Produzido pelas glândulas suprarrenais e conhecido principalmente por participar na resposta ao estresse, o cortisol ganhou a fama de vilão nas redes sociais. Em níveis adequados, a substância é indispensável para a saúde por ajudar a regular o metabolismo, controlar a pressão arterial, atuar no funcionamento do sistema imunológico e influenciar o ciclo do sono, conforme explica a médica Maria Júlia Colossi.
Mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a gastroenterologista aponta dois hábitos que aumentam o cortisol além do estresse. Segundo a especialista em endoscopia digestiva, o primeiro é dormir mal ou poucas horas. Ela salienta que a privação de sono desregula o ritmo natural de produção hormonal.
Em concordância, a psicóloga clínica Vanessa Bulcão acrescenta: “Dormir pouco, ter um sono fragmentado ou horários muito irregulares interfere no ritmo natural do cortisol e pode aumentar a produção ao longo do dia”. Ela é membro da Associação Americana de Psicologia (APA, sigla em inglês).
Na avaliação de Maria Júlia, o segundo hábito que tende a elevar a síntese do hormônio é manter uma rotina de alimentação inadequada, especialmente com excesso de alimentos ultraprocessados e longos períodos de jejum sem orientação. Para a psicóloga, o exagero de estímulos e hiperconectividade também estão entre os comportamentos que influenciam no cortisol.
“Estar constantemente conectado, sem pausas para descanso, exposto a excesso de notificações, trabalho contínuo e informações em exagero mantêm o cérebro em estado de alerta, favorecendo uma ativação prolongada dos sistemas de estresse”, avisa Vanessa. No rol dos hábitos, ela cita ainda o consumo excessivo de cafeína, sedentarismo, sobrecarga de trabalho e falta de momentos de recuperação física e emocional.

Manter o cortisol em níveis saudáveis
A médica destaca que manter uma rotina equilibrada é a principal estratégica para regular o cortisol: “Priorize um sono de qualidade, pratique atividade física de forma regular sem exageros, mantenha uma alimentação balanceada e reserve momentos para descanso e lazer”. Maria Júlia frisa que essas medidas ajudam o organismo a responder melhor às demandas diárias.
“Técnicas de relaxamento, contato com a natureza e uma boa organização da rotina também reduzem a sobrecarga física e mental, favorecendo um funcionamento hormonal mais saudável”, defende a especialista. De acordo com a psicóloga clínica Vanessa Bulcão, não se deve “eliminar” o cortisol como é dito nas redes sociais, mas, o mais indicado é ajudar o organismo a regular melhor as respostas ao estresse.

Vanessa sustenta a tese de que o cortisol “não é um inimigo”. Ela complementa que o hormônio é um “aliado da adaptação humana”. Novamente, a psicóloga argumenta que o problema surge em decorrência de viver em um estado de alerta permanente, sem espaço para recuperação.
“Na prática clínica, observamos que o cérebro precisa de períodos de ativação, mas também de recuperação. Um estilo de vida que alterna adequadamente esforço e descanso favorece um funcionamento mais saudável do sistema de estresse e, consequentemente, uma melhor saúde física e mental”, atesta Vanessa. Ela sugere cuidar do sono, das relações e dos hábitos diários para proteger a saúde do cérebro e do corpo.

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