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A primeira fotografia nítida de um eclipse solar total foi feita há 175 anos por um homem quase esquecido pela história: registrada durante uma exposição de 84 segundos, a imagem revelou a tênue coroa do Sol e abriu caminho para estudos que hoje ajudam a entender tempestades solares e danos a satélites
Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/07/2026 às 15:39
Atualizado em 29/07/2026 às 15:40
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
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A fotografia de eclipse solar registrada em 1851 por Johann Julius Friedrich Berkowski usou um daguerreótipo e exposição de 84 segundos para mostrar a tênue coroa solar, inaugurando etapa da astronomia e ajudando pesquisas que hoje investigam vento solar, ejeções de plasma, auroras e danos a satélites em órbita terrestre.
A primeira fotografia de eclipse solar total considerada nítida foi produzida por Johann Julius Friedrich Berkowski em 28 de julho de 1851, na então cidade prussiana de Königsberg, atual Kaliningrado, na Rússia. O registro foi obtido durante uma exposição de 84 segundos, quando a Lua cobriu o disco do Sol.
As informações foram publicadas pela revista Smithsonian em 28 de julho de 2026. O material relembra os 175 anos da imagem e mostra como aquele daguerreótipo abriu uma nova fase da astronomia solar, permitindo registrar a coroa e preservar dados que antes dependiam principalmente de desenhos e observações visuais.
Eclipse total bloqueou a luz direta do Sol
Um eclipse solar total ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e encobre completamente a face visível da estrela. Durante a totalidade, o dia escurece por alguns minutos dentro de uma faixa relativamente estreita da superfície terrestre.
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Nesse intervalo, estruturas normalmente escondidas pelo brilho solar tornam-se observáveis. A principal delas é a coroa, camada externa extremamente tênue que envolve o Sol e se estende por grandes distâncias no espaço.
Berkowski trabalhou com uma técnica recém-criada
A fotografia de eclipse solar de 1851 foi produzida com um daguerreótipo, processo introduzido no fim da década de 1830. A técnica formava uma imagem única sobre uma placa de cobre revestida de prata e tratada com substâncias sensíveis à luz.
O método exigia preparação cuidadosa, exposição correta e revelação química posterior. Diferentemente das câmeras digitais, não era possível verificar imediatamente o resultado nem repetir rapidamente dezenas de tentativas durante um fenômeno de curta duração.
Telescópio projetou a imagem sobre uma placa
Berkowski utilizou um telescópio refrator com abertura de aproximadamente 2,4 polegadas. O equipamento ampliou a imagem do eclipse e permitiu direcionar a luz para a placa fotossensível preparada para o registro.
A exposição durou 84 segundos enquanto a Lua permanecia diante do Sol. O tempo precisava ser longo o bastante para revelar a coroa, mas controlado para que o brilho ao redor do disco escuro não destruísse os detalhes da imagem.
Primeiras tentativas não haviam produzido nitidez suficiente
Antes de 1851, outros observadores já haviam tentado fotografar eclipses solares. As limitações das emulsões, dos telescópios e dos tempos de exposição, porém, dificultavam a obtenção de uma imagem capaz de mostrar claramente as estruturas ao redor da Lua.
O daguerreótipo de Berkowski tornou-se um marco porque apresentou um contorno definido e registrou a luminosidade da atmosfera externa do Sol. A fotografia de eclipse solar transformou um acontecimento passageiro em documento permanente.
Pouco se sabe sobre o fotógrafo responsável
Apesar da importância do registro, Berkowski permaneceu quase desconhecido fora dos círculos especializados. Durante muito tempo, nem mesmo seu nome completo estava claramente estabelecido nos relatos históricos sobre a imagem.
Segundo o material da Smithsonian, a identificação completa de Johann Julius Friedrich Berkowski apareceu em um artigo alemão somente em 2013. O contraste é marcante: sua fotografia tornou-se famosa, enquanto grande parte de sua trajetória pessoal desapareceu dos registros.
Expedição reuniu observadores profissionais
O eclipse de 28 de julho de 1851 também ficou associado a uma das primeiras grandes mobilizações profissionais para observar um fenômeno desse tipo. Astrônomos registraram a totalidade por meio de anotações, desenhos e instrumentos ópticos.
Os observadores descreveram protuberâncias rosadas e produziram representações detalhadas da coroa. A fotografia acrescentou uma forma diferente de evidência, menos dependente da memória, da habilidade artística ou da interpretação de quem acompanhava o céu.
Imagem preservou um instante impossível de repetir
A totalidade pode durar de poucos segundos a aproximadamente sete minutos, dependendo do eclipse e do local de observação. Em média, um eclipse total ocorre em algum ponto da Terra a cada 18 meses, mas raramente volta a atingir exatamente a mesma região.
Por isso, registrar o fenômeno permite que cientistas examinem posteriormente detalhes que desapareceram em minutos. A fotografia congela uma configuração específica da Lua, do Sol e da coroa que nunca se repetirá de maneira idêntica.
Coroa solar guarda pistas sobre o clima espacial
A coroa é a atmosfera mais externa do Sol e apresenta estruturas moldadas por campos magnéticos. Seu brilho fraco normalmente fica escondido pela intensa luz emitida pela superfície solar.
