4 min de leitura
China começou um estádio em forma de flor de lótus para 100 mil torcedores, gastaria mais de R$ 10 bilhões, mas a obra nunca foi inaugurada e acabou reduzida após o colapso da Evergrande
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 25/07/2026 às 10:00
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Anunciada como maior arena exclusiva de futebol do mundo, obra em Guangzhou perdeu formato de lótus, cortou 27 mil assentos e passou de projeto bilionário da Evergrande a complexo estatal esportivo e comercial mais barato
O Estádio da Evergrande, anunciado em 2020 para receber 100 mil torcedores e custar até US$ 1,8 bilhão, será concluído com outro nome, desenho mais simples e capacidade de 73 mil pessoas. A reformulação transforma um projeto interrompido pela crise imobiliária chinesa em um complexo esportivo e comercial controlado por uma empresa estatal.
Assista o vídeo
Estádio da Evergrande nasceu para ser o maior do mundo no futebol
O projeto original foi apresentado em um período de forte investimento chinês no futebol. Com formato inspirado em uma flor de lótus, a arena seria construída na cidade de Guangzhou e funcionaria como a casa do Guangzhou Evergrande.
Com 100 mil lugares, o estádio superaria o Camp Nou, do Barcelona, como a maior arena do mundo construída exclusivamente para partidas de futebol.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O empreendimento também poderia receber grandes competições internacionais, incluindo a Copa da Ásia.
O custo estimado era de US$ 1,8 bilhão, valor superior a R$ 10 bilhões na cotação da época. A proposta previa ainda que a estrutura se tornasse um novo cartão-postal da China.
A viabilidade da obra, entretanto, estava diretamente ligada à Evergrande. O conglomerado havia expandido seus negócios com empréstimos bilionários enquanto o mercado imobiliário chinês permanecia em crescimento.
Dívida de US$ 300 bilhões interrompeu a construção
O modelo financeiro começou a perder força quando o governo chinês restringiu o endividamento das incorporadoras.
A Evergrande acumulou mais de US$ 300 bilhões em dívidas e passou a vender ativos, suspender empreendimentos e renegociar compromissos.
As obras do estádio foram interrompidas. Em 2021, o governo da cidade de Guangzhou assumiu o controle do empreendimento, que permaneceu praticamente abandonado durante quase dois anos.
Imagens aéreas feitas em 2022 mostravam guindastes parados, materiais espalhados e partes da estrutura ainda inacabadas.
A Evergrande também cancelou o contrato de uso do terreno para recuperar parte dos recursos aplicados.
O dinheiro obtido com a operação foi direcionado ao pagamento de credores. O Estádio da Evergrande, antes apresentado como símbolo da expansão econômica e esportiva do grupo, passou a representar os efeitos de sua crise financeira.
Queda da empresa também atingiu o Guangzhou Evergrande
A paralisação acompanhou o declínio do clube que usaria a arena. Comprado pela incorporadora em 2010, o Guangzhou Evergrande tornou-se uma potência asiática após receber investimentos elevados.
A equipe conquistou oito títulos do Campeonato Chinês e duas edições da Liga dos Campeões da Ásia. Também contratou jogadores conhecidos no Brasil, como Paulinho, Ricardo Goulart, Conca, Elkeson, Robinho e Talisca.
O clube ainda foi dirigido por técnicos como Luiz Felipe Scolari, Marcello Lippi e Fabio Cannavaro. Com a crise da controladora, perdeu seus principais jogadores, caiu de divisão e deixou de cumprir exigências financeiras.
O Guangzhou acabou perdendo a licença necessária para disputar o futebol profissional. Dessa forma, a equipe deixou de existir nas competições justamente enquanto o estádio construído para representá-la permanecia sem conclusão.
Novo estádio terá 73 mil lugares e orçamento menor
A Guangzhou City Construction Investment Group, empresa estatal que assumiu o empreendimento, decidiu aproveitar parte da estrutura existente, mas abandonou o desenho original e reformulou completamente a proposta.
A capacidade foi reduzida de 100 mil para 73 mil torcedores. O orçamento, antes estimado em cerca de € 1,5 bilhão, aproximadamente R$ 8,9 bilhões, caiu para € 300 milhões, cerca de R$ 1,7 bilhão.
Rebatizado de Guangzhou Football Park, o projeto será mais convencional e deixará de funcionar apenas como estádio. O plano inclui um centro público de atividades esportivas e espaços comerciais.
Quando inaugurado, o complexo será o maior estádio de futebol profissional da China. A arena, porém, não disputará mais o posto de maior do mundo, objetivo que fazia parte da proposta anunciada em 2020.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações do material-base fornecido, com dados, números e referências preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://www.moneytimes.co
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

