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Jovem de 16 anos vendia cucas no semáforo para comprar sua kitnet, mas encerrou tudo após nova abordagem do Conselho Tutelar e agora promete encontrar outro caminho para continuar juntando dinheiro sem abandonar o sonho da casa própria em Palhoça
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 15/08/2026 às 09:33
Atualizado em 15/08/2026 às 09:34
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Erick Rodrigues anunciou o fim das vendas no bairro Pagani depois de ser novamente abordado pelo órgão de proteção. O jovem afirmou que tomou a decisão para preservar a família e evitar novos problemas, enquanto o Ministério Público de Santa Catarina iniciou uma apuração preliminar sobre as circunstâncias do caso.
O jovem Erick Rodrigues, de 16 anos, interrompeu a venda de cucas e bolos que fazia em um semáforo do bairro Pagani, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Segundo reportagem publicada pelo ND Mais em 14 de agosto de 2026, a decisão ocorreu após uma nova abordagem do Conselho Tutelar.
O adolescente utilizava a atividade para juntar dinheiro e tentar comprar a própria kitnet. Depois da intervenção, anunciou que deixaria o ponto para preservar a família e evitar novos transtornos, mas afirmou que procuraria outra forma de continuar avançando. O encerramento atingiu o meio escolhido para arrecadar recursos, não o objetivo que motivou o trabalho.
Venda no semáforo transformou um plano pessoal em história pública
Erick ganhou atenção nas redes sociais ao mostrar a produção e a comercialização de cucas e bolos. O que começou como uma iniciativa para formar uma reserva destinada à moradia tornou-se assunto público quando imagens de sua rotina passaram a circular e alcançar pessoas fora de Palhoça.
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A repercussão concentrou-se na idade do adolescente, na disposição para trabalhar e na ambição de adquirir um imóvel. Esse enquadramento despertou identificação, mas também simplificou uma situação que envolve segurança viária, proteção integral, regras trabalhistas e acompanhamento familiar.
A fonte não informa quanto Erick já havia economizado, qual era o preço da kitnet pretendida nem quantas unidades vendia por dia. Também não detalha há quanto tempo ele ocupava o semáforo ou quantas horas permanecia no local. Esses limites impedem calcular a distância financeira entre as vendas e a compra do imóvel.
Nova abordagem levou o adolescente a encerrar as vendas
O anúncio foi publicado depois de uma nova intervenção do Conselho Tutelar de Palhoça. Conforme o relato reproduzido pela imprensa, o órgão alertou sobre a possibilidade de encaminhar as informações ao Ministério Público de Santa Catarina para análise.
Erick decidiu parar de trabalhar na sinaleira do Pagani. Ao comunicar a mudança, explicou que pretendia evitar novos problemas e proteger a família de mais desgaste. Ele não apresentou, naquele momento, um novo formato de venda nem informou quando retomaria a atividade em condições diferentes.
A escolha foi descrita como encerramento das vendas naquele ponto, e não como desistência definitiva da produção de alimentos. Até a publicação da reportagem, o jovem havia prometido buscar outro caminho, mas não existia confirmação sobre qual seria essa alternativa.
Conselho Tutelar atua para proteger direitos e não para punir adolescentes
O Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo criado para zelar pelos direitos de crianças e adolescentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que sua atuação pode incluir orientação, acompanhamento e encaminhamento de situações a outros integrantes da rede de proteção.
Isso significa que uma abordagem não equivale, por si só, a acusação criminal ou punição contra o adolescente. No caso de Erick, a preocupação informada está relacionada às condições em que a venda ocorria, especialmente a permanência em via pública e a exposição ao movimento de veículos.
O foco jurídico não é avaliar se o sonho da kitnet é legítimo, mas verificar se o caminho utilizado preservava segurança, educação e desenvolvimento. A disposição para trabalhar e a existência de uma restrição legal podem estar presentes na mesma história sem que uma apague a outra.
A Constituição estabelece, como regra geral, idade mínima de 16 anos para o trabalho e permite a aprendizagem profissional a partir dos 14. Para menores de 18 anos, continuam proibidas atividades noturnas, perigosas ou insalubres, além de ocupações incompatíveis com a condição de pessoa em desenvolvimento.
O ponto decisivo no caso não é apenas a idade de Erick. O Ministério do Trabalho e Emprego esclarece que o comércio ambulante em ruas e logradouros públicos está entre os trabalhos proibidos para menores de 18 anos. A restrição considera os riscos do ambiente, e não a honestidade do produto vendido.
Portanto, a afirmação de que alguém com 16 anos pode trabalhar precisa vir acompanhada das exceções. A autorização geral não alcança automaticamente toda ocupação, horário ou local. A legislação procura permitir a entrada protegida no mundo profissional sem expor adolescentes a situações classificadas como inadequadas.
Semáforo adiciona riscos que não existem em um ponto protegido
Vender um alimento e permanecer entre veículos são partes diferentes da mesma atividade. No semáforo, o trabalhador fica próximo a carros, motocicletas e mudanças rápidas do trânsito. O ambiente também dificulta controle de pausas, proteção contra o clima, acesso a instalações adequadas e supervisão constante.
O Decreto nº 6.481 de 2008, que aprovou a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, proíbe para menores de 18 anos as atividades nela descritas. Entre os exemplos divulgados pelo Ministério do Trabalho está justamente o comércio ambulante em vias públicas.
