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Dólar dispara 12,2% e chega a R$ 5,60, negociações são interrompidas temporariamente, Bolsa aciona circuit breaker e Tesouro cancela leilões de títulos públicos previstos para esta semana
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 26/10/2026 às 11:18
Atualizado em 26/10/2026 às 11:20
Economia
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Mercado financeiro brasileiro registra forte turbulência na primeira sessão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. B3 interrompe negociações após queda de 10% no Ibovespa, enquanto o Tesouro mantém apenas o leilão de LFT previsto para terça-feira.
O dólar comercial disparou 12,2% e atingiu R$ 5,60 na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, em meio a uma forte reação do mercado financeiro brasileiro ao resultado das eleições presidenciais. A instabilidade provocou interrupções nas negociações da moeda e levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker, que suspende temporariamente as operações na Bolsa quando o Ibovespa sofre quedas acentuadas.
O movimento também alcançou o mercado de títulos públicos. O Tesouro Nacional decidiu cancelar os leilões tradicionais de papéis prefixados e indexados a índices de preços programados para esta semana, mantendo apenas a oferta de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) prevista para terça-feira (27).
Os acontecimentos foram registrados pelo Terra, em atualização publicada às 10h55 de 26 de outubro, com informações da Reuters e comunicados da B3 e do Tesouro Nacional.
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A turbulência ocorreu na primeira sessão de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). A perspectiva de uma reação negativa do mercado já era considerada por analistas, mas a intensidade das oscilações levou ao acionamento de mecanismos de proteção das negociações.
Dólar sobe 12,2% e atinge R$ 5,60 após interrupção das negociações
A moeda americana iniciou a sessão com valorização expressiva diante do real. Logo na abertura, o dólar comercial registrou alta de 8,62%, suficiente para atingir o limite de oscilação que provoca a interrupção temporária das negociações.
A suspensão ocorreu como parte dos mecanismos de controle utilizados pelo mercado para lidar com variações bruscas de preços.
Quando as operações foram retomadas, a pressão de compra continuou e a cotação avançou até R$ 5,60, com valorização de 12,2%.
O movimento significa que o dólar ficou substancialmente mais caro em relação ao real na comparação com o fechamento anterior.
Uma valorização dessa magnitude pode alterar rapidamente as condições de operações financeiras que dependem da moeda americana, especialmente contratos internacionais e negociações relacionadas ao câmbio.
Entretanto, a cotação registrada durante a manhã não representa necessariamente o valor de fechamento do dia. O dólar pode continuar oscilando ao longo da sessão conforme as condições de oferta e demanda.
Bolsa brasileira suspende negociações após queda de 10% no Ibovespa
A forte pressão também atingiu o mercado de ações.
A B3 acionou o mecanismo de circuit breaker no início do pregão, após o Ibovespa alcançar queda de 10% em relação ao fechamento anterior.
O Ibovespa reúne ações de empresas negociadas na Bolsa brasileira e funciona como um dos principais indicadores do desempenho do mercado acionário nacional.
Quando o índice registra uma queda suficientemente intensa, o mecanismo de proteção suspende temporariamente as negociações, permitindo uma interrupção das operações em um momento de volatilidade elevada.
A primeira suspensão ocorre quando a desvalorização atinge 10%. Pelas regras da B3, a interrupção inicial tem duração prevista de 30 minutos.
Caso as negociações sejam retomadas e o Ibovespa alcance uma queda de 15% em relação ao fechamento anterior, uma segunda suspensão poderá ocorrer, desta vez por uma hora.
Se a perda chegar a 20% depois da retomada, a Bolsa poderá determinar outra interrupção, com duração definida pela própria B3.
Esses limites são aplicados ao índice de referência e não significam que todas as ações precisam apresentar exatamente a mesma desvalorização.
Ibovespa futuro chegou a indicar queda superior a 17%
Antes da abertura do pregão regular, o mercado futuro já apresentava sinais de forte pressão sobre as ações brasileiras.
O Ibovespa futuro registrava queda superior a 17%, antecipando um cenário de desvalorização acentuada para o início das negociações.
Os contratos futuros são utilizados por investidores para negociar expectativas sobre o comportamento de um índice em uma data posterior. Suas oscilações podem indicar o sentimento predominante no mercado antes da abertura das operações à vista.
