Nada ocorre por acaso quando está em disputa a chave do Palácio Rio Branco. A cerca de oito meses da eleição que definirá os novos rumos do Acre — caso o desfecho ocorra já no primeiro turno — os movimentos de bastidores começam a ganhar contornos cada vez mais explícitos.
O primeiro embate político entre a vice-governadora Mailza Assis, que deverá assumir o comando do Estado em abril, e o senador Alan Rick pode ser classificado como a “Batalha do Tarauacá/Envira”. Um confronto ainda não declarado formalmente, mas perceptível nas agendas, nos gestos e, sobretudo, nas articulações estratégicas.
De um lado, o governador Gladson Camelí e Mailza estiveram em Tarauacá para a entrega de um avião aeromédico destinado a atender pacientes do TFD, além da assinatura para a construção de 50 unidades habitacionais. A agenda incluiu, ainda, um ato político com cargos comissionados do governo estadual e da prefeitura — administrada por um filiado do Progressistas, partido que Gladson e Mailza estão nas fileiras.
Do outro lado do tabuleiro, em Feijó (Envira)— município comandado pelo prefeito Railson, filiado ao Republicanos, mesma legenda de Alan Rick — foram realizadas ações de saúde e atendimentos sociais em comunidades ribeirinhas. Ao retornar da zona rural, o senador seguiu para Tarauacá. Na sequência, ganhou força o movimento que culminou no bloqueio da BR-364, sob a justificativa de cobrança pela conclusão das obras do hospital. Alan Rick destacou ter destinado R$ 4 milhões para a obra e questionou publicamente o destino dos recursos. Nos bastidores, chama atenção a presença de integrantes da gestão municipal na linha de frente da mobilização.
O episódio evidencia que a disputa pela sucessão estadual já extrapola os discursos protocolares e passa a ocupar as ruas — e as rodovias. A chamada “Batalha do Tarauacá/Envira” desponta como marco inicial de uma campanha que promete ser intensa, estratégica e marcada por movimentos calculados.
Na guerra eleitoral, não se travam apenas batalhas de propostas, abraços e promessas — muitas delas, diga-se, de difícil exequibilidade. O jogo inclui também a artilharia da narrativa, a pressão institucional e o xadrez da sabotagem política. E, ao que tudo indica, as peças já começaram a se mover.
