Faça um comentário
6 min de leitura
Ibama autoriza perfuração de até 9 poços de petróleo no campo de Atlanta, na Bacia de Santos, e Brava prepara nova campanha no mar
Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/10/2026 às 23:03
Atualizado em 28/10/2026 às 23:31
Petróleo e Gás
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Uma nova etapa de perfuração se aproxima no litoral brasileiro, envolvendo autorizações ambientais, equipamentos utilizados em águas profundas e metas de produção que fazem parte do planejamento da Brava Energia para os próximos meses.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu à Brava Energia autorização para perfurar até nove poços de petróleo no campo de Atlanta, localizado na Bacia de Santos, em águas profundas do litoral brasileiro.
A licença de operação foi emitida na sexta-feira (23), em outubro de 2026, e permite à petroleira avançar com uma nova etapa de desenvolvimento do campo. Inicialmente, a empresa pretende perfurar dois poços produtores, com atividades previstas para começar ainda neste ano.
Os novos poços, identificados como ATL-9H e ATL-10H, fazem parte de uma campanha integrada que também envolve o campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos. A expectativa da Brava é que a produção adicional em Atlanta comece no primeiro semestre de 2027.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A autorização foi noticiada pela Brasil Energia, em 27 de outubro. A campanha utilizará a sonda Lone Star, operada pela Constellation, que atualmente conclui trabalhos no campo de Papa-Terra antes de seguir para a Bacia de Santos.
Brava prevê dois novos poços em Atlanta com produção de até 20 mil barris por dia
Embora a licença ambiental contemple até nove perfurações, o planejamento atual da Brava está concentrado em dois novos poços produtores no campo de Atlanta.
A companhia estima que, juntos, ATL-9H e ATL-10H poderão acrescentar entre 15 mil e 20 mil barris de petróleo por dia à produção do ativo, conforme informações apresentadas pelo diretor de Operações Offshore, Carlos Travassos.
Em entrevista à Agência iNFRA, publicada em 26 de outubro e atualizada no dia seguinte, o executivo explicou que a autorização ambiental era necessária para iniciar a próxima etapa da campanha.
“Dependíamos dessa licença para começar a perfurar em Atlanta”, afirmou Travassos ao comentar o andamento do projeto.
A previsão é que a sonda seja deslocada para o campo ainda em 2026, depois da conclusão das atividades que estão sendo executadas em Papa-Terra.
A perfuração será seguida pelas operações de completação e interligação dos poços ao sistema de produção existente. Essas etapas envolvem a preparação das estruturas submarinas necessárias para transportar o petróleo extraído até a unidade responsável pelo processamento.
O cronograma divulgado pela empresa estabelece a entrada em produção dos dois poços de Atlanta no segundo trimestre de 2027, período compreendido entre abril e junho.
Os volumes estimados representam uma expectativa de produção adicional associada aos novos poços, cujo desempenho dependerá da conclusão das operações e das condições encontradas durante seu desenvolvimento.
Sonda Lone Star será transferida de Papa-Terra para a Bacia de Santos
A campanha de Atlanta faz parte de um projeto anunciado pela Brava Energia em março de 2026, que reúne a perfuração de quatro poços em dois campos marítimos.
O planejamento começou por Papa-Terra, localizado na Bacia de Campos, onde a sonda Lone Star iniciou os trabalhos nos poços PPT-52 e PPT-53.
Em 29 de setembro de 2026, a companhia anunciou que o PPT-52 havia começado a produzir petróleo, após receber a autorização necessária do Ibama.
O poço entrou inicialmente em uma fase de estabilização do fluxo produtivo. Segundo a própria Brava, sua perfuração alcançou 4.220 metros de profundidade total, com um trecho lateral de 1.471 metros.
A entrada em operação foi confirmada em comunicado oficial da Brava Energia, publicado na mesma data.
Enquanto isso, os trabalhos no PPT-53 avançaram para a etapa de completação. Na atualização divulgada em outubro, Carlos Travassos informou que a Lone Star estava concluindo essa atividade antes da transferência para Atlanta.
