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Brasil tem fazenda colossal com 120 mil bois, 1.300 pastos, mais de 500 km de adutoras e 650 bebedouros de 25 mil litros: Nova Piratininga atravessa Goiás e Tocantins e mantém uma das maiores operações pecuárias do país
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/09/2026 às 22:12
Atualizado em 10/09/2026 às 22:13
Agronegócio
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Nova Piratininga reúne cerca de 120 mil bovinos, centenas de bebedouros, mais de 500 km de adutoras e uma operação colossal entre Goiás e Tocantins.
Uma fazenda brasileira transformou a criação de gado numa operação que se aproxima da logística de uma pequena cidade. A Nova Piratininga, instalada entre Goiás e Tocantins, mantém um rebanho na faixa de 120 mil bovinos, dos quais aproximadamente 60 mil são matrizes em idade reprodutiva. Para distribuir água e organizar tantos animais, a propriedade implantou uma divisão que chegou a 1.300 pastos, construiu mais de 500 quilômetros de adutoras e instalou mais de 650 bebedouros com capacidade individual de 25 mil litros. Os dados fazem parte do histórico oficial divulgado pela própria Nova Piratininga.
A escala continuou crescendo. Em agosto de 2025, o Giro do Boi, do Canal Rural, descreveu um complexo pecuário com 30 retiros, 1.200 pastos, 120 mil bovinos, 18 mil vagas estáticas de confinamento, 13 mil hectares de áreas agrícolas desenvolvidas e 420 colaboradores. Já reportagem de maio de 2026 apontou rebanho oscilando entre 120 mil e 125 mil cabeças, 1.500 km de estradas internas e 250 funcionários dedicados diretamente ao gado.
Nova Piratininga nasceu em 2010 e rapidamente dividiu a propriedade em 1.300 pastos
A história oficial da Nova Piratininga começa em 15 de dezembro de 2010. Já no ano seguinte, uma das primeiras grandes mudanças foi reorganizar completamente as áreas utilizadas pelo gado.
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Um terreno…
Paulo Nogueira
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Segundo a própria fazenda, a divisão de pastagens elevou o número de pastos de apenas 220 para 1.300 em 2011.
Dividir uma propriedade desse porte em um número muito maior de áreas permite controlar melhor lotação, disponibilidade de capim, descanso das pastagens, movimentação das diferentes categorias de bovinos e distribuição de suplementação.
O número também ajuda a visualizar o desafio logístico. Não se trata apenas de possuir uma enorme extensão territorial e soltar milhares de animais nela.
Cada grupo precisa ser direcionado conforme idade, sexo, estágio reprodutivo, peso, condição corporal e estratégia nutricional.
Há uma diferença entre o número histórico e os dados operacionais mais recentes. O histórico oficial registra a expansão para 1.300 pastos, enquanto reportagem do Giro do Boi de agosto de 2025, baseada em entrevista com o gerente geral de pecuária Pedro Vinícius Souza Alves, descreve a operação naquele momento com 1.200 pastos e 30 retiros.
Mais de 500 quilômetros de adutoras levam água para centenas de pontos da fazenda
Uma das maiores dificuldades de manter dezenas de milhares de bovinos espalhados por grandes áreas é garantir água em quantidade suficiente.
A solução adotada pela Nova Piratininga começou a ganhar forma em 2011. Naquele ano, foram construídos mais de 500 quilômetros de adutoras para distribuir água pela propriedade.
Quinhentos quilômetros correspondem aproximadamente à distância rodoviária entre algumas capitais e cidades do interior brasileiro. Dentro da fazenda, contudo, essa extensão funciona como uma rede destinada a transportar um recurso indispensável aos animais.
O sistema reduz a dependência de levar rebanhos por grandes distâncias até rios, açudes ou pontos naturais de água. Em vez disso, a água pode ser levada até diferentes áreas de pastagem.
Essa infraestrutura também facilita a subdivisão dos pastos, porque a criação de novas áreas só funciona de maneira eficiente quando os animais encontram água dentro ou próximo dos piquetes onde permanecem.
Fazenda instalou mais de 650 bebedouros de 25 mil litros cada
Na mesma etapa de implantação da rede de abastecimento, a empresa informa ter construído mais de 650 bebedouros, cada um com capacidade de 25 mil litros.
