8 min de leitura
Finlândia escava uma segunda cidade subterrânea sob Helsinque, reúne quase 500 instalações e 10 milhões de metros cúbicos com piscinas, igrejas, pistas, playgrounds e academias, mas mantém tudo preparado para virar abrigo em até 72 horas e proteger quase 1 milhão de pessoas sob ruas usadas diariamente por 700 mil moradores
Escrito por Carla Teles
Publicado em 27/07/2026 às 16:06
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A cidade subterrânea de Helsinque funciona diariamente como rede de piscinas, academias, playgrounds, pistas, estacionamentos, espaços culturais e até igreja. Sob a capital finlandesa, quase 500 instalações somam 10 milhões de metros cúbicos e podem ser convertidas em abrigos civis plenamente operacionais em até 72 horas durante grandes emergências urbanas.
A cidade subterrânea existente sob Helsinque reúne quase 500 instalações escavadas no leito rochoso da capital da Finlândia. São aproximadamente 10 milhões de metros cúbicos ocupados por piscinas, academias, pistas esportivas, playgrounds, estacionamentos, estações de metrô, espaços culturais, salas de ensaio, áreas comerciais, museu e até uma igreja.
Os números foram apresentados em janeiro de 2026 pelo portal institucional This is Finland, produzido pelo Ministério das Relações Exteriores finlandês, e complementados por uma reportagem da Reuters publicada em 21 de maio de 2026. As estruturas são utilizadas diariamente, mas devem ficar plenamente disponíveis como abrigos civis em até 72 horas quando houver emergência.
Cidade subterrânea funciona todos os dias
A maior parte das instalações não permanece fechada à espera de uma guerra ou desastre. Moradores utilizam os ambientes para nadar, praticar esportes, brincar com crianças, estacionar veículos, ensaiar música, deslocar-se pelo metrô e atravessar áreas comerciais protegidas das condições climáticas externas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A cidade subterrânea foi integrada à rotina de Helsinque para que a infraestrutura não se transforme em espaço vazio e desconhecido. O uso contínuo também facilita a manutenção e permite que a população reconheça os locais antes de uma eventual situação de emergência.
Quase 500 instalações ocupam o subsolo
Helsinque possui aproximadamente 10 milhões de metros cúbicos de áreas subterrâneas distribuídas por quase 500 instalações. A escala levou a capital a desenvolver um planejamento específico para organizar o uso do subsolo e evitar conflitos entre túneis, serviços, transportes e novas construções.
A base granítica da região favorece a escavação de grandes salões, passagens e complexos esportivos. A rocha permite criar espaços amplos, com tetos elevados e aparência muito diferente da imagem estreita e escura normalmente associada a bunkers.
Rede pode proteger quase 1 milhão de pessoas
A capital finlandesa possui cerca de 5.500 abrigos menores e 48 grandes estruturas de proteção coletiva. Juntos, os espaços oferecem capacidade próxima de 1 milhão de pessoas, número superior à população de aproximadamente 700 mil moradores de Helsinque.
Essa margem também considera trabalhadores, estudantes, visitantes e pessoas que podem estar na cidade durante uma emergência. O planejamento não se limita ao número de residentes oficialmente registrados, mas procura atender quem estiver na área urbana quando o sistema for acionado.
Espaços precisam ficar prontos em 72 horas
As instalações de uso cotidiano devem ser convertidas em abrigos civis plenamente operacionais em até 72 horas. Nesse período, atividades esportivas e comerciais podem ser suspensas para a instalação de camas, reservatórios de água, banheiros portáteis e outros equipamentos de emergência.
A exigência obriga responsáveis públicos e privados a manter acessos, ventilação, portas de proteção, redes elétricas e sistemas sanitários em condições adequadas. A transformação rápida depende de equipamentos já armazenados e de planos definidos antes que uma crise aconteça.
Maior abrigo recebe 6 mil pessoas
O abrigo de Merihaka é apresentado como o maior complexo de uso duplo da cidade e pode acomodar aproximadamente 6 mil pessoas. A instalação possui 71 mil metros cúbicos, volume comparável ao de um prédio comercial de sete andares.
Construído em 2003, o espaço fica cerca de 25 metros abaixo do solo e abriga diariamente quadras esportivas, academia e playground infantil. Em uma emergência, o ambiente de lazer pode ser reorganizado para receber milhares de pessoas sem depender da construção de uma estrutura provisória.
Piscina pode virar abrigo para 3.800 pessoas
O complexo aquático de Itäkeskus foi aberto em 1993 e recebe cerca de 375 mil visitantes por ano. Construído sob aproximadamente 50 metros de rocha, o local reúne piscinas, saunas, academias e áreas destinadas à prática esportiva.
Caso seja necessário, as piscinas podem ser esvaziadas e o conjunto convertido em abrigo para cerca de 3.800 pessoas. O ambiente que normalmente recebe nadadores e famílias foi planejado para assumir uma função completamente diferente em poucas horas.
Playground fica 30 metros abaixo das ruas
No distrito de Hakaniemi, o Play Cave funciona aproximadamente 30 metros abaixo da superfície. O espaço possui trampolins, escorregadores, piscinas de bolas, estruturas acolchoadas e áreas onde crianças pequenas podem praticar movimentos com segurança.
