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Dois sul africanos colocam a água dentro da própria roda e criam um tambor de 90 litros que atravessa estradas de terra sem exigir que cerca de 90 kg sejam carregados na cabeça ou nas mãos
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 29/07/2026 às 16:27
Atualizado em 29/07/2026 às 16:28
Curiosidades
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O tambor de 90 litros criado na África do Sul transforma o próprio reservatório em roda e facilita o transporte de água por caminhos rurais. O peso permanece apoiado no solo enquanto a pessoa controla a alça. A solução reduz viagens até fontes distantes e alivia uma tarefa assumida principalmente por mulheres e crianças.
Dois sul africanos colocaram a água dentro da própria roda e criaram um tambor de 90 litros capaz de rolar por estradas de terra. Em vez de equilibrar vários baldes na cabeça ou sustentar os recipientes com as mãos, a pessoa conduz um único cilindro por meio de uma alça.
Quando está cheio, o tambor leva um volume de água que pesa cerca de 90 kg. As informações técnicas foram publicadas por Hippo Roller, organização sul africana que fabrica e distribui o equipamento. O peso permanece apoiado no chão durante o percurso.
Desenvolvida no início dos anos 1990, a solução foi pensada para terrenos rurais irregulares. A capacidade maior pode reduzir a quantidade de viagens até a fonte, liberando parte do tempo gasto diariamente na busca por água.
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A ideia surgiu quando a roda virou o próprio reservatório
Pettie Petzer e Johan Jonker conheciam as dificuldades enfrentadas por comunidades rurais sem água perto das casas. A primeira ideia envolvia um carrinho que manteria o reservatório perto do chão e diminuiria o peso colocado sobre o corpo.
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A roda separada, porém, era uma parte cara e complicada. A saída encontrada foi colocar a água dentro da própria roda, transformando o reservatório em um grande cilindro capaz de girar pelo terreno.
O tambor deixou de precisar de um carrinho completo. O recipiente passou a cumprir duas funções: armazenar a água e funcionar como roda durante o transporte.
Por que 90 litros não precisam ser levantados
Um litro de água pesa perto de um quilo. Por isso, 90 litros representam cerca de 90 kg de água, sem contar o peso do tambor e da alça.
Carregar todo esse volume na cabeça ou nas mãos seria extremamente difícil. No cilindro, o chão faz a parte de sustentar a carga e a pessoa aplica força apenas para iniciar, controlar e manter o movimento.
Isso não faz o peso desaparecer. O que muda é a forma de transportá lo. Em vez de manter a água levantada durante toda a caminhada, a pessoa enfrenta principalmente a resistência que dificulta o giro do tambor.
A física do rolamento reduz o esforço no caminho
Ao carregar um balde, o corpo trabalha continuamente para impedir que o recipiente caia. Quando o tambor rola, o solo equilibra a maior parte do peso e a alça direciona o movimento.
Em um terreno plano e firme, a força necessária é muito menor do que a exigida para levantar a mesma quantidade de água. Depois que o cilindro começa a girar, a pessoa consegue manter o deslocamento empurrando ou puxando.
A resistência aumenta em terrenos acidentados. Pedras, buracos, lama e subidas dificultam o giro porque obrigam a pessoa a vencer obstáculos e a força que puxa o tambor para baixo.
Quem criou o tambor e quem passou a conduzir sua expansão
Pettie Petzer e Johan Jonker criaram o desenho original no início dos anos 1990. Eles desenvolveram a ideia de usar o próprio reservatório como roda para facilitar a coleta em áreas rurais.
Hippo Roller, organização sul africana que fabrica e distribui o equipamento, detalhou os papéis: Grant Gibbs é apresentado como fundador da organização, enquanto Petzer e Jonker permanecem identificados como os autores do desenho.
A criação e a administração posterior representam momentos diferentes. Petzer e Jonker conceberam o recipiente, enquanto Gibbs passou a conduzir a fabricação, a distribuição e a expansão do projeto.
Polietileno e alça ajudam a enfrentar estradas de terra
O modelo atual utiliza polietileno, um tipo de plástico resistente usado em reservatórios. O material suporta contato repetido com terra, cascalho e pequenas pedras encontradas nos trajetos rurais.
O corpo cilíndrico possui uma superfície larga e paredes preparadas para impactos. Seu formato permite que o reservatório gire sem depender de rodas externas ou de um carrinho separado.
Uma alça metálica ajuda a manter a direção e permite empurrar ou puxar. Essa possibilidade facilita curvas, passagens estreitas e mudanças de posição diante de obstáculos.
A combinação entre plástico resistente, formato arredondado e alça rígida cria um equipamento simples. O tambor não depende de motor, combustível ou sistema elétrico para funcionar.
Mulheres e crianças assumem grande parte da busca por água
Em muitas comunidades rurais, mulheres e crianças percorrem longas distâncias para buscar água. A tarefa envolve caminhar até a fonte, esperar, encher os recipientes e retornar com a carga.
UNICEF, agência das Nações Unidas voltada à infância, trouxe o recorte regional: em muitos pontos da África subsaariana, mulheres e meninas passam mais de meia hora por dia coletando água.
Quando uma criança participa desse trabalho, o tempo da caminhada pode competir com as aulas e os estudos. O cansaço também pode causar atrasos e diminuir a disposição para outras atividades.
O tambor não garante presença escolar nem resolve sozinho a falta de abastecimento. Contudo, transportar um volume maior em cada percurso pode representar menos viagens e mais tempo disponível.
Lama, pedras e ladeiras limitam o funcionamento
A lama profunda pode fazer o tambor afundar e aderir ao chão. Quanto mais o cilindro entra no solo, maior fica a força necessária para continuar o percurso.
Pedras grandes podem interromper o giro ou desviar a direção. Mesmo com um corpo resistente, a pessoa ainda precisa contornar obstáculos que bloqueiam a passagem.
Nas ladeiras íngremes, parte do peso atua contra a subida. Em uma descida, a mesma carga pode ganhar velocidade, exigindo atenção e força para manter o controle.
O equipamento também possui um limite fora do terreno. Ele transporta e armazena, mas não purifica a água. A segurança para consumo depende da qualidade da fonte ou de um tratamento adequado.
O tambor de 90 litros não substitui redes de abastecimento, poços seguros ou tratamento. Sua função é reduzir o peso colocado sobre o corpo e facilitar o caminho entre a fonte e a residência.
Esse tambor é uma solução necessária ou apenas um apoio até a chegada da água encanada? Deixe sua opinião.
Fonte
Hippo Roller
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

