando Pessoa acompanha avanço do primeiro navio do programa
O programa dos novos navios de apoio logístico é conduzido pela STM, responsável pelo acordo assinado em Lisboa em 17 de dezembro de 2024.
A primeira embarcação, o NRP Luís de Camões, iniciou sua trajetória de construção com o corte da primeira chapa em novembro de 2025. Em janeiro de 2026, ocorreu o assentamento de sua quilha.
Já o Fernando Pessoa teve o aço cortado em 18 de junho de 2026, antes de alcançar, em outubro, a etapa de instalação do primeiro bloco da quilha.
Dessa forma, o programa passa a contar com suas duas unidades em construção, aproximando a Marinha Portuguesa da ampliação planejada de sua estrutura de apoio logístico.
O cronograma da STM estabelece a intenção de lançar os dois navios ao mar em 2027, com entregas previstas para 2028. Para o NRP Fernando Pessoa, especificamente, a expectativa da Marinha Portuguesa é receber a embarcação no final de 2028.
Quando entrarem em serviço, os novos navios deverão reforçar a autonomia logística da força naval portuguesa e sua capacidade de apoiar operações prolongadas no Atlântico.
As embarcações também foram concebidas para contribuir com a participação de Portugal em missões marítimas da OTAN e atividades conjuntas com forças aliadas, ampliando as possibilidades de cooperação e sustentação de operações navais.
Fonte
Poder Naval
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