Durante um eclipse total, a Lua funciona como um bloqueador natural. A fotografia de eclipse solar permite observar filamentos, extensões e alterações que ajudam pesquisadores a investigar como partículas e campos magnéticos deixam a estrela e alcançam o espaço.
Vento solar pode interagir com a Terra
O vento solar é formado por partículas carregadas liberadas continuamente pelo Sol. Quando esse fluxo interage com a magnetosfera terrestre, pode produzir auroras e alterações no ambiente espacial próximo ao planeta.
Em eventos mais intensos, o clima espacial pode interferir em satélites, comunicações, navegação e outros sistemas tecnológicos. Compreender a coroa ajuda a investigar a origem dos fenômenos capazes de produzir esses efeitos.
Ejeções de plasma representam outro risco
A atmosfera solar também pode liberar grandes expulsões de plasma conhecidas como ejeções de massa coronal. Quando direcionadas à Terra, elas podem provocar tempestades geomagnéticas e aumentar a exposição de equipamentos espaciais a partículas energéticas.
Imagens obtidas com filtros e diferentes comprimentos de onda ajudam a estimar temperatura, velocidade e distribuição do material. A pesquisa moderna reúne fotografias, espectros e medições produzidas por telescópios terrestres, balões e missões espaciais.
Coronógrafos criam eclipses dentro de telescópios
Como os eclipses naturais são curtos e relativamente raros, cientistas desenvolveram instrumentos chamados coronógrafos. Eles bloqueiam a parte mais brilhante do Sol dentro do sistema óptico para tornar a coroa visível.
A técnica imita parcialmente o papel da Lua durante a totalidade. No entanto, a proximidade dos componentes do instrumento e a dispersão da luz podem limitar a observação de regiões muito próximas da borda solar.
Satélites passaram a produzir eclipses artificiais
A missão Proba-3, da Agência Espacial Europeia, utiliza dois satélites separados por aproximadamente 150 metros. Um deles bloqueia a luz do Sol para que o outro examine a coroa durante períodos muito maiores do que os permitidos por eclipses naturais.
Lançada em dezembro de 2024, a missão já produziu eclipses artificiais com duração de horas. A formação orbital amplia o tempo disponível para coleta de dados, mas cientistas ainda consideram o eclipse natural uma referência de alta qualidade.
Fotografia astronômica passou por transformação profunda
Após os daguerreótipos, astrônomos passaram a utilizar placas de vidro, negativos e filmes cada vez mais sensíveis. Essas tecnologias criaram acervos capazes de conservar mudanças no céu durante décadas.
Atualmente, sensores digitais permitem conferir dados rapidamente e realizar diferentes exposições durante o mesmo evento. Ainda assim, a lógica iniciada pela fotografia de eclipse solar permanece: registrar o fenômeno para que ele possa ser estudado depois que a luz retorna.
Imagens antigas continuam úteis para a ciência
Fotografias históricas podem ser comparadas com registros atuais para investigar mudanças na forma da coroa e na atividade solar. Mesmo quando a tecnologia original se torna ultrapassada, os dados preservados continuam documentando o estado do céu naquele momento.
A coleção de placas astronômicas de Harvard, iniciada em 1886, reúne mais de 550 mil negativos e imagens espectrais. Esses arquivos mostram como a astronomia depende não apenas de novos instrumentos, mas também da conservação sistemática de observações antigas.
Eclipses também mobilizam emoções coletivas
Além do valor científico, eclipses totais costumam reunir multidões dentro da faixa de totalidade. A redução repentina da luz, a queda de temperatura e o aparecimento da coroa produzem uma experiência difícil de reproduzir por outros meios.
Animais também podem alterar o comportamento durante o escurecimento, com insetos iniciando sons noturnos e abelhas retornando às colmeias. Mesmo conhecendo a explicação astronômica, muitas pessoas descrevem o fenômeno como emocionalmente intenso.
Registro de 1851 permanece como marco científico
A imagem feita por Berkowski não possuía a resolução, as cores ou a velocidade dos equipamentos atuais. Seu mérito foi demonstrar que a totalidade poderia ser registrada com nitidez suficiente para preservar estruturas invisíveis na maior parte do tempo.
Aquela exposição de 84 segundos aproximou fotografia e astronomia em um momento decisivo para ambas. A partir dali, eclipses deixaram de sobreviver apenas em relatos, cálculos e desenhos e passaram a integrar um arquivo visual permanente da ciência.
Fotografia esquecida ainda ajuda a compreender o futuro
A primeira fotografia de eclipse solar nítida nasceu em uma placa metálica preparada com substâncias químicas, mas sua importância alcança uma época dominada por satélites, sensores digitais e missões espaciais. O registro demonstra como uma imagem antiga pode continuar relevante muito depois do desaparecimento da tecnologia que a produziu.
Você acredita que imagens científicas históricas deveriam receber mais espaço nas escolas e nos meios de comunicação? Conte nos comentários se conhecia a história de Berkowski e se teria coragem de observar um eclipse total dentro da faixa de totalidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

