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Máquina entra sozinha nas estufas de tomate, identifica cada flor com visão computacional, lança pequenos jatos de ar e assume a polinização onde a luz vermelha atrapalha as mamangavas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 31/07/2026 às 22:00
Ciência e Tecnologia
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Robô polinizador Polly usa visão computacional e pulsos de ar para encontrar flores de tomate, liberar pólen em estufas comerciais e manter a produção sob iluminação vermelha, ambiente que pode dificultar a orientação das mamangavas e aumentar a necessidade de controle automático.
Uma flor de tomate recebe um pequeno jato de ar disparado por uma máquina que avança entre folhas e caules. Sem insetos por perto, o robô polinizador Polly identifica cada flor com visão computacional e aplica a vibração necessária para liberar o pólen.
As informações foram divulgadas por Arugga, empresa de tecnologia agrícola para estufas. A máquina usa câmeras, análise de imagens e pulsos de ar calibrados para reconhecer flores prontas, atuar sem contato e percorrer fileiras de cultivo. A tecnologia já foi implantada em estufas comerciais na Austrália, Europa e América.
Na prática, o sistema tenta resolver uma etapa decisiva da produção de tomates em ambientes fechados. Ele pode assumir a polinização em áreas onde a luz vermelha altera o comportamento das mamangavas, além de reduzir a repetição de tarefas manuais dentro das estufas.
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Por que a flor do tomate precisa vibrar para produzir frutos
A flor do tomate precisa receber uma vibração capaz de sacudir a estrutura onde o pólen fica guardado. Esse processo recebe o nome de polinização por vibração e é essencial para plantas que dependem desse movimento para liberar o pólen.
As mamangavas realizam essa tarefa ao se prenderem à flor e movimentarem rapidamente os músculos usados no voo. A vibração solta o pólen e favorece o contato com a parte da flor responsável pelo início da formação do tomate. Plantas que dependem desse mecanismo incluem também berinjela, kiwi e mirtilo.
Dentro de estufas, a polinização costuma receber apoio de mamangavas ou de métodos manuais, pois o ambiente fechado reduz a atuação dos agentes naturais presentes ao ar livre.
Polly tenta copiar esse efeito sem encostar diretamente na planta. O sistema direciona pequenos pulsos de ar para a flor selecionada, fazendo com que ela se movimente e libere o pólen.
O problema da luz vermelha para as mamangavas
A iluminação artificial permite controlar melhor o ambiente dentro das estufas de tomate, ajudando no desenvolvimento das plantas e na produção em locais fechados. Porém, algumas condições de iluminação podem interferir no comportamento dos insetos usados na polinização.
As mamangavas dependem da visão para localizar flores e realizar a polinização. Em ambientes com iluminação artificial específica, como sistemas que utilizam luz vermelha, a orientação desses insetos pode ser prejudicada, criando desafios para a manutenção da polinização tradicional.
Arugga, empresa de tecnologia agrícola para estufas, desenvolveu o robô Polly justamente para atuar em situações nas quais fatores como iluminação, telas fechadas ou condições internas da estufa podem dificultar o trabalho das mamangavas.
O equipamento segue outro caminho. Em vez de depender da percepção dos insetos, o robô utiliza câmeras e análise de imagens para encontrar flores prontas e aplica pulsos de ar direcionados, reproduzindo a vibração necessária para liberar o pólen.
A tecnologia não elimina necessariamente o uso de mamangavas em todas as produções. A proposta é oferecer uma alternativa para ambientes específicos, principalmente onde a polinização tradicional encontra maiores dificuldades.
Como Polly encontra cada flor entre folhas e caules
A visão computacional funciona como um sistema que ensina a máquina a interpretar imagens. As câmeras registram as plantas enquanto Polly se desloca, e o programa diferencia flores, folhas, caules e espaços livres.
Assista o vídeo
Quando uma flor pronta aparece no campo de visão, o robô calcula sua posição e direciona o mecanismo de ar. A aplicação acontece apenas no alvo escolhido, o que evita soprar toda a planta sem necessidade.
Esse trabalho exige precisão porque as flores podem estar parcialmente escondidas, em alturas diferentes ou cercadas por folhas. Mudanças de iluminação e movimento das plantas também podem dificultar a leitura das câmeras.
O equipamento reúne deslocamento autônomo, reconhecimento de imagens e aplicação de ar. Mesmo assim, a máquina não trabalha sem qualquer apoio humano, pois precisa de supervisão, carregamento, ajustes e manutenção.
Fabricante divulga ganhos com o robô polinizador
Arugga, empresa de tecnologia agrícola para estufas, declara resultados iguais ou até 20% maiores do que a polinização manual e iguais ou até 5% maiores do que os obtidos com mamangavas. A página institucional também informa que 1 robô pode atender 1 hectare e que 1 operador pode gerenciar até 20 robôs.
A principal vantagem prometida está na repetição controlada da tarefa. O robô pode percorrer as fileiras de forma programada e registrar informações de cada área, enquanto um trabalhador acompanha várias unidades em vez de vibrar flores manualmente.
Energia e manutenção entram na conta do produtor
O uso de robôs não elimina o consumo de energia. Polly precisa alimentar câmeras, processamento de imagens, deslocamento e mecanismo de ar, além de voltar para recarga durante a operação.
Por outro lado, a máquina pode trabalhar em condições nas quais o produtor mantém telas fechadas para conservar calor. Essa possibilidade pode ser importante em regiões frias, mas a economia real depende da estrutura de cada estufa e não pode ser tratada como automática.
A manutenção também pesa na decisão. Câmeras sujas, falhas de leitura, peças desgastadas ou interrupções no carregamento podem reduzir o ritmo de trabalho. O produtor precisa comparar esses riscos com os custos das colmeias e da polinização manual.
Antes de ampliar o uso, a análise deve reunir produtividade, energia, manutenção e tempo parado. Um resultado elevado em um período curto não basta para mostrar o custo completo da tecnologia.
Robôs vão substituir ou complementar polinizadores e trabalhadores
A máquina pode substituir parte da polinização manual e assumir áreas onde o uso de mamangavas apresenta dificuldades. Isso não significa que insetos e trabalhadores deixarão de participar de todas as estufas.
Em muitos casos, o robô pode funcionar como complemento. Mamangavas podem continuar atuando em setores com condições favoráveis, enquanto a máquina atende horários, corredores ou ambientes com iluminação mais difícil.
O impacto sobre os empregos agrícolas aparece na mudança das funções. O trabalho deixa de se concentrar na vibração repetitiva de flores e passa a incluir supervisão, limpeza, configuração e manutenção dos equipamentos.
Também existe um cuidado importante: sistemas automáticos cometem erros. Uma flor pode ficar escondida, uma câmera pode falhar e uma fileira pode exigir nova passagem. A presença humana continua necessária para perceber problemas que a máquina não conseguiu identificar.
O avanço não elimina as mamangavas nem torna o resultado garantido. O valor prático do robô dependerá da produção obtida, do custo de operação e da capacidade de combinar máquinas, pessoas e polinizadores vivos.
Você confiaria a polinização de uma estufa inteira a robôs ou acredita que o melhor caminho é manter máquinas e mamangavas trabalhando juntas? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
Arugga
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

