A secretária de imprensa da Casa Branca, Caroline Leavitt, afirmou nesta quinta-feira (28/8), que Rússia e Ucrânia ainda não estão prontas para pôr fim ao conflito e que nem Vladimir Putin, nem Volodymyr Zelensky conseguiriam encerrar a guerra sozinhos.
A declaração foi feita poucas horas depois de o governo russo lançar o segundo maior ataque aéreo contra Kiev, que deixou ao menos 21 mortos — entre eles, quatro crianças. “Putin e Zelensky não conseguem sozinhos chegar ao fim desta guerra”, declarou Leavitt.
Prédios ligados à União Europeia e ao British Council foram danificados, levando UE e Reino Unido a convocarem diplomatas russos. Segundo a força aérea ucraniana, o Kremlin disparou 629 armas de ataque durante a noite, sendo 598 drones e 31 mísseis.
O Ministério da Defesa russo declarou que mirou “empresas do complexo militar-industrial e bases aéreas militares” com “armas de alta precisão”.
Paz segue distante
O presidente Volodymyr Zelensky classificou o bombardeio como “um assassinato horrível e deliberado de civis” e disse que os ataques representam “uma resposta clara a todos no mundo que pedem um cessar-fogo”.
Já o Kremlin afirmou, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, que continua “aberto a negociações”, mas reforçou que a “operação militar especial” segue em andamento.
Nos Estados Unidos, Donald Trump declarou que não está “surpreso” com a ofensiva russa, mas reforçou a insatisfação com a falta de avanços nas tratativas de paz.
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Donald Trump segurando foto que tirou em cúpula no Alasca com Putin
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Encontro entre Trump e Putin teve várias pautas
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Putin e Trump no Alasca em agosto de 2025
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Últimos desdobramentos
- No último dia 15 de agosto, Donald Trump iniciou os trabalhos como a “grande mão” para tentar resolver o conflito na Ucrânia, ao receber o líder do Kremlin, Vladimir Putin, em Anchorage, no Alasca.
- Após uma reunião de três horas, os dois não chegaram a acordos concretos, mas afirmaram estar abertos ao diálogo e consideraram que estavam “no caminho certo”.
- Dias depois da cúpula no Alasca, o norte-americano se encontrou com Volodymyr Zelensky na Casa Branca, seis meses após o embate entre eles em razão do acordo sobre minerais estratégicos ucranianos, assinado meses depois.
- Zelensky participou do encontro acompanhado de líderes europeus que apoiam a Ucrânia no conflito. Após a reunião, Trump telefonou para Putin e declarou estar organizando um encontro bilateral entre o russo e o ucraniano.
- O prazo estipulado para a realização da reunião bilateral — e, posteriormente, de uma trilateral com a presença de Trump — era de duas semanas.
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Impasses
No início desta semana, o republicano havia afirmado que tanto a Ucrânia quanto a Rússia são responsáveis pelo impasse. “Zelensky também não é exatamente inocente. São necessárias duas pessoas para dançar tango”, disse.
Trump voltou a ameaçar novas sanções econômicas a Moscou, mas evitou anunciar prazos ou medidas imediatas. Apesar da retórica, ressaltou que ainda aposta em uma saída negociada.
“Não quero impor novas tarifas que prejudiquem a economia russa. Acho que ainda há um caminho para um acordo de paz”.
A possibilidade de uma cúpula entre Putin e Zelensky, com mediação dos EUA e eventual participação de Trump, segue incerta. Impasses sobre a adesão da Ucrânia à Otan e sobre territórios ocupados permanecem travando as negociações.
O mais recente movimento do Kremlin pode desencadear uma nova escalada na guerra, que já se arrasta há três anos no Leste Europeu.