A acreana Raissa Ribeiro denunciou, nesta segunda-feira (2), que foi alvo de ofensas racistas feitas por uma mulher nos comentários de seu perfil no Instagram. Segundo ela, os ataques ocorreram no domingo (1) e incluíram a comparação de seu cabelo com uma “bucha”, acompanhada de emojis de risada.
Em vídeo publicado nos stories, Raissa explicou o que levou ao episódio. “Eu sigo um perfil de uma jornalista e nesse perfil ela colocou um vídeo do filho da Preta Gil cantando com a netinha da Preta Gil. A Preta Gil tem um filho que se chama Francisco e ele tem uma filhinha de 10 anos. E aí eu fui olhar os comentários, as pessoas esculhambando, falando horrores que a Preta teve que mereceu”, relatou.
Ela disse que verificou os perfis de quem escrevia as mensagens. “Não generalizando, mas é incrível que você olha o perfil dessas pessoas e é sempre de direita, conservador e cristã. É surreal”, afirmou. Raissa contou que escreveu um comentário na publicação. “Eu só comentei o seguinte, pelos comentários as pessoas estão doentes porque tanto ódio”, disse.
De acordo com Raissa, a internauta passou a responder ao comentário dela de forma insistente, o que ela interpreta como tentativa de provocar uma discussão. Depois, a mesma pessoa foi ao perfil de Raissa e publicou uma sequência de comentários. Entre as ofensas citadas por Raissa estão “burra”, “jumenta” e “ridícula”. Havia também acusações de que ela teria roubado a eleição e uma mensagem em que a autora se declarava “da direita com orgulho”. Raissa registrou as mensagens em capturas de tela, que publicou no feed e nos stories. “Eu tirei print de tudo”, disse no vídeo.
Raissa afirmou que as ofensas de natureza política não a levaram a reagir, mas que a referência ao cabelo ultrapassou o limite. “Até então ela veio xingar, falar de política, tudo bem, ok, tá tudo certo, mas ela foi racista. E a gente não pode tratar racismo como algo normal. O racismo foi tratado com normalidade durante muitos e muitos séculos, mas hoje não. Internet não é terra sem lei e racismo não deve ser tratado assim. Deve ser tratado como crime que ele é. Racismo é crime e as pessoas devem ser paradas”, declarou.
Ela também lembrou ofensas anteriores. “O fato de postar uma foto na praia de biquíni já me enquadrou como uma puta, como uma garota de programa. Várias e várias vezes eu deixei passar isso. A gente lê, dói, é doloroso, mas a questão do racismo me pega, o buraco é bem mais embaixo e dessa vez eu não vou deixar passar”, disse Raissa.
Em publicação no feed, ela escreveu que “Meu cabelo não é bucha. Minha ancestralidade não é piada. Racismo não é opinião. É crime”. No mesmo texto, afirmou que “minhas ideias podem ser debatidas. Meu voto pode ser questionado. Mas minha identidade racial não está aberta ao escárnio de ninguém”. Raissa disse que buscará as providências legais cabíveis para que os comentários sejam apurados e orientou quem já sofreu violência racial a guardar as provas e denunciar.
Nos stories, ela compartilhou um texto segundo o qual chamar o cabelo de uma pessoa negra de “bucha” pode configurar racismo, discriminação racial e, a depender do contexto, injúria racial. O crime de injúria racial está previsto no artigo 2º-A da Lei 7.716, de 1989, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

