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Quem tem gás encanado no Espírito Santo vê a tarifa média subir 7,86% em 1º de novembro, e o metro cúbico de quem tem medidor individual passa de R$ 3,3884 para R$ 3,6130 sem impostos
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 27/10/2026 às 11:55
Atualizado em 27/10/2026 às 11:56
Petróleo e Gás
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O gás encanado fica mais caro no Espírito Santo a partir de 1º de novembro: a ARSP homologou um reajuste de 7,86% na tarifa média da ES Gás, e quem tem medidor individual em casa ou apartamento paga mais pelo metro cúbico até o fim de janeiro de 2027.
A decisão foi tomada pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo, a ARSP, e atende ao reajuste trimestral pedido pela concessionária ES Gás, segundo reportagem da revista ES Brasil publicada nesta segunda-feira (26).
Na média, sem tributos, a tarifa sai de R$ 2,8595 para R$ 3,0842 por metro cúbico. É essa conta que resulta nos 7,86% de alta homologados pela agência para o gás canalizado no estado.
A decisão foi assinada em 20 de outubro e vale até 31 de janeiro
O reajuste foi oficializado pela Decisão ARSP/DG nº 007, assinada em 20 de outubro pela diretora de Gás Canalizado e Energia da agência, Débora Cristina Niero. A nova tabela entra em vigor no primeiro dia de novembro.
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Os valores ficam de pé até 31 de janeiro de 2027. Depois disso vem a próxima revisão, porque o ciclo no Espírito Santo é trimestral, com ajustes previstos em fevereiro, maio, agosto e novembro de cada ano.
Na prática, isso quer dizer que a conta de dezembro e a de janeiro já chegam com a tabela nova. Quem tem fogão, aquecedor ou secadora a gás encanado sente o efeito justamente nos meses de festas e férias.
Para o medidor individual, o metro cúbico passa de R$ 3,3884 para R$ 3,6130
A medição individual é o caso mais comum em casas e em apartamentos novos. Para esse cliente, o valor fixo mensal não muda e continua entre R$ 15,12 e R$ 35,29, conforme a faixa de consumo.
O que sobe é a parte variável, cobrada por metro cúbico. Ela vai de R$ 3,3884 para R$ 3,6130 sem tributos, em todas as faixas. Pelas tabelas oficiais, a ES Brasil calculou alta de cerca de 6,6% nesse preço.
Ou seja, o percentual que o morador vê no metro cúbico é menor que os 7,86% da tarifa média. A diferença acontece porque a média junta todas as categorias de cliente atendidas pela concessionária, não só as residências.
Uma casa que gasta 10 metros cúbicos paga R$ 2,25 a mais antes dos impostos
A reportagem fez a conta para uma residência com medição individual que consome 10 metros cúbicos por mês, enquadrada na faixa com taxa fixa de R$ 16,13. É um exemplo, não a média do estado.
Essa casa pagava cerca de R$ 50,01 sem impostos até outubro. Com a tabela de novembro, passa a pagar cerca de R$ 52,26, também sem tributos. A diferença fica em R$ 2,25 por mês nesse cenário.
Os tributos entram depois, aplicados pela concessionária sobre esses valores, de acordo com a legislação. Por isso o número final impresso na fatura será maior do que os valores calculados sem imposto.
No prédio com medidor coletivo, o metro cúbico vai a R$ 4,6213
Quem mora em condomínio com medição coletiva tem outra tabela. Para a faixa de até 60 metros cúbicos, o preço passa a R$ 4,6213 por metro cúbico, e a taxa fixa continua em R$ 30,25.
Nesse caso, a conta costuma chegar ao condomínio e ser rateada entre os apartamentos. O síndico que fecha o orçamento de 2027 agora já tem o preço que vale até o fim de janeiro.
A conta de recuperação com Petrobras e Galp explica a maior parte da alta
Segundo o parecer técnico da ARSP que embasou a decisão, o principal fator foi a chamada parcela de recuperação. Ela compensa a diferença acumulada entre o que a ES Gás cobrou dos clientes e o que pagou aos fornecedores.
Os fornecedores citados são a Petrobras e a Galp. Quando o custo do gás comprado fica acima do que foi repassado na tarifa, a diferença vai sendo acumulada e volta para o consumidor nos reajustes seguintes.
Essa parcela saltou de R$ 0,0193 para R$ 0,1787 por metro cúbico, de acordo com o parecer citado pela ES Brasil. É um aumento de mais de nove vezes num único componente da tarifa.
A molécula subiu 3,45% e o transporte caiu 0,26%
Os outros componentes andaram menos. O custo da molécula do gás, que é o produto em si, subiu 3,45%. Já o custo de transporte pelos gasodutos até o estado caiu 0,26% no mesmo cálculo.
A margem de distribuição da concessionária, que remunera a operação da rede, ficou igual, em R$ 0,4794 por metro cúbico. Em outras palavras, a ES Gás não aumentou a parte que fica com ela neste trimestre.
O movimento é o oposto do registrado há um ano, quando o gás encanado ficou mais barato no Espírito Santo em novembro. Quem compara a fatura com a do ano passado vai ver a direção invertida.
O preço do gás também está em debate no regulador federal
A ES Brasil trata o reajuste como um efeito das contas da própria concessionária. No plano nacional, a Agência Nacional do Petróleo adiou para 19 de novembro a audiência pública sobre o programa Gas Release.
A proposta prevê que a Petrobras venda parte do gás de que é titular em leilões, para aumentar a concorrência. A estatal disse, em nota, que o adiamento favorece uma decisão mais qualificada. O CPG já mostrou como o gás natural canalizado entra na conta dos condomínios residenciais em Sergipe.
Novas regras de corte e religação já valem desde setembro
Além do reajuste, a ARSP aprovou em setembro a Resolução nº 114, com as novas condições gerais do serviço de gás canalizado no estado. Ela mexe em pontos que interessam a quem atrasa a conta.
Pelo texto, o corte de clientes residenciais por falta de pagamento só pode ocorrer depois de 30 dias de atraso, com aviso prévio de pelo menos cinco dias. E o corte não pode ser feito às sextas, nos fins de semana nem em vésperas de feriado.
A religação, segundo a resolução, deve ocorrer em até um dia útil depois do pedido. Os documentos completos da decisão tarifária e da resolução estão disponíveis no site da agência reguladora capixaba.
Panela tampada e chama azul ajudam a segurar a fatura
Com o gás mais caro, a própria reportagem lembra hábitos simples. Usar panela tampada e do tamanho da boca do fogão evita desperdiçar chama, e a chama regulada deve ficar azul, sem passar do fundo da panela.
Para quem tem aquecedor a gás, reduzir o tempo de banho e manter o equipamento revisado faz diferença. Acompanhar a leitura do medidor e comparar o consumo mês a mês na fatura ajuda a perceber exageros cedo.
Dá pra entender por que dois reais por mês parecem pouco numa casa pequena. Num restaurante, numa padaria ou num condomínio grande, a mesma alteração por metro cúbico multiplica rápido e pesa no caixa.
Na sua casa, o gás encanado já pesa no orçamento ou o botijão ainda sai mais em conta no fim do mês?
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Fontes
Gás encanado: tarifa sobe 7,86% no ES a partir de novembro
Adiamento do Gas Release favorece debate e decisão qualificada
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