A utilização de uma mesma sonda nos dois campos faz parte do planejamento operacional da petroleira, que também prevê o compartilhamento de fornecedores e de recursos utilizados nas atividades submarinas.
Em comunicado de março, a Brava informou que a campanha conta com a participação de empresas como McDermott, SLB, Baker Hughes, OneSubsea e Prysmian, responsáveis por diferentes serviços e equipamentos relacionados ao projeto.
O planejamento original destinava os primeiros meses de 2026 às operações em Papa-Terra, deixando a etapa de Atlanta para a sequência da campanha.
Campo de Atlanta já possui plataforma com capacidade para 50 mil barris de petróleo por dia
O campo de Atlanta está localizado no bloco BS-4, na Bacia de Santos, em uma região com aproximadamente 1.500 metros de lâmina d’água.
A Brava Energia é a operadora do ativo e possui 80% de participação no empreendimento. Os outros 20% pertencem à Westlawn Americas Offshore.
A produção ocorre por meio do FPSO Atlanta, uma unidade flutuante destinada à produção, ao armazenamento e à transferência de petróleo.
O navio-plataforma tem capacidade para produzir até 50 mil barris de petróleo por dia, além de armazenar aproximadamente 1,3 milhão de barris, segundo as informações institucionais da operadora.
O sistema definitivo de produção entrou em operação no final de dezembro de 2024, substituindo gradualmente a estrutura utilizada anteriormente na fase de produção antecipada do campo.
Atualmente, Atlanta possui seis poços conectados ao sistema de produção. A campanha autorizada pelo Ibama permitirá à Brava avançar com a incorporação de novos produtores à infraestrutura existente.
Essas informações constam da página oficial de operações da Brava Energia, que apresenta as características técnicas dos ativos da companhia.
Atlanta integra o portfólio de produção marítima da petroleira, ao lado de campos como Papa-Terra e Parque das Conchas. A operação desses ativos envolve unidades flutuantes, sistemas de bombeamento e equipamentos submarinos utilizados na extração de petróleo em águas profundas.
Assista o vídeo
Campanha de perfuração integra plano de investimentos de US$ 550 milhões em 2026
A expansão das atividades em Atlanta ocorre dentro do planejamento de investimentos da Brava Energia para 2026.
Segundo informações apresentadas pela companhia à Agência iNFRA, o orçamento de investimentos, conhecido como capex, está estimado em US$ 550 milhões para o ano.
Desse montante, aproximadamente dois terços estão destinados à campanha integrada de perfuração nos campos de Atlanta e Papa-Terra. A parcela restante contempla atividades de manutenção.
No planejamento divulgado em março, a Brava também informou que a distribuição dos investimentos específicos da campanha seria de 65% para Atlanta e 35% para Papa-Terra.
Os recursos contemplam serviços de perfuração, equipamentos e estruturas necessárias para conectar os novos poços aos sistemas de produção marítima.
Em declaração publicada no comunicado inicial da campanha, Carlos Travassos afirmou que a entrada dos novos poços faz parte dos esforços da companhia para aumentar a produção e aproveitar a infraestrutura já instalada nos dois campos.
A Brava também divulgou uma projeção de produção adicional entre 11 mil e 14 mil barris de petróleo por dia para os dois poços de Papa-Terra, considerando o desenvolvimento previsto na campanha.
Em Atlanta, a estimativa permanece entre 15 mil e 20 mil barris diários para os dois novos produtores.
O cronograma operacional prevê a conclusão das atividades de perfuração da campanha integrada no primeiro trimestre de 2027, seguida das etapas necessárias para colocar os poços de Atlanta em produção.
Com a licença concedida em 23 de outubro, a próxima movimentação prevista é a transferência da Lone Star para a Bacia de Santos, onde a Brava pretende iniciar a perfuração de ATL-9H e ATL-10H antes do encerramento de 2026.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

