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    É necessário monitorar o açúcar no sangue mesmo sem diabetes? Descubra

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    Uma nova onda surgiu na internet e tem levado muitas pessoas à obsessão pelo controle de seus níveis de açúcar no sangue. Para esses indivíduos, os picos de glicose merecem atenção, já que estão relacionados ao ganho de peso e ao sono de má qualidade, por exemplo.

    A solução, portanto, foi adquirir dispositivos que mensuram os níveis de açúcar no sangue, como os monitores contínuos de glicose (MCG), colocados sob a pele para controle em tempo real. Mas será que essa prática é realmente recomendada pelos profissionais de saúde?

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    Em conversa com a coluna Claudia Meireles, a endocrinologista e metabologista Paula Pires explica que não há evidência que justifique a medição rotineira dos picos de glicose em pessoas saudáveis.

    “Embora relatos de picos pós-prandiais acima de 140 mg/dL sejam comuns mesmo em indivíduos sem diabetes, esses episódios são fisiológicos e não estão associados a desfechos adversos em pessoas sem fatores de risco ou doenças metabólicas”, argumenta.

    monitores contínuos de glicoseÉ realmente necessário monitorar o açúcar no sangue sem diabetes?

    Segundo a médica, atribuir picos de glicose a problemas como ganho de peso ou sono inadequado carece de fundamentação científica robusta para indivíduos sem diabetes, magros, saudáveis e sem resistência à insulina. “A preocupação excessiva com picos de glicose, especialmente sem contexto clínico, pode levar a ansiedade, custos desnecessários e interpretações equivocadas”, alerta.

    “Esses dispositivos podem ser úteis em situações específicas, como na investigação de condições metabólicas precoces ou em programas de emagrecimento supervisionados por profissionais, mas não devem ser utilizados como rotina sem orientação adequada”

    Paula Pires, endocrinologista e metabologista pela SBEM

    Picos de glicose são comuns durante o dia?

    De acordo com a especialista, é fisiológico que ocorram picos de glicose após refeições, especialmente ricas em carboidratos. “Estudos mostram que a maioria dos indivíduos sem diabetes apresenta valores acima de 140 mg/dL por períodos curtos diariamente, sem repercussão clínica relevante. Esses picos não são considerados prejudiciais à saúde em pessoas sem distúrbios metabólicos”, afirma.

    monitores contínuos de glicoseSegundo médica, não há evidência que justifique a medição rotineira dos picos de glicose em pessoas saudáveis

    O problema, para a médica, é quando esses picos são excessivos ou frequentes, indicando possíveis sinais de resistência à insulina ou outros distúrbios metabólicos, que acontecem principalmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade, sedentárias, com gordura abdominal, estressadas e com genética na família de obesidade.

    Portanto, a avaliação do perfil glicêmico costuma ser indicada em casos de fatores de risco para diabetes (obesidade, histórico familiar, sedentarismo, sinais clínicos de resistência à insulina) ou após avaliação profissional que sugira risco aumentado.

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