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Meteorito de Marte encontrado no Saara tem ao menos 4,1 bilhões de anos e guarda sinais de água
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/10/2026 às 16:41
Ciência e Tecnologia
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Encontrado no Mali, o meteorito Teghaza 001 preserva sinais de interação com água em Marte há cerca de 4,1 bilhões de anos e ajuda cientistas a investigar a formação da crosta e o passado do planeta.
Um meteorito encontrado no deserto do Saara, no Mali, preserva registros de água em Marte há cerca de 4,1 bilhões de anos. Batizada de Teghaza 001, a rocha está entre os meteoritos marcianos mais antigos já identificados na Terra, segundo a Nasa.
O estudo que descreve sua composição e idade foi publicado em 29 de outubro na revista Science. Liderada por Yang Liu, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a pesquisa oferece uma amostra rara da crosta do planeta em sua juventude.
Encontrado em 2022, o material tem coloração rosada e soma aproximadamente 800 gramas. Hoje, integra a coleção do Maine Mineral & Gem Museum, nos Estados Unidos. Sua composição, textura e combinação de minerais diferem das observadas em outros meteoritos marcianos conhecidos.
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Crédito: NASA/JPL-Caltech
Como os cientistas descobriram a idade
A investigação começou com análises na Universidade do Novo México. Os pesquisadores examinaram os isótopos de oxigênio, versões do mesmo elemento que funcionam como uma assinatura química, para confirmar a origem marciana e reconhecer características incomuns na amostra.
Depois, a equipe encontrou pequenos cristais de zircão. Esses minerais permitem calcular idades geológicas por meio da transformação radioativa do urânio em chumbo. Segundo a Universidade do Novo México, as medições situaram a história da rocha em pelo menos 4,1 bilhões de anos.
Outra técnica, desenvolvida por pesquisadores do Caltech, analisou rubídio e estrôncio em grãos individuais. O procedimento utilizou um pedaço menor que uma unha e ajudou a preservar o material para pesquisas futuras, sem exigir a dissolução completa da amostra.
A interpretação exige cuidado: as datações podem registrar alterações sofridas pela rocha, além de sua formação. Segundo os pesquisadores, um episódio ocorrido há aproximadamente 4,1 bilhões de anos pode ter redefinido esses relógios minerais. Nesse caso, o material original seria ainda mais antigo.
O que a rocha revela sobre a água
O meteorito se formou a partir de magma que esfriou lentamente. Seus minerais preservam evidências de interação com fluidos no interior da crosta marciana, permitindo investigar como água e rochas se relacionavam naquele período remoto.
Uma pesquisa anterior, publicada em junho na Science Advances, examinou o hidrogênio presente em cristais de apatita do mesmo meteorito. Os resultados apontaram mistura entre água associada ao magma e um componente que preservava características da antiga água marciana.
Essas medições também sustentam modelos segundo os quais Marte já perdia hidrogênio para o espaço muito cedo. A amostra ajuda, portanto, a reconstruir mudanças nos reservatórios de água do planeta. Os resultados tratam de processos geológicos e não demonstram a existência de vida.
O local exato de origem permanece desconhecido. Comparações com observações orbitais identificaram 13 áreas com características compatíveis, incluindo terrenos antigos do hemisfério sul. Um impacto lançou a rocha ao espaço antes de sua chegada à Terra.
Para os pesquisadores da Universidade do Novo México, localizar sua possível região de origem pode ajudar a escolher áreas para futuras missões que investiguem a crosta antiga de Marte.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

