O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (29/8), o discurso de dependência externa, pregado por alguns políticos. O petista pontou a necessidade do Brasil agir com autonomia para resolver os próprios problemas e, ao mesmo tempo, negociar ampliação do mercado externo com outros países.
“Nós que precisamos pensar no tipo de nação que queremos [construir]. Não podemos ficar rindo para os Estados Unidos, na expectativa deles fazerem o que estamos precisando. Eles não vão. Se alguém não acredita nisso, é só perceber: qual país da América Latina vizinho aos Estados Unidos ficou rico? Estou falando de 500 anos”, disse Lula.
A declaração do petista ocorreu durante inauguração do Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da empresa Acelen Agripark, em Montes Claros, município de Minas Gerais.
“Eu não posso ficar esperando que a China resolva o problema do Brasil, eu não posso ficar esperando que os Estados Unidos resolva o problema do Brasil, eu não posso ficar esperando que a Rússia resolva o problema do Brasil. Não. Quem tem que resolver o problema do Brasil somos nós, 215 milhões de brasileiros”, completou o presidente.
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O titular do Palácio do Planalto ainda destacou que tem viajado para diferentes regiões do globo em busca de novos investimentos e novo mercado consumidor para o Brasil. Na linha da defesa da soberania, Lula anunciou que irá criar um conselho para discutir as terras raras, reforçando a necessidade de negociação com o Brasil para compra dos minérios críticos.
As terras raras, como são chamadas, é um grupo composto por 17 elementos químicos, considerados difíceis e caros de extrair. Eles são considerados estratégicos em decorrência do uso deles na tecnologia de carros, turbinas eólicas e também em equipamentos militares.
“Chega da gente ser tratado como um grupo de banana, nós somos uma nação grande, um povo maravilhoso, extraordinário”, pontuou o petista.
A declaração do petista acontece após o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) informar que os Estados Unidos demonstraram interesse em realizar um acordo com o Brasil para compra de minerais considerados estratégicos, vindos das terras raras.