Multiplicadas apenas para dimensionar a infraestrutura, 650 unidades de 25 mil litros representam 16,25 milhões de litros de capacidade nominal somada, embora isso não signifique que todos os reservatórios permaneçam completamente cheios ao mesmo tempo.
A quantidade demonstra por que o fornecimento de água numa fazenda desse porte precisa ser tratado como infraestrutura permanente e não como solução improvisada.
A disponibilidade adequada de água influencia diretamente ingestão de alimento, conforto térmico, ganho de peso, reprodução e saúde dos animais. Em uma propriedade com rebanho superior à população de muitas cidades brasileiras, qualquer falha de distribuição ganha dimensão igualmente grande.
Por isso, adutoras e bebedouros são tão estratégicos quanto currais, pastagens ou máquinas agrícolas.
Rebanho gira em torno de 120 mil animais e inclui aproximadamente 60 mil matrizes
Atualmente, a página oficial da área de pecuária informa cerca de 120 mil cabeças, incluindo aproximadamente 60 mil matrizes em idade reprodutiva.
Uma reportagem publicada pelo Canal Rural em maio de 2026 mostrou que o tamanho efetivo pode oscilar, situando o plantel entre 120 mil e 125 mil bovinos.
A fazenda trabalha em ciclo completo. Isso significa que realiza cria, recria e engorda, em vez de se especializar apenas numa fase da produção.
A estrutura precisa acompanhar, portanto, desde vacas em reprodução e bezerros recém-nascidos até animais em crescimento e bovinos na fase final de engorda.
O sistema amplia a complexidade administrativa, mas permite controlar praticamente toda a trajetória produtiva do animal dentro da operação.
Quase 90 mil protocolos de inseminação podem ocorrer numa única estação de monta
A escala aparece de maneira ainda mais impressionante quando se observa a reprodução.
Em dezembro de 2025, o Giro do Boi informou que a Nova Piratininga havia trabalhado com quase 90 mil protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo, a IATF, em uma única estação de monta, atendendo um rebanho de aproximadamente 60 mil matrizes.
As fêmeas não recebem todas o mesmo protocolo. Novilhas regulares podem passar por até quatro serviços de IATF, enquanto primíparas têm até três e multíparas, dois. Depois disso, determinadas categorias ainda recebem repasse com touros.
A propriedade também trabalha com fêmeas chamadas de “precocinhas”, novilhas que entram na estação reprodutiva com apenas 14 a 15 meses.
Na genética, Nelore forma a base do rebanho, enquanto Angus é utilizado na produção de carne premium. A empresa também passou a trabalhar com tricross envolvendo Angus, Nelore e Charolês.
Alimentar 120 mil bovinos na seca exige caminhões automatizados
A água é apenas uma parte do desafio. Durante a seca, quando a qualidade e o crescimento das pastagens diminuem, a logística alimentar ganha ainda mais importância.
O Giro do Boi informou que o planejamento da suplementação começa antes mesmo do início do ano-safra. A propriedade calcula previamente as necessidades de silagem, feno e suplementos para diferentes categorias do rebanho.
Em 2025, a operação descrita pelo programa utilizava caminhões automatizados para levar suplemento aos 1.200 pastos então em operação. A dieta era distribuída diariamente em determinadas estratégias, enquanto o sal mineral podia ser fornecido a cada dois dias.
Quando uma propriedade possui centenas de divisões, abastecer os cochos deixa de ser apenas uma tarefa agropecuária e se torna um problema de roteirização.
Cada caminhão precisa percorrer caminhos internos, entregar quantidades corretas e retornar sem comprometer a programação das demais áreas.
Pastagens mudam de acordo com as características do terreno
Mesmo dentro de uma propriedade gigantesca, o solo e o relevo não se comportam de maneira uniforme.
Pedro Vinícius Souza Alves explicou ao Giro do Boi que a fazenda trabalha com dois grandes “degraus” de terreno e utiliza espécies forrageiras diferentes conforme cada situação.
Nas partes mais baixas aparece a humidícola, enquanto regiões mais altas recebem variedades como andropogon e massai.
A estratégia permite adequar a pastagem às condições ambientais específicas de diferentes setores.
