Até quinta-feira passada (25/6), Matteo Lima Albertino passava os dias brincando em casa, na escola, comemorando a vitória do Brasil sobre a Escócia na Copa do Mundo 2026. Porém, na noite seguinte, como conta a mãe, Laysa Lima Albertino, o menino de 2 anos começou a apresentar uma febre que não cedia. Quatro dias depois, ele estava morto, após uma rápida deterioração do quadro de saúde e uma sequência de atendimentos médicos que, agora, são alvo de questionamentos da família e de uma sindicância aberta pela Prefeitura de Cubatão, na Baixada Santista, no litoral de São Paulo.
Matteo começou a apresentar os primeiros sintomas na noite de sexta-feira (26/6), por volta das 23h30. Segundo a mãe, a criança teve febre alta persistente, acima de 39° C, que não diminuía mesmo após a administração de medicamentos em casa.
Preocupados, os pais decidiram levar o menino ao pronto-socorro do município na manhã seguinte, no sábado (27/6). De acordo com Laysa, a médica que o atendeu observou uma irritação na garganta, receitou novos medicamentos e orientou a família a continuar o tratamento em casa.
“Ela olhou a boquinha dele, escutou o peito e falou que a garganta não estava inflamada, só irritada”, relembrou.
Nas horas seguintes, porém, o quadro se agravou. Matteo passou a apresentar vômitos e diarreia, além de perder o apetite. A família retornou à unidade de saúde no domingo (28/6).
Ainda segundo a mãe, o novo médico responsável pelo atendimento atribuiu os sintomas a uma virose e afirmou que outros casos semelhantes haviam sido registrados naquele dia, sem verificar maiores detalhes.
“Ele falou que já era o sexto caso que atendia e que, provavelmente, meu filho tinha pegado alguma coisa na escolinha”, disse Laysa.
Apesar da medicação prescrita, o estado da criança continuou piorando. Laysa conta que Matteo passou a ficar cada vez mais abatido, recusava alimentos e passava boa parte do tempo sonolento.
“A gente confiava nos médicos. Se eles falavam que era uma virose, a gente acreditava. Eu não sou médica, sou mãe”, afirmou.
O tempo continuou a passar, com mãe e pai preocupados, sem observarem melhora em Matteo. Na segunda-feira (29/6), a família procurou atendimento médico pela terceira vez após perceber novos sinais de que o menino não estava bem, incluindo um abscesso na região anal, com acúmulo de pus.
Segundo a mãe, o diagnóstico recebido naquele momento também não indicava gravidade, e Matteo foi novamente medicado, desta vez com somente uma pomada.
Horas depois, porém, diante de um agravamento no quadro do filho, os pais decidiram retornar ao hospital pela quarta vez. Foi somente nesse atendimento que exames de sangue foram solicitados.
“Depois do quarto atendimento, pediram exame de sangue. Até então, não tinham pedido nada”, afirmou Laysa.
O menino permaneceu em observação e, de acordo com a mãe, passou a apresentar um quadro cada vez mais preocupante. Ela relata que Matteo deixou de urinar, permanecia sonolento e respondia pouco aos estímulos.
Durante a internação, os médicos iniciaram a busca por uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica em outro município — em Cubatão, cidade com mais de 100 mil habitantes, há apenas dois leitos de UTI pediátricos no Hospital Municipal.
“A gente não entendia o que estava acontecendo. Como uma criança que estava brincando na quinta-feira estava daquele jeito na segunda?”, questionou.
Segundo a mãe, uma enfermeira chegou a manifestar preocupação com a possibilidade de o menino estar desenvolvendo um quadro de sepse, uma infecção generalizada — hipótese também apontada pelo laudo inicial, do Instituto Médico Legal (IML). O laudo definitivo ainda não foi divulgado.
Ainda de acordo com o relato da família, Matteo foi submetido a exames complementares ao longo da segunda-feira. Em determinado momento, seu estado de saúde piorou drasticamente.
“Quando ele vomitou, era sangue saindo pela boca e pelo nariz. Eu entrei em desespero”, contou Laysa.
Uma vaga de UTI foi obtida durante a noite. Matteo chegou a ser transferido, mas não resistiu.
Abalada, a mãe afirma que pretende buscar responsabilização pelo caso.
“Hoje, foi o meu filho. Amanhã pode ser o filho de outra pessoa. Eu quero justiça.”
Posicionamento da Secretaria de Saúde
Em nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Saúde de Cubatão informou que instaurou uma sindicância administrativa para apurar “com rigor e transparência” todas as circunstâncias relacionadas ao caso.
Segundo a pasta, a investigação será conduzida de forma técnica e imparcial, com a oitiva dos envolvidos e a análise dos procedimentos adotados. A secretaria também afirmou que não é possível antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes da conclusão da apuração.
A administração municipal acrescentou, ainda, que os prestadores de serviço envolvidos “já estão colaborando com o fornecimento de informações e esclarecimentos necessários para subsidiar a investigação”, e reafirmou o compromisso com a qualidade da assistência prestada à população e informou que adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.