Uma queda expressiva nesse segmento não significa, porém, que o Ibovespa à vista necessariamente encerrará a sessão com a mesma variação.
A diferença entre os dois mercados é importante porque os contratos futuros e as ações negociadas diretamente na Bolsa possuem dinâmicas próprias.
Na sessão desta segunda-feira, a pressão observada no mercado futuro foi acompanhada por queda suficiente no Ibovespa à vista para provocar o acionamento do circuit breaker.
Tesouro Nacional cancela leilões de títulos prefixados e indexados à inflação
A instabilidade também levou o Tesouro Nacional a alterar sua programação de emissão de títulos públicos.
O órgão anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos prefixados e daqueles indexados a índices de preços previstos para a semana de 26 de outubro.
A decisão afeta operações utilizadas pelo governo federal para colocar títulos da dívida pública no mercado.
Os títulos prefixados possuem condições de remuneração definidas no momento da emissão, enquanto os indexados a índices de preços oferecem remuneração vinculada à inflação, conforme as características de cada papel.
Em períodos de volatilidade intensa, a formação dos preços desses ativos pode sofrer alterações relevantes, tornando mais complexas as condições de negociação.
Apesar dos cancelamentos, o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) previsto para terça-feira, 27 de outubro, foi mantido.
As LFT são títulos públicos cuja remuneração acompanha a taxa Selic, característica diferente da encontrada nos papéis prefixados.
A decisão representa uma alteração pontual do calendário de leilões tradicionais, não um anúncio de suspensão geral das negociações com títulos públicos.
Tesouro afirma que continuará acompanhando as condições de mercado
O cancelamento dos leilões foi acompanhado de um comunicado sobre o monitoramento da instabilidade financeira.
“O Tesouro Nacional continuará monitorando as condições de mercado e atuará de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e de outros ativos relacionados”, informou o órgão.
A declaração indica que novas decisões poderão considerar o comportamento dos preços e das negociações durante os próximos dias.
O cancelamento de leilões de emissão também não significa que o governo tenha interrompido o pagamento de títulos existentes ou alterado unilateralmente seus vencimentos.
As medidas anunciadas dizem respeito às operações de oferta de determinados papéis ao mercado, diante da volatilidade registrada nesta segunda-feira.
Reeleição de Lula provoca reação negativa no mercado financeiro
A sessão de 26 de outubro ocorre imediatamente após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
A reação negativa dos investidores já era considerada uma possibilidade antes da abertura do mercado.
O resultado eleitoral passou a integrar as expectativas dos participantes sobre o cenário econômico brasileiro, incluindo as perspectivas para a política fiscal e as condições de investimento.
Movimentos dessa natureza podem aparecer simultaneamente no câmbio, na Bolsa e no mercado de títulos públicos, embora cada segmento responda a fatores específicos.
A elevação do dólar, a queda do Ibovespa e a mudança na programação do Tesouro ocorreram no mesmo contexto de forte volatilidade.
Isso não significa, entretanto, que todas as oscilações possam ser explicadas exclusivamente pelo resultado eleitoral. O comportamento dos preços também depende das negociações realizadas pelos investidores e das condições de liquidez dos mercados.
O que acontece depois da suspensão da Bolsa e dos leilões?
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O acionamento do circuit breaker não encerra automaticamente o pregão. O mecanismo estabelece uma interrupção temporária, seguida de retomada conforme os critérios operacionais da B3.
A possibilidade de novas suspensões depende da intensidade de eventuais quedas adicionais do Ibovespa.
No mercado de câmbio, as negociações também podem apresentar novas oscilações ao longo do dia, sem que o patamar de R$ 5,60 represente necessariamente a cotação definitiva da sessão.
Para o Tesouro Nacional, a próxima operação mantida no calendário é o leilão de LFT previsto para terça-feira (27). Os leilões tradicionais de títulos prefixados e indexados a índices de preços desta semana foram cancelados.
Até a atualização das 10h55, a manhã de 26 de outubro já havia registrado três movimentos de destaque: alta de 12,2% do dólar, acionamento do circuit breaker após queda de 10% do Ibovespa e cancelamento de leilões tradicionais da dívida pública.
A evolução das negociações após a reabertura da Bolsa e o comportamento do câmbio nas horas seguintes serão decisivos para determinar a dimensão final da turbulência no mercado brasileiro.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

