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Casca de amendoim cozido virou um filtro sustentável para limpar água contaminada por corante da indústria têxtil: desenvolvido por estudante do IFBA, o biocarvão poroso removeu todo o índigo carmim das soluções menos concentradas e alcançou eficiência semelhante à de um carvão ativado vendido comercialmente
Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/07/2026 às 03:42
Ciência e Tecnologia
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Projeto desenvolvido no IFBA transformou casca de amendoim cozido em biocarvão poroso capaz de adsorver índigo carmim da água, eliminando completamente o corante nas amostras menos concentradas e apresentando desempenho comparável ao de um carvão ativado comercial, ao mesmo tempo em que reaproveita resíduo agroindustrial e combate poluição hídrica têxtil.
Um estudante do Instituto Federal da Bahia transformou casca de amendoim cozido em um material poroso capaz de remover índigo carmim de água contaminada. Desenvolvido no IFBA Campus Camaçari, o projeto Amendoclean utiliza biocarvão ativado para enfrentar simultaneamente o descarte de resíduos agroindustriais e a presença de corantes sintéticos em efluentes da indústria têxtil.
As informações estão disponíveis na página do projeto finalista da Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia, a FEBRACE. O conteúdo fornecido não apresenta uma data de publicação, por isso não é possível informar esse dado com precisão sem acrescentar uma informação inexistente na fonte.
Resíduo comum ganhou uma nova aplicação
A casca de amendoim costuma ser descartada depois do processamento do alimento, aumentando o volume de resíduos agroindustriais e alimentícios. Quando esse descarte ocorre de maneira inadequada, o material perde uma possibilidade de reaproveitamento e pode contribuir para problemas ambientais.
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O projeto buscou converter essa biomassa em um adsorvente para tratamento de água. Em vez de permanecer como resíduo, a casca passou a funcionar como matéria-prima para um biocarvão ativado, capaz de reter moléculas presentes em uma solução contaminada.
Corante é usado pela indústria têxtil
O índigo carmim é um corante sintético que pode estar presente em efluentes gerados pelo setor têxtil. Quando lançado sem tratamento adequado, esse tipo de composto contribui para a contaminação dos corpos hídricos.
A pesquisa escolheu o corante como referência para avaliar a capacidade do material. O objetivo era verificar se o biocarvão feito de casca de amendoim conseguiria retirar o índigo carmim do meio aquoso por meio de adsorção.
Adsorção prende moléculas na superfície
A adsorção ocorre quando determinadas moléculas ficam retidas na superfície de um material sólido. Quanto maior e mais favorável for essa superfície, maior pode ser a capacidade de capturar o contaminante presente na água.
Nesse processo, o corante não é simplesmente escondido pela mudança de cor da solução. As moléculas são atraídas e mantidas nos poros e nos pontos ativos do biocarvão, reduzindo sua concentração no líquido analisado.
Cascas passaram por várias etapas de preparação
As amostras de casca de amendoim cozido foram inicialmente lavadas para retirar impurezas. Depois, passaram por secagem, moagem e peneiramento, etapas necessárias para produzir partículas com características mais uniformes.
Na sequência, o material foi ativado quimicamente com ácido fosfórico e submetido à carbonização. Esse tratamento modificou a biomassa e formou uma estrutura rica em carbono, adequada ao processo de adsorção.
Ativação ajudou a criar uma superfície porosa
A transformação em biocarvão não depende apenas de queimar ou aquecer a biomassa. A preparação química e a carbonização precisam produzir uma superfície com poros capazes de aumentar o contato entre o material e o contaminante.
As análises mostraram uma morfologia heterogênea e porosa. Essa característica é importante porque amplia os locais disponíveis para a retenção do índigo carmim, favorecendo o desempenho do filtro desenvolvido no IFBA.
Material apresentou baixo teor de umidade
A biomassa utilizada apresentou teor de umidade de 8,3%. O teor de cinzas registrado foi de 3,5%, segundo os resultados divulgados no resumo do projeto.
Essas medições ajudam a caracterizar a matéria-prima antes e depois do processamento. Elas também permitem compreender quanto do material corresponde à água, aos resíduos minerais e à fração que pode contribuir para a formação da estrutura carbonosa.
Equipamentos examinaram a composição do biocarvão
O biocarvão de casca de amendoim foi analisado por microscopia eletrônica de varredura, técnica que permite observar detalhes da superfície em escala ampliada. A equipe também utilizou espectroscopia de energia dispersiva de raios X para investigar sua composição.
O estudo incluiu ainda espectroscopia de infravermelho, análise termogravimétrica, difração de raios X e determinação da área específica. A combinação dessas técnicas permitiu examinar estrutura, estabilidade, composição e características relacionadas à capacidade de adsorção.
