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R$ 38 milhões, 900 metros de túnel e mangueiras marítimas estendidas no mar: Niterói prepara bombeamento para levar água do oceano à Lagoa de Piratininga e fechar o Túnel do Tibau, que desmoronou entre 2018 e 2019
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 03/11/2026 às 16:50
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A instalação das mangueiras começou em 29 de outubro de 2026, na Região Oceânica de Niterói. Com o bombeamento previsto para até o fim de novembro de 2026, a comporta do Túnel do Tibau poderá ser fechada e o interior esvaziado para uma obra de 12 meses.
A Prefeitura de Niterói começou a instalar, em 29 de outubro de 2026, as mangueiras marítimas da Lagoa de Piratininga, que vão levar água do mar até a lagoa durante a obra do Túnel do Tibau, segundo o comunicado oficial da prefeitura de 30 de outubro de 2026.
O sistema provisório de bombeamento tem previsão de começar a funcionar até o fim de novembro de 2026.
O motivo é o Túnel do Tibau, a passagem que liga a lagoa ao oceano. Para consertar o túnel por dentro, a comporta precisa ficar fechada. Sem o bombeamento, a Lagoa de Piratininga perderia a entrada de água do mar durante toda a obra.
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Na terça-feira, 3 de novembro de 2026, a lagoa já recebia as mangueiras, mas o bombeamento ainda não tinha começado, como mostrou o O Fluminense. O cronograma oficial continua apontando o fim de novembro de 2026 para ligar o sistema.
Como as mangueiras marítimas vão levar água do mar à Lagoa de Piratininga?
O sistema tem três partes: uma bomba hidráulica, tubulações submersas e as mangueiras marítimas. A água é captada no mar e segue direto para a lagoa. Antes de estender as mangueiras, as equipes já tinham instalado a bomba e parte dos dutos, segundo a Prefeitura de Niterói.
O trabalho começou debaixo d’água. Em 21 de outubro de 2026, primeiro dia da obra, mergulhadores já preparavam o sistema provisório, de acordo com o comunicado do início das obras.
O subsecretário municipal de Infraestrutura e Fiscalização de Niterói, Vicente Temperini, explicou a lógica no comunicado de 30 de outubro de 2026: as mangueiras vão “conduzir a água do mar até a lagoa por meio de bombeamento, permitindo que a comporta seja fechada”.
Com o bombeamento ligado, o túnel será isolado. As duas pontas do Túnel do Tibau serão fechadas e o interior, esvaziado. Só aí começa a parte pesada do conserto.
O que vai ser feito dentro do Túnel do Tibau?
O túnel tem cerca de 900 metros de comprimento, segundo a página oficial do programa Região Oceânica Sustentável, da prefeitura. Foi construído pelo Governo do Estado em 2005, de acordo com o comunicado da Prefeitura de Niterói de 28 de abril de 2026.
Lá dentro, as equipes retiram o revestimento original de concreto e os fragmentos soltos de rocha. O serviço usa retroescavadeira e rompedor hidráulico. Também saem as pedras que caíram nos desmoronamentos de 2018 e 2019.
Com a rocha exposta, os técnicos avaliam quais trechos precisam de tratamento e reforço. A execução ficou com a Prefeitura de Niterói depois das autorizações ambientais e da Marinha, segundo o comunicado de 30 de outubro de 2026.
O histórico de quedas é longo. A obstrução foi detectada em abril de 2019, quando o fluxo entre o oceano e a lagoa diminuiu.
Em janeiro de 2021, novos colapsos de rochas aconteceram a cerca de 110 metros e 240 metros da entrada pelo mar, segundo o programa Região Oceânica Sustentável. Os trabalhos da época pararam pelo risco de acidente com os operários.
Quanto custa a obra do Túnel do Tibau e quando termina?
O investimento é de R$ 38 milhões, com prazo de 12 meses, segundo a Prefeitura de Niterói. Como a obra começou em 21 de outubro de 2026, a entrega fica prevista para outubro de 2027 (conta nossa).
Dividido pelo comprimento, o investimento dá cerca de R$ 42,2 mil por metro de túnel (conta nossa: R$ 38 milhões divididos por 900 metros).
Por mês, são cerca de R$ 3,17 milhões (conta nossa: R$ 38 milhões divididos por 12). Em salários mínimos de 2026, de R$ 1.621, o valor equivale a cerca de 23,4 mil salários (conta nossa).
Por que a Lagoa de Piratininga precisa de mais água do mar?
Os desmoronamentos no Túnel do Tibau reduziram drasticamente a passagem de água do mar. Com menos renovação, a Lagoa de Piratininga passou a ter baixa oxigenação e episódios de mortandade de peixes, principalmente nos períodos de calor, segundo a Prefeitura de Niterói.
Depois da recuperação, o fluxo deve mais do que triplicar e passar de mil litros por segundo, de acordo com a prefeitura.
Mil litros por segundo somam 86,4 milhões de litros por dia, o equivalente a cerca de 34 piscinas olímpicas de 2.500 metros cúbicos (conta nossa: 1.000 litros vezes 86.400 segundos).
Quem vive da pesca sente isso primeiro. “Quando chega o verão, a água esquenta, falta oxigênio e os peixes acabam morrendo”, disse Luiz Mendonça, presidente da Associação de Pescadores Artesanais da Lagoa de Piratininga (Apalap), no comunicado de 21 de outubro de 2026.
A obra também foi registrada pelo O Globo em 22 de outubro de 2026.
As mangueiras marítimas não ficam para sempre. Quando o Túnel do Tibau estiver recuperado e o fluxo voltar, o bombeamento será desligado e mangueiras, tubulações, equipamentos e bases de apoio sairão da praia, segundo a prefeitura.
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Túnel do Tibau, Lagoa de Piratininga, Niterói, Região Oceânica, mangueiras marítimas, bombeamento, obra pública, pescadores
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

