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Enquanto montadoras tentavam criar carros cada vez mais modernos, Toyota construiu veículo com 86 painéis de madeira encaixados à mão, sem pregos, feito para envelhecer, receber peças novas e ser herdado por várias gerações
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 24/07/2026 às 19:33
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O Toyota Setsuna, carro de madeira da Toyota, reuniu 86 painéis artesanais, encaixes japoneses sem pregos e peças substituíveis em um protótipo elétrico criado para mudar de aparência com o tempo, guardar marcas da convivência familiar e transformar o envelhecimento em parte do valor do automóvel.
O Toyota Setsuna foi construído com 86 painéis de madeira encaixados à mão, sem pregos, para mudar de aparência com o passar dos anos. Desenvolvido no Japão e apresentado na Semana de Design de Milão em 2016, o veículo contrariou a busca da indústria por carros que parecem sempre novos.
As informações foram divulgadas por Toyota Europe, divisão europeia da fabricante japonesa de automóveis. O projeto usou madeira para representar a ligação criada entre uma família e seu carro ao longo de várias gerações.
O modelo podia dirigir, virar e parar, mas nasceu como protótipo conceitual, não como carro comercial. Ele não foi homologado para circulação normal em vias públicas nem apresentado como veículo destinado às concessionárias.
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O Toyota Setsuna foi criado para registrar o tempo
A madeira entrou no projeto porque sua cor, sua textura e seu aspecto mudam com o ambiente, o uso e os cuidados recebidos. Em vez de esconder essas transformações, o carro de madeira da Toyota foi pensado para deixar cada fase visível.
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O nome Setsuna significa momento em japonês. A escolha representa os pequenos acontecimentos que uma família vive com um automóvel, desde viagens e reparos até marcas que passam a lembrar antigos proprietários.
A ideia se aproxima do que acontece com móveis restaurados, barcos de madeira e carros antigos preservados por famílias brasileiras. Uma peça pode ser reparada, mas as marcas restantes continuam contando parte da história do objeto.
Os 86 painéis foram encaixados à mão sem pregos
A carroceria recebeu 86 painéis feitos artesanalmente, preparados para envelhecer de maneiras diferentes. Cada peça pode ganhar outra tonalidade e outra textura, o que torna o visual menos uniforme com o passar do tempo.
A montagem utilizou as técnicas japonesas okuriari e kusabi. Em linguagem simples, são formas de cortar e unir a madeira para que uma peça se encaixe na outra, usando o próprio formato e pequenas cunhas, sem depender de pregos ou parafusos.
O sistema permite retirar partes externas e fazer reparos localizados. Assim, um painel danificado pode ser substituído sozinho, sem exigir a troca de toda a carroceria e sem apagar completamente os sinais do trabalho feito à mão.
Cada espécie de madeira recebeu uma função
O cedro japonês foi escolhido para os painéis externos por causa dos veios visíveis e da flexibilidade. A bétula japonesa entrou na estrutura por ser mais rígida, enquanto a zelkova foi aplicada no piso por sua resistência e durabilidade.
Nos bancos, o projeto buscou uma madeira de toque mais suave. A seleção não ocorreu apenas pela aparência, pois cada região do carro precisava lidar com peso, contato, movimento ou desgaste.
Toyota Europe, divisão europeia da fabricante japonesa de automóveis, detalhou a escolha de materiais e o uso do encaixe tradicional na construção do protótipo. A documentação também identifica o motor elétrico e a capacidade básica de dirigir, virar e parar.
Nem todas as partes do carro são de madeira
A madeira domina a carroceria, a estrutura, o piso e os bancos, mas o Toyota Setsuna não foi feito somente desse material. O veículo usa motor elétrico e combina madeira com componentes de alumínio e revestimentos de couro.
O alumínio aparece em peças como partes das rodas, do volante e das estruturas dos bancos. O couro cobre áreas dos assentos que ficam em maior contato com o corpo, oferecendo uma superfície mais adequada ao uso.
Essa combinação também reforça a passagem do tempo. Madeira, couro e metal mudam de aspecto de formas diferentes, criando um carro que não tenta manter a mesma aparência durante toda a vida.
Por que o carro de madeira não chegou às concessionárias
O Toyota Setsuna é um carro conceito, criado para apresentar uma ideia e testar uma forma diferente de pensar o automóvel. Apesar de funcionar em movimentos básicos, ele não pode circular em ruas públicas como um modelo comum.
A construção manual também está distante de uma fábrica que precisa produzir muitos veículos iguais. Preparar encaixes, selecionar madeiras e montar 86 painéis individualmente exige tempo, cuidado e mão de obra especializada.
A madeira ainda reage à umidade, à temperatura e ao uso. Essas características, somadas à necessidade de manutenção e à falta de homologação para as ruas, ajudam a explicar por que o Setsuna permaneceu como protótipo e não avançou para a produção em massa.
A troca de peças transforma reparos em memória familiar
Em um carro comum, o reparo costuma buscar a recuperação da aparência original. No Setsuna, a diferença entre uma peça antiga e um painel novo poderia continuar visível, mostrando que o veículo passou por outra etapa de sua história.
Esse princípio aproxima o carro de um móvel antigo ou de um barco restaurado. A estrutura permanece, algumas partes mudam e outras conservam sinais de uso, criando um objeto que pode carregar lembranças sem impedir novos reparos.
A principal contribuição do projeto não foi oferecer um novo veículo ao mercado. O carro com 86 painéis de madeira mostrou que manutenção, envelhecimento e vínculo familiar também podem orientar o desenho de um automóvel.
O Toyota Setsuna permaneceu como uma experiência apresentada em 2016, sem venda regular e sem autorização para circular normalmente nas ruas. Seus painéis substituíveis mostraram uma maneira incomum de preservar um carro sem apagar todas as marcas acumuladas ao longo do tempo.
Se um carro guardasse as marcas de várias gerações da sua família, você manteria cada sinal do tempo ou restauraria tudo para parecer novo? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
News Room
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

