O chefe de um terminal que opera no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, foi condenado a 11 anos de prisão por facilitar o tráfico de cocaína para a Suíça. Segundo a investigação, Diogo da Silva Santos, de 40 anos, se aproveitou do cargo para burlar a fiscalização e transportar 416 kg da droga em sacas de café em março de 2022.
“Por exercer a função de chefe de pátio responsável nos dias dos fatos, retirou a carga de fiscalização no momento de sua entrada e saída do terminal, assim como permitiu seu transporte e deslocamento indevido nas dependências do terminal”, diz o documento, ressaltando que o homem deu ordens para que os subordinados interrompessem procedimentos de segurança.
A investigação iniciou em maio de 2022 após funcionários de uma marca de café na Suíça identificarem cocaína em meio à carga de grãos. Os tabletes de droga foram colocados em sacos sinalizados e com costura diferente da usada nos sacos limpos. As autoridades suíças verificaram que a carga saiu do Porto de Santos e encaminharam a informação à Polícia Federal (PF) para cooperação internacional.
Cocaína em sacos de café
- Durante a investigação, a PF analisou câmeras de segurança e ouviu testemunhas. As gravações mostram a chegada do contêiner no terminal, localizado no Guarujá, no dia 8 de março de 2022.
- Em 13 de março, um caminhão retira o contêiner clandestinamente do terminal. Diogo é visto em imagens do sistema de segurança coordenando a operação e orientando a portaria a liberar o veículo sem a devida fiscalização.
- O caminhão seguiu para um galpão em Cubatão, também na Baixada Santista, onde passou o final de semana. Segundo as autoridades, foi nesse momento que a cocaína foi colocada na carga de café.
- No dia 14 de março, o contêiner retornou ao terminal. O chefe autorizou a reentrada e ordenou que a carga não fosse pesada.
- O contêiner foi embarcado no navio no dia 22 de março.
- Cerca de um mês depois, em 14 de abril de 2022, a carga foi descarregada no Porto de Antuérpia, na Bélgica, e enviada para a fábrica de café na Suíça, onde a droga foi descoberta pelos funcionários.
Questionado pelas autoridades, Diogo da Silva Santos confessou o crime, mas disse que foi ameaçado para facilitar o transporte da droga. Segundo o condenado, ele estava em um campo de futebol no Guarujá no início daquele mês quando foi abordado por dois indivíduos desconhecidos. Os homens teriam informações particulares sobre Diogo, incluindo seu nome, o local onde trabalhava e a função na empresa. Eles afirmaram que possuíam uma lista de contêineres que chegariam ao terminal e deveriam ser retirados de forma ilícita. Para isso, ofereceram pagamento de R$ 250 mil.
Diogo alegou que não aceitou, mas os homens fizeram ameaças e teriam mostrado fotos da esposa e do filho do chefe do terminal. Então, ele concordou com o esquema e recebeu um celular por onde orientações seriam repassadas. Após a contaminação do contêiner, ele devolveu o aparelho e não voltou a ter contato com os homens. O chefe do terminal disse que não recebeu o dinheiro.
Em cumprimento a um mandado na casa de Diogo, as autoridades apreenderam um aparelho celular, mas não localizaram nenhuma informação relacionada ao período do crime. Na avaliação dos policiais, há indícios de que ele tenha apagado os registros e possivelmente trocado o número de telefone. Ele deixou o cargo no terminal após o episódio.
A Justiça Federal destacou que o condenado não atuou como “mula” do tráfico, mas como “peça fundamental para viabilizar a remessa da droga ao exterior”.
A sentença também ressaltou que o crime foi cometido com o auxílio de outras pessoas, mas os suspeitos não foram identificados pela investigação. Esses indivíduos teriam sido os responsáveis por recrutar Diogo, fornecer o celular para comunicação e realizar a contaminação física do contêiner com a droga no galpão.
O ex-chefe do terminal foi condenado a 11 anos, um mês e dez dias de prisão em regime inicial fechado, além de multa no valor de aproximadamente R$ 44 mil.
O Metrópoles procurou a defesa de Diogo da Silva Santos e aguarda retorno.