Estrutura era rica em carbono amorfo
Os resultados indicaram que o biocarvão apresentava uma estrutura predominantemente amorfa e rica em carbono. Diferentemente de materiais altamente cristalinos, estruturas amorfas não exibem a mesma organização regular em longas distâncias.
Essa configuração, associada à porosidade observada, foi considerada favorável para reter o corante. O desempenho não depende de uma única propriedade, mas da combinação entre composição química, área disponível e características dos poros.
Testes duraram entre cinco e 120 minutos
Para avaliar a eficiência, o sólido foi colocado em contato com soluções de índigo carmim. Os intervalos analisados variaram de cinco a 120 minutos, permitindo acompanhar o comportamento da adsorção ao longo do tempo.
Depois do contato, a concentração restante do corante foi determinada por espectrofotometria. A comparação entre a concentração inicial e a final revelou quanto do índigo carmim havia sido retirado da água pelo biocarvão.
Soluções menos concentradas ficaram sem corante
O resultado mais expressivo ocorreu nas soluções de menor concentração. Nelas, o biocarvão de casca de amendoim removeu todo o índigo carmim detectado nas condições do experimento.
Isso não significa que qualquer volume de água contaminada será automaticamente purificado em todas as circunstâncias. O resultado está relacionado às concentrações, quantidades, tempos e demais condições adotadas nos testes laboratoriais descritos pelo projeto.
Desempenho foi comparável ao produto comercial
A eficiência alcançada pelo material produzido no IFBA foi semelhante à de um carvão ativado comercial usado como referência. Essa comparação indica que um resíduo vegetal pode apresentar desempenho relevante depois de preparado adequadamente.
O resultado aproxima o biocarvão experimental de uma solução já utilizada para adsorção, embora etapas adicionais de pesquisa sejam necessárias antes de qualquer aplicação em escala ampla ou sistema real de tratamento.
Projeto enfrenta dois problemas ambientais
A proposta atua sobre o acúmulo de resíduos e a poluição da água. De um lado, reaproveita uma biomassa que poderia ser descartada; de outro, cria um material destinado à remoção de um contaminante associado a efluentes têxteis.
Essa combinação está ligada ao conceito de economia circular, no qual um resíduo retorna ao processo produtivo como recurso. No caso estudado, a casca de amendoim ganha valor tecnológico depois de passar por preparação química e térmica.
Biocarvão ainda exige processamento controlado
Assista o vídeo
Embora a matéria-prima seja de origem vegetal, a fabricação envolve ácido fosfórico, carbonização e controle das condições experimentais. O filtro, portanto, não é produzido apenas triturando as cascas e colocando-as diretamente na água.
A segurança e a eficiência dependem de procedimentos técnicos, tratamento adequado e avaliação do material final. A origem natural da biomassa não elimina a necessidade de controle químico e laboratorial durante a produção.
Aplicação em efluentes reais precisará de novos testes
O resumo apresentado pela FEBRACE descreve experimentos com soluções preparadas de índigo carmim. Efluentes industriais reais podem conter misturas de corantes, sais, metais, matéria orgânica e outras substâncias.
Esses componentes podem disputar os mesmos pontos de adsorção ou alterar o funcionamento do material. Por isso, a passagem do laboratório para uma aplicação industrial dependeria de avaliações sobre capacidade, regeneração, descarte e desempenho em condições mais complexas.
Pesquisa mostra potencial da ciência escolar
O Amendoclean foi desenvolvido por Gabriel Mocitaiba Pinheiro, com orientação de Luciene Santos Carvalho, no IFBA Campus Camaçari. O projeto tornou-se finalista da FEBRACE na área de Ciências Exatas e da Terra, na subcategoria Química.
A pesquisa demonstra como problemas ambientais próximos da realidade industrial podem gerar investigações científicas dentro da educação técnica. O trabalho reúne química, reaproveitamento de resíduos, caracterização de materiais e tratamento de água em uma mesma proposta.
Casca descartada pode ganhar valor tecnológico
Os resultados indicam que a casca de amendoim cozido pode servir como matéria-prima para um adsorvente poroso, capaz de remover completamente o corante das soluções menos concentradas testadas e alcançar eficiência comparável à de um produto comercial.
A descoberta ainda precisa avançar antes de uma eventual aplicação em grande escala, mas apresenta uma rota promissora para reaproveitar resíduos e tratar água contaminada. Você acredita que indústrias deveriam investir mais em filtros produzidos com resíduos agrícolas? Conte nos comentários quais outros materiais poderiam ganhar uma segunda utilidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

