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Meteorito caiu sobre uma fazenda em Portelândia, no sudoeste de Goiás, a rocha se parte após furar telha, forro e piso da cozinha, o local vira alvo de colecionadores e compradores estrangeiros atrás dos fragmentos e 21 gramas terminam no acervo do Museu Nacional
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/09/2026 às 14:15
Atualizado em 13/09/2026 às 15:10
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Reconhecida oficialmente como um condrito ordinário L5, a pedra de aproximadamente 200 gramas deixou marcas dentro da residência, atraiu interessados de diferentes estados e do exterior e teve uma amostra incorporada à coleção científica do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Uma pedra que atravessou a cobertura de uma fazenda em Portelândia, no sudoeste de Goiás, acabou reconhecida oficialmente como meteorito e teve destinos diferentes após ser recuperada. Parte permaneceu com o proprietário, enquanto 21 gramas foram destinados ao Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O episódio ocorreu em julho de 2022, quando a rocha atingiu uma propriedade rural próxima ao município. Ela perfurou uma telha, atravessou o forro de PVC e alcançou o piso de cerâmica da cozinha, onde se quebrou em fragmentos menores. Ninguém ficou ferido.
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Paulo Nogueira
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Os moradores ouviram um forte barulho durante o impacto, que deixou marcas na cobertura, no teto e no piso. A passagem da pedra pelo interior da residência também permitiu relacionar os fragmentos recuperados a um ponto conhecido de queda e a um episódio testemunhado.
Da cozinha para a classificação científica
Depois da queda, o material começou a ser analisado por pesquisadores. A Universidade Federal de Jataí informou que seu Laboratório de Física realizou uma primeira caracterização por fluorescência de raios X e iniciou uma investigação em parceria com pesquisadoras ligadas à UFRJ.
O reconhecimento formal veio posteriormente com o registro no Meteoritical Bulletin Database, referência internacional para nomenclatura e classificação de meteoritos. A base identifica Portelândia como uma queda confirmada no Brasil e registra massa aproximada de 200 gramas.
A rocha foi classificada como um condrito ordinário do tipo L5. Os condritos ordinários são meteoritos formados por materiais antigos do Sistema Solar, enquanto a indicação L5 reúne características relacionadas à composição do material e ao grau de metamorfismo térmico sofrido antes da chegada à Terra.
O registro também atribui ao meteorito grau de intemperismo W0, associado à ausência de alteração terrestre significativa observada no material, e estágio de choque S4. Essa segunda classificação descreve efeitos deixados por colisões sofridas pela rocha antes de sua passagem pela atmosfera terrestre.
O nome Portelândia passou a identificar oficialmente o meteorito, seguindo a prática internacional de associar essas rochas à localidade relacionada à queda ou à descoberta. Pesquisadores ligados a instituições de Goiás e do Rio de Janeiro participaram da caracterização do material.
A queda dentro de uma residência acrescentou uma particularidade ao episódio. Meteoritos alcançam a superfície terrestre em diferentes ambientes, mas registros em construções habitadas representam uma parcela menor dos casos conhecidos, o que ajudou a despertar interesse pelo material recuperado na fazenda.
Fragmentos atraíram colecionadores e compradores
Enquanto uma parte seguia para análise, os fragmentos que permaneceram com o proprietário passaram a atrair interessados. Nas semanas seguintes, pessoas foram até a propriedade para conhecer o ponto de impacto, observar os danos deixados na casa e examinar os pedaços recuperados.
Entre os interessados mencionados no material sobre o caso estavam colecionadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. Pessoas ligadas ao mercado de meteoritos da Argentina e do Uruguai também procuraram informações sobre as peças e manifestaram interesse na aquisição de fragmentos.
O proprietário recebeu propostas, mas decidiu manter a maior parte do material sob sua guarda enquanto avaliava o destino das peças. A movimentação não se limitou à pedra: a telha perfurada, os pontos abertos no forro e a marca deixada na cerâmica passaram a integrar a documentação física da queda.
A procedência tem importância particular nesse mercado porque permite ligar um fragmento a determinado evento, local e classificação. No caso de Portelândia, os pedaços podiam ser associados a uma queda observada, ao imóvel atingido e posteriormente ao registro científico do meteorito.
O interesse comercial, porém, corresponde a uma finalidade diferente da preservação científica. Para pesquisadores, uma amostra permite realizar análises minerais e químicas, comparar materiais e estudar componentes formados nas etapas iniciais do Sistema Solar, independentemente do preço atribuído a cada fragmento.
Parte do meteorito ficou preservada no Museu Nacional
O registro internacional informa que 21 gramas foram depositados no MNRJ, sigla usada na base para o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A massa principal, por sua vez, permaneceu com o responsável pelo achado.
A presença de uma amostra em coleção institucional mantém parte do material disponível para estudo e referência, mesmo que outros fragmentos continuem em mãos particulares ou tenham destinos diferentes. Esse depósito também preserva uma porção vinculada diretamente ao meteorito oficialmente registrado como Portelândia.
As primeiras informações divulgadas após a queda chegaram a mencionar massa próxima de 250 gramas. O registro científico consolidado posteriormente passou a indicar aproximadamente 200 gramas, valor adotado na ficha internacional que reúne a classificação e os dados oficiais do meteorito.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

