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Nova biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia vai transformar óleo de plantas em combustível para aviões e caminhões, com produção de 1 bilhão de litros por ano
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 27/10/2026 às 15:43
Biocombustíveis Renováveis
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Biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros anuais de combustíveis renováveis a partir de 2029.
Uma nova fábrica vai transformar óleos vegetais em combustíveis para aviões e caminhões na Bahia. O projeto prevê uma produção capaz de alcançar 1 bilhão de litros por ano, utilizando matérias-primas como soja, óleo de cozinha usado e macaúba, uma palmeira nativa brasileira. Segundo a Acelen Renováveis, que anunciou o empreendimento em maio de 2026, foram estruturados US$ 1,5 bilhão para iniciar a construção da unidade em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano.
A operação está prevista para 2029 e faz parte de um projeto industrial e agrícola que deverá receber investimentos superiores a US$ 3 bilhões.
Fábrica de US$ 1,5 bilhão será construída no Recôncavo Baiano
A Acelen Renováveis escolheu uma área industrial existente em São Francisco do Conde para instalar a nova biorrefinaria. O município abriga a Refinaria de Mataripe, uma das maiores instalações de processamento de petróleo do Brasil.
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A empresa pertence ao Mubadala Capital, grupo de investimentos sediado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Embora tenha ligação com o mesmo grupo empresarial, a Acelen Renováveis é independente da companhia responsável pela Refinaria de Mataripe.
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O empreendimento foi planejado para produzir combustíveis renováveis destinados ao transporte aéreo e rodoviário. A nova unidade deverá receber matérias-primas agrícolas e transformá-las em produtos utilizados por motores.
Investimento total poderá superar US$ 3 bilhões com expansão agrícola
Os US$ 1,5 bilhão anunciados representam os recursos estruturados para iniciar a implantação industrial. Parte do valor será financiada por um grupo de instituições brasileiras e internacionais.
A operação financeira conta com a participação do HSBC e da International Finance Corporation (IFC), instituição ligada ao Banco Mundial. Também participam bancos como BNDES, Bradesco, BBVA e Bank of China.
O investimento total da primeira unidade integrada será superior a US$ 3 bilhões, considerando a biorrefinaria e as atividades agrícolas necessárias ao fornecimento de matéria-prima.
Essa estrutura envolve plantações, extração de óleo e processamento de produtos derivados da macaúba.
Unidade terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros por ano
A biorrefinaria foi projetada para fabricar dois combustíveis: SAF, utilizado na aviação, e HVO, conhecido como diesel renovável.
A capacidade anunciada é de 1 bilhão de litros anuais, considerando a produção conjunta dos dois combustíveis. Isso não significa 1 bilhão de litros de cada produto.
O volume efetivamente fabricado dependerá do funcionamento da unidade e do fornecimento de óleos vegetais.
Segundo a empresa, aproximadamente 90% da comercialização prevista dos combustíveis já estava estruturada e contratada em maio de 2026.
Entre os parceiros comerciais anunciados estão Trafigura, Moeve, Bunge e BGN, empresas que atuam em diferentes segmentos do mercado internacional de energia e matérias-primas.
Macaúba será cultivada em 144 mil hectares para abastecer a indústria
Uma parte importante do projeto começa no campo. A Acelen Renováveis pretende cultivar macaúba em 144 mil hectares de áreas degradadas, com o objetivo de produzir óleo para a indústria.
A macaúba é uma palmeira nativa do Brasil. Seus frutos possuem óleo que pode ser aproveitado na fabricação de combustíveis renováveis.
A companhia prevê destinar 20% da área de cultivo a parcerias com agricultores familiares e pequenos produtores. Isso corresponde a aproximadamente 28,8 mil hectares.
O plano também contempla a extração e o aproveitamento industrial dos produtos obtidos da planta. Além da macaúba, a fábrica poderá utilizar óleo de soja e óleo de cozinha usado.
Tecnologia HEFA vai transformar óleos vegetais em combustível de aviação
Dentro da futura biorrefinaria, os óleos passarão por um processo industrial conhecido como HEFA.
