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Ele ganhou R$ 52 milhões, ganhador da Mega-Sena comprou fazenda milionária, investiu R$ 9 milhões, reuniu 846 cabeças de gado e realizou o maior sonho da vida, mas a história terminou em tragédia.
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/07/2026 às 00:22
Curiosidades
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Fortuna conquistada na Mega-Sena levou Renné Senna de volta ao campo, onde milhões foram investidos em uma fazenda, um grande rebanho foi formado e um antigo sonho ganhou forma, antes que disputas patrimoniais e um crime transformassem radicalmente o rumo dessa história.
Renné Senna deixou uma vida marcada pelo trabalho rural e pelas dificuldades financeiras para administrar uma fortuna de aproximadamente R$ 52 milhões, conquistada sozinho na Mega-Sena de julho de 2005, depois de registrar uma aposta simples.
Pouco tempo depois, parte expressiva do prêmio foi destinada à compra da Fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Rio Bonito, no interior do Rio de Janeiro, adquirida por cerca de R$ 9 milhões e convertida no centro de seus investimentos.
Na propriedade, o ex-lavrador reuniu aproximadamente 846 cabeças de gado e 12 cavalos, além de máquinas, veículos e equipamentos rurais, retomando em outra escala a atividade que havia acompanhado sua juventude e sustentado seu vínculo com o campo.
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Embora representasse a realização de um antigo projeto pessoal, a mudança também antecedeu uma disputa patrimonial e criminal que ganharia repercussão nacional após o assassinato do milionário, ocorrido em janeiro de 2007, nas proximidades da fazenda.
Da lavoura ao prêmio de R$ 52 milhões na Mega-Sena
Antes da vitória na loteria, Renné trabalhou como lavrador e enfrentou problemas de saúde ligados ao diabetes, condição que levou à amputação das duas pernas e restringiu sua mobilidade durante uma fase de recursos limitados.
A virada ocorreu quando ele acertou sozinho as seis dezenas da Mega-Sena, deixando uma situação financeira modesta para assumir a gestão de um patrimônio formado por dinheiro, imóveis, veículos e, pouco depois, uma propriedade rural de grande valor.
Em vez de concentrar toda a fortuna em bens urbanos, o ganhador voltou a Rio Bonito e escolheu a fazenda como um dos principais destinos do dinheiro, mantendo a ligação com a região onde havia vivido e trabalhado.
Ainda assim, a compra da área rural não correspondeu ao investimento integral dos R$ 52 milhões no agronegócio, como algumas versões resumidas sugerem, porque o valor divulgado para a aquisição da propriedade foi de aproximadamente R$ 9 milhões.
Com a implantação da atividade pecuária, o imóvel passou a reunir terra, rebanho e equipamentos, formando um patrimônio expressivo e dando forma concreta ao desejo de retornar ao ambiente rural com recursos antes distantes de sua realidade.
Fazenda milionária ampliou patrimônio e exposição
Fora do campo, Renné também adquiriu imóveis e veículos, enquanto sua vida pessoal passou a receber atenção crescente de moradores, conhecidos e da imprensa, impulsionada pela dimensão do prêmio e pela rapidez da transformação financeira.
Apesar do novo padrão de vida, relatos publicados sobre sua trajetória indicam que ele continuava frequentando lugares conhecidos em Rio Bonito e acompanhava a rotina da propriedade, que se tornou uma referência central de sua fase como milionário.
Ao mesmo tempo, a visibilidade trouxe preocupações com segurança e levou Renné a contratar proteção particular, embora essas medidas não tenham impedido o crime cometido cerca de um ano e meio depois do recebimento do prêmio.
Cerca de dezoito meses após a vitória na Mega-Sena, Renné foi morto a tiros em um bar próximo à propriedade rural, episódio que direcionou as investigações para pessoas de seu convívio e para conflitos relacionados à fortuna acumulada.
Condenação pelo assassinato de Renné Senna
As apurações avançaram sobre a disputa pelo patrimônio e alcançaram Adriana Ferreira de Almeida, então companheira do ganhador, que passou a responder judicialmente pela acusação de ter ordenado o homicídio ocorrido em Rio Bonito, em janeiro de 2007.
Em dezembro de 2016, depois de uma absolvição anterior ter sido anulada pela Justiça, Adriana foi julgada novamente e recebeu condenação de 20 anos de prisão como mandante do assassinato de Renné Senna, conforme decisão do júri.
Depois da morte do ex-lavrador, a Fazenda Nossa Senhora da Conceição passou a integrar o espólio e permaneceu envolvida em uma longa disputa judicial, ao lado de valores financeiros, imóveis, veículos e outros bens deixados pelo vencedor.
Por determinação judicial, a propriedade acabou levada a leilão enquanto a definição dos direitos sucessórios avançava em processos separados, encerrando o controle direto da família sobre o bem que havia simbolizado o principal sonho realizado por Renné.
Mais de duas décadas depois do prêmio, o caso continua lembrado pela combinação entre uma vitória individual de grande valor, a escolha de investir no campo e a violência associada às disputas que surgiram em torno da fortuna.
A trajetória também expõe como uma mudança financeira repentina pode ampliar patrimônio, visibilidade e conflitos ao mesmo tempo, sem que a riqueza acumulada seja suficiente para garantir estabilidade, proteção ou continuidade aos projetos construídos pelo vencedor.
Ao observar essa história, a fazenda deve ser lembrada principalmente como a realização das origens de Renné ou como o símbolo mais evidente das disputas que surgiram depois da chegada inesperada da fortuna e mudaram para sempre o rumo de sua família?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