A proteção não depende de ter ocorrido um acidente para começar a valer. As normas trabalham com prevenção: se determinado ambiente apresenta riscos reconhecidos, a atuação dos órgãos pode ocorrer antes de qualquer dano concreto.
Notícia de Fato iniciou uma análise preliminar no Ministério Público
As informações do Conselho Tutelar foram encaminhadas à 1ª Promotoria de Justiça de Palhoça. A unidade instaurou uma Notícia de Fato para examinar as circunstâncias envolvendo o trabalho realizado pelo adolescente, de acordo com a reportagem original.
Uma Notícia de Fato é uma porta de entrada para informações levadas ao Ministério Público. Conforme explica o Conselho Nacional do Ministério Público, essa etapa permite colher elementos preliminares antes da decisão sobre arquivamento ou abertura de outro procedimento adequado.
Por isso, não é correto dizer que Erick foi processado ou condenado. A abertura da Notícia de Fato não confirma irregularidade, não define responsabilidade e não representa uma ação judicial contra o jovem. Até a publicação da fonte, não havia divulgação de conclusão da Promotoria.
Reação nas redes sociais colocou esforço e proteção em lados opostos
A suspensão das vendas provocou críticas ao Conselho Tutelar e mensagens de apoio ao adolescente. Muitos comentários destacaram sua iniciativa e compararam o caso com outros problemas sociais, argumentando que o trabalho deveria ser incentivado.
Parte dessa reação transformou a discussão em uma escolha entre reconhecer o esforço de Erick e cumprir a legislação. Essa oposição, porém, ignora que a proteção trabalhista não procura desvalorizar a iniciativa. Ela estabelece limites para que adolescentes não sejam expostos a ambientes considerados perigosos.
A pergunta central não precisa ser se o jovem deveria ou não perseguir seu sonho, mas como essa busca pode continuar sem a exposição do semáforo. O próprio Erick declarou que pretende encontrar outro caminho, indicando que o objetivo permanece mesmo depois da interrupção.
Aprendizagem profissional oferece uma rota protegida para adolescentes
A legislação prevê formas regulares de ingresso no mercado de trabalho. A principal delas para essa faixa etária é a aprendizagem profissional, que combina atividades práticas, formação teórica e direitos trabalhistas em um contrato especial.
Segundo as regras divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego em julho de 2026, a modalidade atende pessoas entre 14 anos completos e 24 anos incompletos. Para menores de 18, permanecem as restrições relacionadas a trabalho noturno, perigoso, insalubre ou prejudicial ao desenvolvimento.
A aprendizagem não é necessariamente a única possibilidade para alguém de 16 ou 17 anos, mas representa uma rota estruturada de qualificação e experiência. No caso de Erick, nenhuma fonte informou se ele recebeu proposta de emprego, vaga de aprendiz, apoio para comercialização em local protegido ou orientação específica para reorganizar as vendas.
Produção de alimentos envolve questões diferentes do local da venda
A reportagem mostra que Erick comercializava cucas e bolos, mas não apresenta detalhes sobre quem produzia os alimentos, em qual espaço eram preparados ou quais autorizações poderiam ser necessárias para uma eventual continuidade do negócio. Também não informa se havia registro empresarial ou participação formal de responsáveis.
Esses pontos não devem ser preenchidos por suposição. Encerrar a presença no semáforo resolve a exposição imediata ao trânsito, mas não responde automaticamente como uma atividade comercial poderia ser reorganizada. Aspectos sanitários, municipais, familiares e trabalhistas dependeriam do formato escolhido.
A possibilidade de continuar produzindo ou vendendo em outro modelo ainda era apenas uma intenção quando o caso foi divulgado. Não houve confirmação de loja, encomendas, entregas, vendas digitais ou parceria com estabelecimento comercial.
Sonho da kitnet continua sem prazo ou valor divulgados
O objetivo anunciado por Erick era comprar uma kitnet. A história chamou atenção porque associava a venda de alimentos a uma meta de longo prazo pouco comum para alguém de 16 anos. Mesmo assim, não foram publicados o município onde ele pretendia adquirir o imóvel, o preço esperado ou o prazo imaginado.
Também não se sabe se a intenção era pagar o imóvel integralmente, formar uma entrada ou criar uma reserva inicial. Usar a expressão “comprar uma kitnet” é fiel ao objetivo relatado, mas não permite concluir que a aquisição já estivesse próxima.
O jovem afirmou que a abordagem não encerraria seu plano. A continuidade do sonho é o dado confirmado; o novo caminho e a viabilidade financeira ainda permanecem indefinidos.
Caso de Erick levanta debate sobre incentivo com proteção
A história reúne mérito individual, apoio popular e limites legais. Erick demonstrou iniciativa ao produzir e comercializar alimentos com uma meta definida, enquanto os órgãos públicos consideraram que a venda no semáforo expunha um adolescente a uma atividade vedada para menores de 18 anos.
O desafio agora é evitar que a interrupção seja o único resultado. A proteção integral ganha sentido quando o afastamento de um ambiente arriscado é acompanhado por orientação, qualificação e acesso a oportunidades seguras. Proteger não deveria significar apagar a iniciativa, assim como admirar o esforço não deveria exigir ignorar os riscos.
Na sua opinião, qual seria a resposta mais adequada em situações semelhantes: apenas interromper a atividade, oferecer uma vaga de aprendizagem, ajudar a transferir as vendas para um local protegido ou criar acompanhamento para a família? Conte nos comentários qual solução conciliaria melhor oportunidade e segurança.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