Essa tecnologia utiliza hidrogênio e reações químicas para transformar óleos e gorduras em componentes adequados à fabricação de combustíveis.
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Depois do processamento, os produtos precisam atender a normas técnicas específicas para serem comercializados.
O SAF é desenvolvido para substituir parte do querosene de aviação de origem fóssil. Seu uso precisa respeitar os padrões de segurança e as regras aplicáveis aos motores das aeronaves.
A tecnologia HEFA já é utilizada internacionalmente e permite trabalhar com diferentes matérias-primas, desde que sejam adequadas ao processo industrial.
Diesel renovável também poderá abastecer caminhões e máquinas
Além do combustível para aviões, a biorrefinaria produzirá HVO, conhecido como diesel renovável.
Esse combustível possui composição diferente da encontrada no biodiesel tradicional. Sua estrutura química é semelhante à do diesel produzido a partir de petróleo.
O HVO pode ser usado em motores e aplicações compatíveis, conforme as especificações técnicas e as regras de cada mercado.
Entre os possíveis consumidores estão empresas de transporte rodoviário, operadores de máquinas e atividades industriais que utilizam motores a diesel.
A produção planejada na Bahia poderá atender compradores brasileiros e estrangeiros. O destino comercial dependerá dos contratos firmados e das condições de mercado.
Nova legislação brasileira cria demanda por combustíveis sustentáveis na aviação
O Brasil aprovou, em 2024, a Lei do Combustível do Futuro. A legislação estabeleceu medidas para incentivar combustíveis com menores emissões de gases de efeito estufa.
No setor aéreo, o programa determina que operadores abrangidos pelas regras reduzam suas emissões domésticas a partir de 2027.
A meta inicial é de 1%, com aumento gradual até alcançar 10% em 2037. Esses percentuais representam redução de emissões, não uma obrigação de misturar a mesma proporção de SAF em todos os voos.
O programa foi regulamentado em agosto de 2026 e contará com regras de certificação e fiscalização.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o SAF pode reduzir em até 80% as emissões ao longo de seu ciclo de vida, dependendo da matéria-prima e do processo produtivo.
Construção poderá gerar 3,6 mil empregos diretos e indiretos
A implantação da unidade deverá mobilizar trabalhadores da construção civil, montagem industrial, engenharia e serviços de apoio.
A Acelen Renováveis estima aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos no período de maior atividade das obras.
Esse número se refere à fase de construção, não ao quadro permanente de funcionários após a entrada em operação.
A companhia também divulgou projeções de um estudo da Fundação Getulio Vargas sobre os efeitos econômicos da cadeia integrada.
As estimativas apontam movimentação potencial de até US$ 40 bilhões na economia brasileira e geração de aproximadamente 85 mil empregos diretos e indiretos ao longo de dez anos.
Esses números são projeções, condicionadas à implantação e ao desenvolvimento das atividades previstas.
Produção agrícola e fornecimento de óleo serão desafios para a fábrica
Para produzir combustíveis em grande escala, a biorrefinaria precisará receber matérias-primas continuamente.
O fornecimento dependerá de plantações, sistemas de extração, transporte e armazenamento. Qualquer dificuldade nessas etapas poderá afetar a produção.
A expansão da macaúba exigirá investimentos em mudas, manejo agrícola e equipamentos. A produtividade das plantações também terá influência sobre os custos.
A empresa pretende utilizar áreas degradadas, mas a expansão agrícola precisará cumprir as exigências ambientais e de uso do solo.
Outro desafio será a competitividade dos combustíveis renováveis diante das alternativas de origem fóssil.
Operação prevista para 2029 dependerá da conclusão das obras
O cronograma anunciado pela Acelen Renováveis estabelece 2029 como o ano previsto para o início da operação comercial.
Antes disso, será necessário concluir a construção, instalar os equipamentos e testar os sistemas industriais.
A empresa informou que a engenharia integrada estava concluída quando anunciou a estruturação financeira, em maio de 2026.
A cadeia agrícola também precisará avançar para garantir o abastecimento da unidade.
Até outubro de 2026, o empreendimento permanece como projeto em implantação. A capacidade de 1 bilhão de litros anuais corresponde à produção planejada, e não a um volume já disponível no mercado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

