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Durante quase dois mil anos ninguém conseguiu enxergar o que existia sob a floresta amazônica; agora, uma tecnologia revela milhares de estruturas arqueológicas ocultas, desafia tudo o que se acreditava sobre a ocupação da Amazônia e indica que uma civilização pré-colonial pode ter reunido até 3 milhões de habitantes
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 31/07/2026 às 21:56
Curiosidades
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Estudo publicado na revista Nature mostra como a tecnologia LiDAR revelou centenas de estruturas arqueológicas escondidas sob a Amazônia, reforçando uma nova visão sobre a ocupação humana da floresta entre os séculos II e IV d.C
A Amazônia pode ter abrigado uma das maiores populações da América do Sul antes da chegada dos europeus. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Nature estima que entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas viveram na região durante o período pré-colonial.
Além disso, a pesquisa indica que uma ampla rede de comunidades ocupou parte da floresta entre 100 e 300 d.C., deixando monumentos e estruturas de engenharia que permaneceram escondidos por séculos sob a vegetação.
Para chegar a essa conclusão, uma equipe internacional de arqueólogos e especialistas em sensoriamento remoto utilizou a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), capaz de identificar vestígios arqueológicos invisíveis a olho nu.
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Caio Aviz
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Tecnologia LiDAR revela centenas de estruturas escondidas sob a floresta amazônica
Durante aproximadamente 4.430 quilômetros de voos, os pesquisadores identificaram 432 estruturas arqueológicas de terra.
Desse total, apenas 36 eram conhecidas anteriormente, o que evidencia a dimensão das descobertas realizadas pelo levantamento.
Entre as construções encontradas estão:
- Grandes geoglifos geométricos;
- Aterros monumentais;
- Plataformas elevadas;
- Caminhos elevados;
- Fossos;
- Recintos cerimoniais.
Segundo os autores do estudo, essas estruturas provavelmente eram utilizadas como centros públicos, políticos e religiosos destinados ao encontro periódico de diferentes comunidades.
Diferentemente do que se imaginava anteriormente, os locais não teriam funcionado como cidades permanentemente ocupadas nem como fortificações militares.
Estruturas arqueológicas identificadas pela tecnologia LiDAR reforçam uma nova interpretação sobre a ocupação humana da Amazônia. Fonte: Nature.
Civilização Aquiry ocupou uma extensa área da Amazônia por vários séculos
Os novos mapeamentos também identificaram a chamada tradição cultural Aquiry, considerada pelos pesquisadores uma das principais responsáveis pelas estruturas encontradas.
Segundo o estudo, essa população ocupou aproximadamente 183 mil quilômetros quadrados, abrangendo áreas do:
- Acre;
- Amazonas;
- Rondônia;
- Bolívia;
- Peru.
Além disso, os resultados representam uma importante mudança de paradigma para a arqueologia sul-americana.
Durante muitos anos, predominou a hipótese de que a Amazônia era habitada principalmente por pequenos grupos isolados e com características nômades.
Agora, entretanto, as novas evidências indicam uma ocupação muito mais organizada e integrada.
Estimativas indicam que milhares de estruturas continuam escondidas
Além dos levantamentos obtidos por LiDAR, os pesquisadores cruzaram informações provenientes de imagens de satélite, modelos estatísticos e dados arqueológicos acumulados nas últimas décadas.
Com base nesse conjunto de evidências, o estudo estima que o sudoeste amazônico possa abrigar entre 24 mil e 30 mil estruturas arqueológicas.
A maior parte delas permanece completamente encoberta pela floresta.
Além disso, os pesquisadores calculam que até dois terços dessas construções possam estar associados à tradição Aquiry, cuja área de ocupação pode ter sido muito maior do que a atualmente conhecida.
Levantamento indica que milhares de estruturas arqueológicas ainda permanecem ocultas sob a vegetação amazônica. Fonte: Nature.
População da região pode ter alcançado até 3 milhões de habitantes
A estimativa populacional apresentada pelos pesquisadores foi construída a partir de diferentes evidências arqueológicas.
Entre elas estão a quantidade estimada de monumentos, a densidade dos assentamentos identificados e modelos demográficos desenvolvidos em pesquisas anteriores.
Os autores também recordam que, em 2009, uma primeira estimativa utilizou como referência a força de trabalho necessária para construir e manter aproximadamente 200 grandes obras de terraplenagem ao longo de várias gerações.
Agora, os modelos atualizados indicam que a população da área analisada poderia ter alcançado até 3 milhões de habitantes, reforçando a dimensão da ocupação humana na Amazônia pré-colonial.
Descoberta fortalece uma nova visão sobre a história da Amazônia
Embora pesquisas anteriores já tivessem identificado diversas obras de engenharia pré-colonial, especialmente os geoglifos, o novo estudo amplia significativamente esse conhecimento.
Essas formações consistem em grandes figuras geométricas escavadas no solo e delimitadas por fossos e aterros.
Dessa forma, as novas evidências fortalecem o entendimento de que parte da Amazônia pré-colonial foi ocupada por uma ampla rede de comunidades organizadas, conectadas entre si e responsáveis pela construção de monumentos distribuídos por uma extensa área da floresta.
Por fim, o estudo publicado pela Nature, desenvolvido por uma equipe internacional de arqueólogos e especialistas em sensoriamento remoto, reforça uma mudança importante na compreensão científica sobre a ocupação humana da Amazônia e indica que milhares de estruturas arqueológicas ainda aguardam ser descobertas sob a maior floresta tropical do planeta.
E você, acredita que a Amazônia ainda pode esconder outras civilizações e milhares de estruturas arqueológicas capazes de mudar a história da ocupação humana nas Américas? Compartilhe sua opinião nos comentários!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

