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70 demitidos: Cisam suspende produção de aço em Pará de Minas, cita falta de gusa, avisa em reunião que está “hibernando” e marca os acertos para a semana seguinte
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 07/11/2026 às 01:58
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A parada em Pará de Minas começou em 5 de novembro, sem data de volta, e atinge quem trabalhava na aciaria. Montamos o calendário do acerto e do seguro-desemprego, com a conta de quanto cada faixa pode receber.
Setenta contratos rescindidos numa única quinta-feira. A Companhia Siderúrgica de Pará de Minas (Cisam) parou a produção de aço por tempo indeterminado em 5 de novembro e desligou 70 trabalhadores. Eles eram da aciaria, o setor que faz o aço.
O aviso veio em reunião, num vídeo que circula nas redes sociais. “Poucas pessoas ficam só para dar manutenção”, diz um representante da empresa nas imagens mostradas pelo Metrópoles. E completa: “Eu tô comunicando vocês que nós estamos hibernando e, infelizmente, rescindindo o contrato com vocês”. Na sequência, ele explica a saída: uns passam pelo médico, outros vão direto para o RH, e uma van espera do lado de fora.
O que a Cisam diz que faltou na usina de Pará de Minas?
Faltou gusa, segundo a empresa. É a matéria-prima de que a usina de Pará de Minas precisa para fazer o aço.
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Na nota reproduzida pela Rádio Santa Cruz, a direção atribui a decisão às “condições atuais de mercado” e a fatores alheios ao seu controle. Entre eles, cita “as dificuldades no fornecimento de gusa pela SIP Siderurgia, fornecedora que atua de forma independente da Cisam”.
A rádio de Pará de Minas ouviu o alto escalão da empresa e acrescenta outro motivo: a dificuldade de concorrer com a China. Também descreve as duas siderúrgicas como parceiras na operação.
O produto final da unidade eram os tarugos. A Cisam, do Grupo Wilson Santos, fazia tarugos de aço por lingotamento contínuo, registra o Diário do Comércio. Na nota, o gusa aparece como insumo “indispensável ao processo produtivo”.
A usina de Pará de Minas fechou de vez?
Não é o que a empresa escreve. A nota diz que a Cisam “seguirá acompanhando o mercado e avaliando alternativas para a operação, inclusive a possibilidade de retomada das atividades”. Data para voltar, não há. Poucos funcionários continuam, só para conservar os equipamentos.
A operação na rua Padre Libério era recente. A Rádio Santa Cruz registra a reativação em agosto de 2025, depois de uma reforma iniciada um ano antes. A emissora fala em 14 meses de funcionamento, e o G1 cita cerca de dois anos de produção.
Com a reforma na conta, de agosto de 2024 a novembro de 2026, são cerca de 2 anos e 3 meses (conta nossa).
A Cisam tem ligação com a Gerdau de Divinópolis?
Mesma região, grupos diferentes e explicações diferentes. A Gerdau parou a produção de aço em Divinópolis e, segundo o G1, demitiu 280 pessoas na terça, 3 de novembro. A empresa fala em perda de competitividade, minério de ferro sem custo competitivo, avanço das importações e mercado internacional. A Cisam fala em mercado e gusa.
Somados, são cerca de 350 desligamentos em três dias nas duas siderúrgicas do Centro-Oeste mineiro (conta nossa). O Metrópoles informa que o caso de Divinópolis vai à Câmara Municipal em audiência pública no dia 13 de novembro.
O presidente do Sindifer, Fausto Varela, disse ao G1 que tinha poucas informações sobre o caso de Pará de Minas. Ele explicou ainda que a Cisam não é associada à entidade patronal.
Até quando os 70 demitidos devem receber o acerto?
A Cisam afirma em nota, citada pela Rádio Santa Cruz, que o Sindicato dos Metalúrgicos foi avisado antes e “manifestou ciência da medida”. A empresa promete direitos “integralmente respeitados”. Procurados pelo Metrópoles, sindicato e prefeitura não haviam respondido até a publicação daquela reportagem.
O começo do pagamento aparece no trecho da reunião publicado pela rádio: “Os acertos trabalhistas começarão a ser feitos na próxima semana”. Como o anúncio foi numa quinta, a semana seguinte abre em 9 de novembro (conta nossa).
Já o limite está na lei, não na empresa. O parágrafo 6º do artigo 477 da CLT manda pagar a rescisão e entregar os documentos em “até dez dias contados a partir do término do contrato”.
As datas dos demitidos partem de contrato encerrado em 5 de novembro. Quem cumprir aviso prévio trabalhado tem o calendário empurrado.
Quanto o seguro-desemprego pode pagar aos demitidos da Cisam?
O prazo de pedido tem começo e fim. O portal gov.br informa que o pedido só pode ser feito “a partir do 7º dia contado da data da demissão e dentro de até 120 dias”.
A primeira barreira é o tempo de carteira. No primeiro pedido, o Ministério do Trabalho e Emprego exige 12 salários nos últimos 18 meses. Quem trabalhou na usina de Pará de Minas desde a reativação de agosto de 2025 já passou dessa marca (conta nossa). No segundo pedido, a exigência cai para 9 salários nos últimos 12 meses.
O valor depende da média salarial. O ministério atualizou a tabela em janeiro de 2026: a parcela vai de R$ 1.621,00 a R$ 2.518,65.
O teto vale para quem ganhava em média mais de R$ 3.703,99.
Os totais são conta nossa, multiplicando a parcela pela quantidade. Entre um extremo e outro, a diferença chega a R$ 6.109,25 (conta nossa).
O tempo de carteira define a linha da tabela do seguro-desemprego. A média salarial define onde cada um dos 70 demitidos fica entre o piso e o teto.
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Cisam
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