A presença cotidiana de famílias modifica a relação da população com a infraestrutura de proteção. Para uma criança, o eventual abrigo não seria um lugar desconhecido, mas o mesmo ambiente onde ela já brincou em situações normais.
Academia opera oito andares abaixo do solo
O Maunula Sports Hall fica em uma área estimada em cerca de oito andares abaixo da superfície. O complexo recebe pessoas que praticam musculação, alongamento, dança e tênis de mesa durante diferentes períodos da semana.
Usuários destacam a iluminação, o espaço e a circulação de ar dentro das instalações. Apesar da profundidade, o ambiente foi projetado para funcionar como equipamento esportivo comum e não como uma estrutura permanentemente associada ao medo.
Pista de kart foi escavada na rocha
No distrito de Myllypuro, uma pista coberta de kart possui aproximadamente 300 metros de extensão e foi construída profundamente no leito rochoso. A operação subterrânea mantém condições semelhantes ao longo do ano, independentemente de chuva, neve ou vento.
Assim como outros espaços de uso duplo, a pista integra a rede de defesa civil da cidade. A lógica finlandesa transforma áreas que poderiam ficar ociosas em equipamentos capazes de gerar atividade econômica, lazer e manutenção permanente.
Igrejas, museus e metrô ocupam o subsolo
A cidade subterrânea inclui estações de metrô, estacionamentos, passagens para pedestres, áreas de comércio, salas de ensaio, instalações do Estádio Olímpico e espaços culturais. Entre os locais conhecidos estão a Igreja Temppeliaukio e o Museu Amos Rex.
Algumas estações de metrô também foram preparadas para funcionar como abrigos civis. O sistema subterrâneo não forma um único salão contínuo, mas uma rede distribuída de instalações conectadas à operação diária da cidade.
Construção de abrigos é obrigatória por lei
A Finlândia exige há mais de 70 anos a construção de abrigos em determinadas edificações. Segundo o Ministério do Interior citado pela Reuters, prédios residenciais e comerciais com área superior a 1.200 metros quadrados precisam incluir esse tipo de estrutura.
O proprietário do edifício arca com os custos, estimados entre 1,5% e 4% do valor total de uma nova construção residencial. A obrigação legal ajudou a espalhar milhares de abrigos por todo o país, em vez de concentrá-los apenas em grandes instalações públicas.
Finlândia possui mais de 50 mil abrigos
A rede nacional soma aproximadamente 50.500 estruturas de defesa civil. A construção contínua começou em 1955, influenciada pela experiência finlandesa durante a Segunda Guerra Mundial e pela proximidade geográfica com a Rússia.
Durante a Guerra Fria, o planejamento considerava principalmente a possibilidade de um conflito nuclear. Depois do acidente de Chernobyl, em 1986, o sistema também passou a incorporar preocupações relacionadas a acidentes radiológicos e outros riscos tecnológicos.
Equipamentos protegem contra diferentes ameaças
Os abrigos utilizam portas resistentes, sistemas especiais de ventilação, fornecimento emergencial de energia, redes de comunicação e estruturas de água e esgoto. A manutenção desses componentes é necessária mesmo enquanto os espaços cumprem funções esportivas ou comerciais.
Empresas finlandesas se especializaram na fabricação e no cuidado dessas soluções. A proteção depende menos da aparência das paredes e mais da capacidade técnica de manter ar, água, energia e comunicação durante uma emergência prolongada.
Estrangeiros buscam o modelo finlandês
Cerca de 800 delegações estrangeiras já visitaram o abrigo de Merihaka para conhecer a organização dos espaços de uso duplo. Representantes políticos, administradores e empresas procuram entender como Helsinque combina atividades cotidianas com preparação civil.
O interesse aumentou com as guerras na Ucrânia e no Irã, segundo a Reuters. Autoridades e companhias de países europeus e do Oriente Médio passaram a avaliar tecnologias finlandesas relacionadas a portas de proteção, ventilação, comunicação e energia emergencial.
Ucrânia quer combinar abrigo e atividades
Representantes de cidades ucranianas visitaram Helsinque com interesse em construir complexos esportivos capazes de funcionar também como proteção contra ataques. Em áreas próximas ao front, sirenes de alerta podem tocar 15 vezes por dia ou mais.
Na cidade de Balakliia, um abrigo construído ao longo de um ano também funciona como escola subterrânea. A proposta é permitir que crianças continuem estudando protegidas de drones e mísseis, em vez de apenas aguardarem o fim dos alertas.
Uso cotidiano mantém estruturas conhecidas
Para o Departamento de Resgate de Helsinque, manter os abrigos em uso facilita a conservação e reduz a estranheza em uma emergência. As pessoas conhecem acessos, corredores e características dos locais antes que precisem permanecer neles por necessidade.
A estratégia também torna economicamente justificável escavar grandes espaços no granito. Piscinas, academias, estacionamentos e áreas culturais ajudam a devolver à sociedade parte do investimento realizado em proteção civil.
Segunda cidade continua em expansão
A rede subterrânea de Helsinque não está concluída nem permanece estática. Novas instalações, reformas e adaptações são incorporadas conforme as necessidades urbanas, tecnológicas e de segurança mudam.
O resultado é uma cidade subterrânea que combina mobilidade, lazer, cultura e proteção para quase 1 milhão de pessoas. Você se sentiria mais seguro vivendo em uma cidade onde piscinas, academias e playgrounds podem se transformar em abrigos completos em até 72 horas? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