Também há suplementação direcionada conforme o peso. Novilhas destinadas à reprodução são preparadas para atingir entre 270 e 300 quilos na estação de monta. As mais leves podem receber ração equivalente a 0,5% do peso vivo, enquanto as mais pesadas recebem 0,3%, segundo a reportagem.
Confinamento que começou com 3 mil vagas cresceu para cerca de 18 mil
Quando a Nova Piratininga iniciou seu confinamento, em 2013, a capacidade estática era de 3 mil bovinos.
Em 2020, o histórico oficial já registrava aumento para 16,5 mil cabeças. Cinco anos depois, a reportagem do Giro do Boi apontava uma capacidade estática próxima de 18 mil animais, com funcionamento ao longo do ano.
Paralelamente, a fazenda utiliza sistemas de semiconfinamento e Terminação Intensiva a Pasto, conhecida como TIP.
Em maio de 2026, o Canal Rural informou que a estratégia de TIP era utilizada para terminar aproximadamente 10 mil fêmeas por ano, sobretudo vacas e novilhas que precisam atingir acabamento adequado antes do abate.
Treze mil hectares de agricultura ajudam a produzir alimento para o próprio gado
Uma fazenda com 120 mil bovinos não depende apenas da pastagem natural ou cultivada. A agricultura passou a integrar a operação justamente para produzir parte dos ingredientes necessários ao sistema pecuário.
Em 2019, a empresa iniciou sua integração lavoura-pecuária com 3 mil hectares de soja e construiu estrutura própria de recepção e armazenamento de grãos.
Em 2025 e 2026, o Giro do Boi já apontava 13 mil hectares de áreas agrícolas desenvolvidas.
A produção agrícola ajuda a diminuir a dependência de insumos externos e cria uma sinergia entre lavoura e pecuária.
Uma das estratégias atuais envolve sorgo reidratado e ensilado por até 70 dias, além de ingredientes como torta de algodão, farelo de soja e DDG.
Quatrocentos e vinte trabalhadores mantêm a engrenagem funcionando
Tecnologia e tamanho não eliminam a necessidade de mão de obra.
Em agosto de 2025, o Giro do Boi registrou 420 colaboradores vinculados à operação. Em maio de 2026, o Canal Rural manteve o número e acrescentou que aproximadamente 250 profissionais trabalhavam diretamente com o gado.
Numa estrutura dessa dimensão, as funções ultrapassam a imagem tradicional do peão conduzindo bovinos.
Há equipes ligadas à pecuária, agricultura, reprodução, nutrição, administração, manutenção de máquinas, estradas, sistemas de água, armazenamento e confinamento.
O histórico da propriedade também registra a criação de escola municipal, escolinha de esportes e clube social para colaboradores e familiares.
Uma fazenda colossal funciona como uma cadeia industrial no meio do campo
A Nova Piratininga ajuda a mostrar como mudou a pecuária de grande escala no Brasil.
O tamanho do rebanho chama atenção imediatamente, mas são os números escondidos atrás dos animais que revelam a verdadeira dimensão da operação.
A propriedade saiu de 220 para 1.300 pastos, implantou mais de 500 quilômetros de adutoras, espalhou mais de 650 bebedouros de 25 mil litros pela fazenda, estruturou um rebanho próximo de 120 mil bovinos, desenvolveu cerca de 60 mil matrizes e levou seu programa reprodutivo a quase 90 mil protocolos de IATF em uma única estação.
Ao mesmo tempo, a operação atual inclui milhares de hectares de agricultura, caminhões automatizados para alimentação, confinamento para milhares de animais, centenas de funcionários e uma malha de estradas que fontes recentes já situam na casa de 1.500 quilômetros.
Em uma fazenda desse porte, criar gado deixou de significar simplesmente possuir terra, capim e animais. Água precisa viajar por centenas de quilômetros de tubulações, suplemento precisa chegar a mais de mil pastos, dezenas de milhares de fêmeas precisam entrar em programas reprodutivos e milhares de animais precisam avançar simultaneamente pelas etapas de cria, recria e engorda.
É essa infraestrutura, muito mais do que apenas a extensão territorial, que explica como uma operação rural entre Goiás e Tocantins consegue manter um rebanho equivalente à população inteira de uma cidade de médio porte funcionando todos os dias dentro da mesma engrenagem produtiva.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

